Cuiabá, Quinta-Feira, 19 de Fevereiro de 2026
FEMINICÍDIO DE PROFESSORA
19.02.2026 | 14h55 Tamanho do texto A- A+

Filha: "Ela trabalhou para sustentar alcóolatra, o assassino dela"

Luciene Naves Correia teria acionado o botão do pânico duas vezes antes de ser morta pelo ex em Cuiabá

Reprodução/TV Centro América

Emmily Naves Correia Gonçalves (esquerda) e Etieny Naves Correia de Almeida (direita)

Emmily Naves Correia Gonçalves (esquerda) e Etieny Naves Correia de Almeida (direita)

LARISSA AZEVEDO
DA REDAÇÃO

As jovens Emmily Naves Correia Gonçalves e Etieny Naves Correia de Almeida, filhas da professora Luciene Naves Correia, de 51 anos, assassinada pelo ex-marido em Cuiabá, afirmaram que a vítima recorreu diversas vezes à Justiça em busca de proteção.

 

O que tenho para dizer é que a justiça falhou. Eu confiei, confiamos, o botão do pânico foi acionado duas vezes

O crime ocorreu dentro da casa de Luciene, no bairro Osmar Cabral, na última segunda-feira (16). Paulo Neves Bispo, 61, pulou o muro da residência e surpreendeu a vítima enquanto tomava café da manhã. Ele também teria tentado atirar na filha grávida da professora. Ele foi morto por um policial à paisana. 

 

Em entrevista à TV Centro América, nesta quarta-feira (18), as filhas falaram com revolta sobre o crime.

 

“Minha mãe sempre foi trabalhadora, não se vestia bem, não comia bem, não passeava, a vida dela era só trabalhar. Ela trabalhou para sustentar um alcoólatra, ela trabalhou para sustentar um viciado e ela trabalhou para sustentar o assassino dela, a vida inteira”, disse Etieny. 

 

Segundo ela, Luciene esteve junto com Paulo por 30 anos, e, quando ela decidiu dar um basta na relação abusiva, o homem não aceitou. A professora vivia sob constantes ameaças e pressão por parte do assassino, que chegou a afirmar para as próprias filhas que mataria a professora. 

 

Luciene chegou a solicitar medida protetiva contra Paulo, e, no dia do crime, havia acionado o botão do pânico duas vezes, segundo as filhas. Ainda conforme elas, um policial foi à residência, mas não fez nada.

 

“O que tenho para dizer é que a justiça falhou. Eu confiei, confiamos, o botão do pânico foi acionado duas vezes, eu estava junto com ela, meu marido estava no momento, o policial veio, ele [Paulo] já havia desligado o padrão de energia no dia e não fizeram nada. O policial apenas conversou com a minha mãe na calçada de casa e eles não fizeram nada”, afirmou Emmily. 

 

Segundo ela, a mãe estava tão desesperada com a situação que buscou auxílio até mesmo da família dele, que também não fez nada. 

 

"A família dele também compactuou com isso. Se ele teve as mãos sujas de sangue, a família dele também tem, as irmãs dele compactuaram com isso, os sobrinhos dele, porque minha mãe gritou socorro, não foi só para a gente aqui, minha mãe gritou socorro para todo mundo", disse. 

 

A morte da minha mãe não começou no tiro que ela tomou, começou quando ela pediu para ele não chegar mais perto e ninguém fez nada

"A morte da minha mãe não começou no tiro que ela tomou, começou quando ela pediu para ele não chegar mais perto dela e ninguém fez nada, porque todo mundo achava que ele não tinha coragem", disse Etieny. 

  

O crime 

 

No dia do feminicídio, Emmily estava com a mãe, no bairro Osmar Cabral, quando Paulo invadiu a residência armado e atirou contra a professora. A jovem, que está grávida de nove meses, quase foi alvo do pai, que também tinha a intenção de matar as próprias filhas. 

 

Após matar Luciene, ele tentou ir até a casa de Etieny para cometer outro feminicídio, mas foi perseguido e morto por um policial de folga.

 

A morte da professora causou comoção entre colegas, alunos e ex-alunos, que admiravam o trabalho desenvolvido pela profissional. 

  

Luciene atuava como professora da rede municipal de educação desde 2009, e estava lotada na Escola Municipal Constança Palma Bem Bem, trabalhando como Cuidadora de Aluno com Deficiência (Cad). 

 

Veja o vídeo:

 

 

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