As jovens Emmily Naves Correia Gonçalves e Etieny Naves Correia de Almeida, filhas da professora Luciene Naves Correia, de 51 anos, assassinada pelo ex-marido em Cuiabá, afirmaram que a vítima recorreu diversas vezes à Justiça em busca de proteção.

O crime ocorreu dentro da casa de Luciene, no bairro Osmar Cabral, na última segunda-feira (16). Paulo Neves Bispo, 61, pulou o muro da residência e surpreendeu a vítima enquanto tomava café da manhã. Ele também teria tentado atirar na filha grávida da professora. Ele foi morto por um policial à paisana.
Em entrevista à TV Centro América, nesta quarta-feira (18), as filhas falaram com revolta sobre o crime.
“Minha mãe sempre foi trabalhadora, não se vestia bem, não comia bem, não passeava, a vida dela era só trabalhar. Ela trabalhou para sustentar um alcoólatra, ela trabalhou para sustentar um viciado e ela trabalhou para sustentar o assassino dela, a vida inteira”, disse Etieny.
Segundo ela, Luciene esteve junto com Paulo por 30 anos, e, quando ela decidiu dar um basta na relação abusiva, o homem não aceitou. A professora vivia sob constantes ameaças e pressão por parte do assassino, que chegou a afirmar para as próprias filhas que mataria a professora.
Luciene chegou a solicitar medida protetiva contra Paulo, e, no dia do crime, havia acionado o botão do pânico duas vezes, segundo as filhas. Ainda conforme elas, um policial foi à residência, mas não fez nada.
“O que tenho para dizer é que a justiça falhou. Eu confiei, confiamos, o botão do pânico foi acionado duas vezes, eu estava junto com ela, meu marido estava no momento, o policial veio, ele [Paulo] já havia desligado o padrão de energia no dia e não fizeram nada. O policial apenas conversou com a minha mãe na calçada de casa e eles não fizeram nada”, afirmou Emmily.
Segundo ela, a mãe estava tão desesperada com a situação que buscou auxílio até mesmo da família dele, que também não fez nada.
"A família dele também compactuou com isso. Se ele teve as mãos sujas de sangue, a família dele também tem, as irmãs dele compactuaram com isso, os sobrinhos dele, porque minha mãe gritou socorro, não foi só para a gente aqui, minha mãe gritou socorro para todo mundo", disse.

"A morte da minha mãe não começou no tiro que ela tomou, começou quando ela pediu para ele não chegar mais perto dela e ninguém fez nada, porque todo mundo achava que ele não tinha coragem", disse Etieny.
O crime
No dia do feminicídio, Emmily estava com a mãe, no bairro Osmar Cabral, quando Paulo invadiu a residência armado e atirou contra a professora. A jovem, que está grávida de nove meses, quase foi alvo do pai, que também tinha a intenção de matar as próprias filhas.
Após matar Luciene, ele tentou ir até a casa de Etieny para cometer outro feminicídio, mas foi perseguido e morto por um policial de folga.
A morte da professora causou comoção entre colegas, alunos e ex-alunos, que admiravam o trabalho desenvolvido pela profissional.
Luciene atuava como professora da rede municipal de educação desde 2009, e estava lotada na Escola Municipal Constança Palma Bem Bem, trabalhando como Cuidadora de Aluno com Deficiência (Cad).
Veja o vídeo:
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