O ano de 2025 termina melancolicamente. Um ano duro. 2026 continuará duro, acrescido de um agravante: será um ano de eleições gerais em meio à recessão econômica.
Em 2025 o Brasil conseguiu a façanha de concluir o projeto de destruir o Estado brasileiro. Estado é a estrutura que governa a nação. Os poderes mais os organismos públicos formam o Estado. Por detrás, uma sociedade inteira trabalha pra sustentar os custos dessa imensa máquina pública. Ela perdeu completamente todas as virtudes obrigatórias do Estado. Desmanchou o equilíbrio entre os poderes a quem a Constituição Federal aprovada em 1988 determinou. Um governa, outro legisla e fiscaliza e o terceiro equilibra os dois.
2025 termina com os poderes morrendo em luta de vida e morte.
O Executivo por ganância de gastos, por corrupção e por abusos de todas as naturezas, desgoverna. O Legislativo reduziu-se a um balcão de negócios baratos. Tipo fim de feira. Espontaneamente abriu mão de todas as suas prerrogativas. O Judiciário passou a governar, legislar, julgar e controlar os outros dois poderes e vigia os cidadãos. Pra fazer isso, assumiu todos os defeitos dos dois outros poderes, como corromper, custar caro, autoritarismo, fazer e desfazer leis, além de comercializar no varejo e no atacado a justiça que deveria prestar à sociedade.
Já 2026 começa com o Estado em frangalhos. Uma eleição no Brasil há muito tempo tornou-se um jogo de interesses terceirizados de um monte de gente ligada aos três poderes e estendendo-se ao chamado mercado. Os interesses da sociedade sempre foram mínimos diante dos interesses ligados ao Estado.
Exemplos não faltam. No fim do regime militar, lá por 1982 até 1985, houve desmonte semelhante, mas a perda de poder foi só do Poder Executivo. Os dois outros poderes conservaram-se intactos e preservaram a sua voz. A mídia tinha onde buscar informações e enxergar o direcionamento que poderosas lideranças políticas traçavam e divulgavam. A sociedade não sentia-se desamparada como agora.
Não há mais lideranças políticas com o mínimo de credibilidade. A mídia está a serviço do lado escuro do Estado. A mídia hoje tem lado político e também tem interesses financeiros. Logo, a sociedade está completamente órfã.
Por isso é que o ano de 2026 será um redemoinho na planície. Ninguém enxergará nada. Confesso que este não é um artigo otimista. Mas a percepção geral no país também não é otimista. Qualquer um com o mínimo de capacidade de enxergar sabe que não vê nada previsível para os próximos 365 dias. Sobre 2027, nem me atrevo a pensar a respeito!
Onofre Ribeiro e jornalista em Mato Grosso.
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2 Comentário(s).
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| antonio 30.12.25 18h57 | ||||
| O artigo apresentado não reflete a realidade do país. Somente alguém com fundamentalismo político-ideológico pode discordar dos números e dos fatos que o Brasil apresenta. Se não, vejamos: O país encerra 2025 com o menor nível de desemprego desde 2012 (5,2%). Além disso, o real se valorizou frente ao dólar, reduzindo a diferença para 12% (Folha de S. Paulo, 30/12). Temos ainda o menor nível de pobreza da história recente durante o mandato Lula. As ações do Judiciário incomodam aqueles que apoiaram os golpistas e hoje enfrentam o rigor da lei. O próprio advogado de Bolsonaro não nega a tentativa de golpe de Estado em sua defesa, afirmando apenas que Bolsonaro “desistiu” de prosseguir. A OEA (Organização dos Estados Americanos), órgão máximo da cúpula das nações do continente, após exaustivas investigações, legitimou a sentença dada aos envolvidos. As instituições seguem fortes. Golpistas estão sendo responsabilizados, o país cresce economicamente e melhora socialmente — para o desespero daqueles que apostaram na “venezuelização”. | ||||
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| Vivian Leão 30.12.25 11h10 | ||||
| Uma análise lúcida e necessária, fruto de experiencia e estudo deste grande jornalista, Sr Onofre Ribeiro. Vale muito a leitura atenta e a reflexão. Precisamos ouvir mais vozes assim. | ||||
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