Enquanto milhares de foliões ocupam as ruas em blocos durante o Carnaval, outra parte da população cuiabana escolhe viver o feriado de forma diferente, em “comunhão com Deus”, no Vinde e Vede.

Em entrevista ao MidiaNews, o coordenador do evento, Adriano Botelho, de 52 anos, afirmou que o Vinde e Vede se consolidou não apenas no calendário da cidade, mas se tornou um dos principais marcos do calendário católico em Mato Grosso.
“O Vinde e Vede é, primeiramente, um momento de comunhão com Deus, de estar aberto para que o Espírito Santo mova o coração”, disse.
Realizado entre os dias 14 e 17 de fevereiro, na Arena Pantanal, o 39º Vinde e Vede reúne fiéis de todas as idades em uma intensa programação de cerca de 10 horas por dia, que inclui pregações, missas, momentos de adoração e shows nacionais. Confira a programação completa AQUI.
Segundo o coordenador, neste ano, o evento contará com estacionamento gratuito e, para quem depende do transporte público durante os dias de Carnaval, o transporte coletivo em Cuiabá funcionará com tarifa social.
Durante a entrevista, Adriano falou sobre a origem do encontro, a estrutura atual, a programação e relatou um testemunho de milagre.
Confira os principais trechos da entrevista:
MidiaNews - O Vinde e Vede acontece no Carnaval, período marcado por festas e excessos. Como surgiu a proposta de oferecer uma experiência diferente nesse período?
Adriano Botelho - O Vinde e Vede aparece no início da década de 80, com a Renovação Carismática Católica, para oferecer ao público do movimento da época um momento de retiro, de encontro com a família, de louvar, cantar e se encontrar com Deus. Era uma opção de onde ir nesses quatro dias. No início, era feito no ginásio Dom Aquino, depois no ginásio da UFMT, e, posteriormente, foi para o antigo Verdão. Hoje é feito na Arena Pantanal.
Com o passar do tempo, o Vinde e Vede criou corpo. Nós tínhamos também, logo em seguida, o Movimento Sacerdotal Mariano e outro movimento voltado para a juventude, o MicareCristo, em uma data separada. Quando Dom Milton assumiu a Arquidiocese, vendo a grandiosidade do Vinde e Vede, unificou esses três grandes eventos, proporcionando a cada dia uma espiritualidade. Nós temos a espiritualidade voltada para a juventude no sábado, a espiritualidade carismática no domingo espiritualidade Mariana na segunda-feira e, na terça-feira, o fechamento com todos os carismas da Igreja, com todas as paróquias, as pastorais e também o lançamento da Campanha da Fraternidade.
MidiaNews - Ao longo dos anos, o Vinde e Vede se consolidou no calendário da cidade. O que torna esse encontro único e diferente de outros eventos religiosos e culturais realizados em Cuiabá?
Adriano Botelho - Ouso dizer que não só no calendário de Cuiabá, mas no calendário do Estado de Mato Grosso. O Vinde e Vede é pai e mãe de vários encontros que hoje acontecem no Estado. Nós temos hoje encontros que acontecem em Rondonópolis, em Sinop, onde esses grupos vinham até Cuiabá e que agora criaram um encontro para esse mesmo período. É o maior encontro católico do Centro-Oeste nesta data.
Ele traz a unidade da Igreja, da Arquidiocese de Cuiabá, a unidade de todas as 33 paróquias em um dia para encontrar o outro, encontrar Deus, louvar, adorar e pedir também, por que não. Então, isso o torna diferente. Nosso evento tem aproximadamente 10 horas de duração por dia. São quase 40 horas de evento durante os quatro dias. Temos uma programação extensa, que comporta desde a criança até o vovô e a vovó.
MidiaNews - Para quem pretende participar desta edição, o que esperar?
Adriano Botelho - O Vinde e Vede é, primeiramente, um momento de comunhão com Deus, de estar aberto para que o Espírito Santo mova o coração. A gente está no início do ano, então é um reabastecimento para os serviços pastorais nas comunidades. Teremos também pregações com pregadores nacionais, e um diferencial neste Vinde e Vede são os shows nacionais, seguindo um pouco alguns encontros em nível nacional, como o PHN, por exemplo, que todos os dias tem shows no final do dia.
Então, na 39ª edição do Vinde e Vede, haverá shows todos os dias no encerramento, o que antigamente era só no sábado. A pessoa poderá vir para ouvir as palestras, participar da Santa Missa e também vivenciar esse momento de show, de canto e de orações.
MidiaNews - O Vinde e Vede dialoga com qual perfil de público? É um evento pensado apenas para católicos praticantes ou consegue alcançar também pessoas que buscam algo novo?
Adriano Botelho - Com todos os públicos. O Vinde e Vede é uma evangelização, é um momento em que nós, da coordenação, convidamos todos para ouvir a Palavra de Deus. É para as crianças, para o adulto e para o vovô também, porque a gente tem palestras, shows, louvores e a Santa Missa. É para todo o público, da criancinha de um aninho até 150 anos, se estiver disponível. Estamos abertos para recebê-los.
O evento é organizado pela Igreja Católica, porém é aberto a todos, principalmente àqueles que se identificam com o cristianismo. Então, nós temos alguns testemunhos de pessoas de outro credo que vão lá, que querem participar do show, querem ouvir a pregação, querem ouvir a Palavra e participam. É bastante democrático. A gente não faz acepção: é aberto a qualquer público que deseja estar lá conosco.
MidiaNews - Depois que o Carnaval termina, o que permanece na vida de quem participou?
Adriano Botelho - O Vinde e Vede é feito em duas etapas. A primeira são os quatro dias: o momento do show, da pregação, da missa, esse momento espiritual. A segunda etapa é uma ação concreta. Você não paga para entrar no Vinde e Vede, mas contribui com um alimento não perecível, que chamamos de entrada solidária. Ao final, a gente arrecada em torno de 7 a 10 toneladas de alimentos e doamos para instituições que trabalham com pessoas de baixa renda.
A pessoa que vai ao Vinde e Vede vai ser abastecida. Ela vai chegar como um vaso, e Deus vai encher esse vaso. A gente diz: “Você vai ali para se tornar um vaso novo, na mão do oleiro”. É esperado que, durante o ano, até o próximo Vinde e Vede, ela seja reabastecida aqui, nos encontros paroquiais, nos outros encontros que existem na Arquidiocese. Ela vai se reabastecendo até o próximo Vinde e Vede.
MidiaNews - Que transformações o senhor já viu nascer a partir do evento?
Adriano Botelho - Eu tenho três testemunhos que gostaria de partilhar. Um, quando eu era apenas um jovem, ficava na arquibancada e ia apenas para participar. No nosso grupo de jovens, havia uma moça que tinha problema de locomoção, ela não andava, da cintura para baixo ela não tinha movimentos. Me lembro que, numa pregação de Ironi Spuldaro, essa moça foi curada fisicamente no Vinde e Vede. Nós não acreditávamos, porque a gente conhecia ela, era do nosso bairro, no Parque Cuiabá. Nós a conhecíamos, sabíamos que ela não andava. E aí, naquele momento, o pregador disse que Deus estava curando uma moça, deu as características, ela levantou e deu os passos. Para mim, foi um acontecimento muito significativo.
Por mais que a gente diga que é católico, que é cristão, que acredita em milagres, não é toda hora que acontece um milagre próximo a você. Isso faz com que a fé da gente seja reavivada. Jesus passava pelo meio das pessoas, e as pessoas, ao tocarem em Jesus, eram curadas, e isso acontece hoje. Não é à toa que Jesus disse: “Eu estarei convosco até o fim dos tempos”. Para nós, aquele grupo de jovens, foi muito impactante e teve alguns efeitos: muitas se tornaram religiosas, outros foram para o seminário, tornaram-se padres. É impactante você estar tão próximo de um milagre realizado por Deus.
Tem outros testemunhos de pessoas que mudaram de vida. Quando acabou a pandemia, fizemos uma edição do Rincão do Meu Senhor, em Várzea Grande, na Canção Nova. A gente tem várias parcerias, entre elas, com ambulância, porque temos parceria com as prefeituras. Nesse dia, tinha uma senhora que estava como enfermeira e ela, há muito tempo, não participava da igreja. Ela dizia que pedia um sinal para Deus de que Ele existia. Ela foi para o Vinde e Vede trabalhar, mas ouvia as pregações, participava dos louvores, e chorava, dizendo que parecia que o pregador falava só para ela. Ela chorava desesperadamente, dizendo que Deus tinha tocado muito o coração dela e que, naquele momento, voltaria a servir a Deus.
Nessa semana, ouvi um testemunho de uma pessoa que trabalhou contratada por uma empresa que prestava serviço há dois anos, quando já estávamos na Arena, e se sentiu cheia de Deus. Depois, ela descobriu que tinha um câncer de mama e teve toda a força espiritual para poder passar por essa batalha. Hoje, curada, ela ligou para a empresa que presta serviço para a gente e disse: “Quero trabalhar voluntariamente para o Vinde e Vede”. São vários testemunhos, e a gente sabe que é um momento, além de se encher espiritualmente, também de cura interior. Curas físicas também acontecem ali.
MidiaNews - Para quem ainda está indeciso, dividido entre a programação tradicional do Carnaval e a proposta do Vinde e Vede, que convite o senhor faria?
Adriano Botelho - Venha conhecer. Se você nunca participou de um Vinde e Vede, venha participar conosco, experimentar esse impacto de Deus sobre a sua vida, porque só vivendo... São Francisco de Assis dizia que o testemunho, a palavra, quando você prega, converte as pessoas, mas a experiência da vivência é impactante. Então, venha viver, venha sentir.
E uma das coisas que eu pude experimentar na época da pandemia, quando a gente participava de muitos encontros virtuais, é que, estando presente, existe uma energia, existe o poder do Espírito Santo que emana ali. Lógico que Deus faz em qualquer momento, em qualquer lugar, na hora que Ele quer, mas, você estando junto com o irmão ali, orando, louvando, levantando seus braços, pedindo, agradecendo a Deus, é uma experiência única que não dá para apenas testemunhar, é preciso vivenciar. Então, eu convido todos aqueles que já viveram o Vinde e Vede ou que ainda não viveram que venham participar desse momento de graça de Deus sobre a vida de cada um.
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