Cuiabá, Sábado, 4 de Abril de 2026
CAIUBI KUHN
05.06.2019 | 07h46 Tamanho do texto A- A+

A esquerda deu certo?

Alemanha, Dinamarca, Noruega são alguns países no mundo que adotaram modelos de esquerda

Sempre nos debates políticos surge aquela pessoa que diz, “Mas onde a esquerda deu certo?” seguido do tradicional “Vai pra Cuba”.

 

Até quero conhecer Cuba um dia, que parece ser uma ilha ótima para turismo, mas o debate sobre a esquerda é muito mais amplo do que algumas experiencias totalitárias.

 

No mundo tivemos governos totalitários de esquerda e de direita, da mesma forma temos países de esquerda e de direita que são democráticos. E neste texto irei falar de algumas das nações que possuem o DNA da esquerda em sua construção.

 

A centro esquerda, representada por partidos trabalhistas, sociais democratas e socialistas, em geral no mundo defende um modelo reformista, ou seja, transformar a sociedade através de mudanças sociais gradativas.

 

Outros grupos de esquerda defendem a chamada revolução proletária, que rompendo com o processo democrático atual.  Mas onde temos países no mundo que adotaram modelos de esquerda?  Alguns deles são a Alemanha, a Dinamarca, a Noruega, dentre outros. Mas baseado em que digo que esses países possuem uma construção de país baseada nos ideais da esquerda?

 

Ao analisarmos a estrutura de cada um desses países é possível observar várias coisas em comum, como por exemplo, todos possuem inúmeros serviços públicos prestados pelo estado. Essa informação se retrata na porcentagem de pessoas que são servidores públicos em cada país.

 

Ao analisarmos a estrutura de cada um desses países é possível observar várias coisas em comum, como por exemplo, todos possuem inúmeros serviços públicos prestados pelo estado. 

Conforme a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), na Dinamarca e Noruega 35% das pessoas são funcionários públicos, enquanto no Brasil apenas 12% das pessoas são servidores públicos. Um ponto que merece destaque é que, diferente do Brasil, nos outros países citados não existem diferenças tão grandes de salários e benefícios. Um juiz, um deputado e um professor possuem condições muito parecidas.  

 

Nestes países a quantidade de impostos pagos é maior que no Brasil, mas existe uma transparência muito grande sobre a aplicação dos recursos públicos. Mas a transparência não se resume apenas aos recursos públicos. Para evitar sonegação fiscal, na Noruega, por exemplo, todo cidadão tem acesso as informações sobre a renda de qualquer outra pessoa do país. Os Noruegueses defendem que esse tipo de medida ajuda a evitar sonegação fiscal, tornando assim todo sistema mais eficiente.

 

A Dinamarca possui um sistema de saúde e de educação de caráter universal e público. A Noruega possui uma grande estatal do petróleo, a Statoil ASA, que inclusive possui operações no Brasil. Mas outros fatores também chamam atenção: a Noruega possui um dos melhores índices de desenvolvimento humano do mundo, a igualdade de gênero é algo bem próximo da realidade e as prisões são humanizadas.

 

O país é considerado o um dos mais prósperos e democráticos do mundo. No caso da Alemanha, o país também possui inúmeras políticas públicas de segurança social, e uma grande quantidade de serviços públicos.

 

Mesmo com inúmeras empresas e serviços públicos, com políticas sociais que prezam pela igualdade, esses países também conseguiram construir um ambiente de negócio favorável, demonstrando que tamanho do Estado não possui relação direta com burocracia estatal. A quem diga que Alemanha, Dinamarca e Noruega são “liberais”.

 

Mas se ser liberal for ter educação, transporte e saúde pública, empresas estatais fortes, um serviço público amplo e de qualidade, um estado que preze pela igualdade e que apoie o desenvolvimento humano de cada cidadão, que fomente a igualdade de gênero e que defenda os direitos humanos, então tudo bem, podem implementar esse liberalismos aqui no Brasil também. Ou, do contrário, na hora de mandar o coleguinha de esquerda para fora do país diga: “Vá para Noruega” ou um “Vá para Alemanha”.

 

Caiubi Kuhn é Geólogo, especialista em Gestão Pública e mestre em Geociências pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); Doutorado em Geociências e Meio Ambiente (UNESP); Docente do Faculdade de Engenharia UFMT-VG;

 

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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COMENTÁRIOS
5 Comentário(s).

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daniela espindula de quadros  05.06.19 16h51
Primeiro Noruega, Dinamarca e demais estados Europeus, são do tamanho do Paraná, para começar a diferença do Brasil; Segundo, são países que cresceram durante anos de forma cooperada, seguindo regras do Estado; Terceiro, são populações homogêneas, com a mesma história, mesma cultura, mesmo desenvolvimento; Somente estas 3 diferenças já são um abismo para qualquer comparação com o Brasil.
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SOUZA LÚCIDO  05.06.19 15h17
SOUZA LÚCIDO, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas
Pedro  05.06.19 13h40
Artigo extremamente desprovido de conhecimento, em relação a Noruega e a Dinamarca, ambos os países enriqueceram durante anos de liberalismo, sem essa balela de esquerda, a Alemanha veio a se tornar líder da UE, após severas reformas. Apenas anos depois, vieram a se tornarem sociais-democratas, onde seus índices de crescimento/prosperidade pararam de crescer e se estagnaram. O Brasil nunca foi um país rico, muito pelo contrário, querer implementar social-democracia em um país pobre como o Brasil, vai resultar em um pais com alta dificuldade de fazer negócios e péssimos serviços públicos, assim como o bananil é.
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Lucas Batista  05.06.19 12h44
Alguns pontos para se acrescentar a esse texto , leitor faça sua reflexão: População Dinamarca : 5.258 milhões População Noruega : 5.749 milhões São Paulo (capital) 12,18 milhoes Alguns pontos que mostram que eles não são tão socialistas assim na Dinamarca: Comecemos pelo mercado de trabalho: na Dinamarca, não apenas não existe salário mínimo imposto pelo governo, como também praticamente não há nenhuma indenização por demissão (nem por demissão sem justa causa). O máximo que existe é uma indenização de seis meses de salário para quem trabalhou na mesma empresa por mais de 15 anos. Mais ainda: não há leis trabalhistas que restrinjam horas extras (empregado e patrão acordam voluntariamente as horas de trabalho), o que permite que as empresas dinamarqueses operem 24 horas por dia, 365 dias por ano. E mais: o empresário não paga absolutamente nada em termos de previdência social do empregado. Tudo fica por conta do próprio empregado (que paga 8%). Eventuais negociações coletivas entre sindicatos e empresas não demoram menos do que 30 anos para a maioria dos assuntos relevantes (como estipular um salário-base para uma categoria ou as horas de trabalho semanais). Com efeito, 25% dos trabalhadores dinamarqueses não estão cobertos por nenhum acordo coletivo, sendo livres para negociar face a face com o empresário. Em suma: a Dinamarca desfruta pleno emprego graças a um mercado de trabalho altamente liberalizado, em que os custos de contratar são baixos e os custos de demitir são quase nulos. O mercado de trabalho dinamarquês é o quinto mais desregulamentado do mundo, perdendo apenas para EUA, Hong Kong, Cingapura e Brunei. Com relação aos impostos, a Dinamarca se caracteriza por uma tremendamente agressiva tributação sobre o consumo. Há apenas uma alíquota para o imposto sobre o consumo, o IVA (Imposto sobre Valor Agregado), e essa alíquota é de 25%. O imposto sobre a eletricidade representa quase 60% do preço final do kWh (quase o triplo do da Espanha, por exemplo). E a lista de impostos especiais é interminável: sobre produtos petrolíferos, sobre o carvão, sobre o gás natural, sobre as emissões de CO2, sobre o dióxido de enxofre e sobre o dióxido de nitrogênio, sobre pratos e talheres de plástico, sobre pilhas e baterias, sobre a água, sobre o desperdício de água, sobre pneus, sobre bolsas de plástico, sobre automóveis, sobre o álcool, sobre o café, sobre o chá, sobre o sorvete, sobre o açúcar, sobre o tabaco, sobre os papeis de cigarro, sobre o jogo, sobre nozes e amêndoas, sobre seguros etc. Esse modelo de tributação pesada sobre o consumo não é exatamente uma forma de "justiça social" para com os mais pobres. Mas não pára por aí. A tributação sobre a renda, por sua vez, também não é muito solidária para com os mais pobres. Façamos uma comparação entre o Imposto de Renda de Pessoa Física da Dinamarca com o da Espanha: entre 3 mil e 19 mil euros, um dinamarquês paga 37,5% de IRPF, ao passo que um espanhol paga entre 19 e 24%. Entre 19 mil e 23 mil euros, um dinamarquês paga 43,5% de IRPF, ao passo que um espanhol paga 30%. E, a partir de 23 mil euros, um dinamarquês paga 59% de IRPF, ao passo que um espanhol paga 52%. Ou seja, é justamente nas faixas de renda mais baixa que ocorrem as maiores discrepâncias na Dinamarca. Por outro lado, no que tange ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, a Dinamarca apresenta um dos menores do mundo: a alíquota mais alta é de 22% (sendo que na Espanha é de 28%). No entanto, há inúmeras deduções que os empresários podem legalmente fazer. Quando se leva em conta essas deduções, a alíquota real cai para 7,5%, perante 20% na Espanha. [N. do E.: no Brasil, com IRPJ de 15% mais sobretaxa de 10% sobre o lucro, mais CSLL, mais PIS, e mais COFINS, a alíquota total chega a 34%.] Por fim, o sistema previdenciário dinamarquês se baseia em uma pequena previdência pública complementada por um sistema previdenciário privado. A previdência pública chega a um máximo de 17% do salário médio do cidadão (o equivalente a 4 mil euros anuais na Espanha), e o cidadão só tem acesso a ela quando chegar aos 67 anos de idade e se houver contribuído por 40 anos. [N. do E.: no Brasil, esses valores são, respectivamente, 60 e 35 para os homens e 55 e 30 para as mulheres]. Todo o resto da previdência dinamarquesa advém de fundos de pensão privados (alguns de contribuição obrigatória e outros de contribuição voluntária). Somente aquelas pessoas que comprovarem insuficiente pensão privada receberão um complemento da pensão pública, recebendo um montante que, na Espanha, seria o equivalente a 5 mil euros anuais adicionais (de modo que a previdência pública chega a um máximo de 9 mil euros anuais). Obs: so mostrar poucos pontos que agradam sua ideia torpe é tipico de movimentos esquerdistas.
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Maria  05.06.19 08h54
Amadinho... A Noruega é uma monarquia parlamentarista. Os altos impostos são revertidos em serviços de excelência. E, Erna, reeleita primeira-ministra é do partido conservador. O partido dos trabalhadores, sequer atingiu os 4% para participar do storting (parlamento norueguês). A democracia, de verdade, como é na Noruega, é um valor em si, não uma questão partidária. Tanto é assim que Erna foi reeleita e é do partido conservador, de centro direita. Beijos pra vc que não estudou história pra fazer o seu artiguinho xing ling
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