Cuiabá, Quinta-Feira, 2 de Abril de 2026
MENSALINHO
10.11.2023 | 07h00 Tamanho do texto A- A+

Ex-deputado tenta acordo para se livrar de ação de R$ 15 milhões

Justiça suspendeu o processo por 30 dias a pedido do MPE, pois Azambuja tenta acordo judicial

Reprodução

Carlos Antônio Azambuja foi filmado recebendo dinheiro no Palácio Paiaguás

Carlos Antônio Azambuja foi filmado recebendo dinheiro no Palácio Paiaguás

THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

A Justiça de Mato Grosso suspendeu por 30 dias uma ação por ato de improbidade administrativa contra o ex-deputado estadual Carlos Antônio Azambuja por suposta participação no esquema de “mensalinho” na Assembleia Legislativa.

Compulsando os autos, verifico que o Parquet peticionou pugnando pela suspensão do feito diante das tratativas

 

A decisão é assinada pelo juiz Bruno D’ Oliveira Marques, da Vara Especializada em Ações Coletivas, e foi publicada nesta quinta-feira (9).

 

O magistrado atendeu um pedido do Ministério Público Estadual (MPE), autor da ação,  que informou estar em tratativas com o ex-parlamentar para fechar um acordo de não persecução cível. 

 

O acordo é feito quando o réu confessa e aceita fazer uma reparação financeira sobre os ilícitos praticados. Em contrapartida, o processo é extinto.

 

“Compulsando os autos, verifico que o Parquet peticionou pugnando pela suspensão do feito diante das tratativas desenvolvidas com o fito de elaboração de Acordo de Não Persecução Cível (ANPC) com a parte requerida. Assim sendo, defiro o pedido pelo que suspendo o processo pelo prazo de 30 (trinta) dias”, despachou o juiz.

 

De acordo com a ação, o ex-parlamentar recebeu propina mensal no total de R$ 4 milhões no período entre junho de 2009 a janeiro de 2015, mesmo quando afastado para exercer o cargo de secretário de Estado de Esportes e Lazer da gestão de Silval Barbosa.

 

O MPE pedia que o ex-deputado fosse condenado ao ressarcimento do valor atualizado, que passa de R$ 15 milhões. 

  

O caso ganhou repercussão nacional através da divulgação de vídeos de ex-parlamentares, incluíndo Azambuja,  recebendo a suposta propina no Palácio Paiaguás, durante a gestão de Silval.

  

O mensalinho

 

Segundo contou Silval em delação, ele firmou acordo com parlamentares para manter a governabilidade, ter as contas do governo aprovadas, os interesses do Executivo priorizados na Assembleia e não ter nenhum dos membros do alto escalão investigado em Comissão Parlamentar de Inquérito.

  

Os valores eram pagos a partir de desvio de recursos públicos da própria Assembleia Legislativa, através de contratos firmados com diversas empresas, as quais faziam um “retorno” de 15 a 25% dos valores que lhes eram pagos nos contratos e de 30 a 50% dos valores pagos nos aditivos contratuais.

 

O “retorno” era entregue pelas empresas diretamente a  Silval e ao então deputado estadual José Riva, cabendo a ambos repassarem a propina aos demais deputados.

   

Além de Azambuja também foram flagrados pegando dinheiro os então deputados Luciane Bezerra, José Domingos Fraga, Airton Português, Ezequiel Fonseca, Emanuel Pinheiro, Alexandre César e a ex-secretária de Estado Vanice Marques.

 

Também foram filmados, na mesma sala, Gilmar Fabris e Baiano Filho, porém não há imagens deles pegando dinheiro.

 

Cada um responde a um processo separado pelos fatos. 

 

Entre no grupo do MidiaNews no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).




Clique aqui e faça seu comentário


COMENTÁRIOS
0 Comentário(s).

COMENTE
Nome:
E-Mail:
Dados opcionais:
Comentário:
Marque "Não sou um robô:"
ATENÇÃO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. Comentários ofensivos, que violem a lei ou o direito de terceiros, serão vetados pelo moderador.

FECHAR

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia