Cuiabá, Sexta-Feira, 16 de Janeiro de 2026
MARCELO PORTOCARRERO
15.01.2026 | 05h30 Tamanho do texto A- A+

A Ilusão Política

O ato de errar e a reação diante das suas consequências

Este texto é uma reflexão honesta sobre autorresponsabilidade e a diferença fundamental entre o ato de errar e a reação diante das suas consequências.

 

“A diferença entre quem erra e corrige o erro e quem erra e permanece nele é a mesma entre quem faz ‘caca’ e senta em cima e quem sabe limpar a bunda. O pior é que todo mundo percebe; basta usar um dos sentidos para notar.”

 

Várias situações sustentam esse pensamento. Entre elas, a ilusão de quem acha que consegue esconder um erro — quem faz ‘caca’ — acreditando que, ao ocultar o ato ou se recusar a admiti-lo, ele deixará de existir. No entanto, os sentidos não costumam enganar. O “mau cheiro” contamina o ambiente, afeta as relações e destrói a confiança. O erro admitido é um problema; o erro escondido é um desvio de caráter.

 

Aquele que desenvolve resiliência e humildade reconhece o erro e reage positivamente ao buscar formas de resolvê-lo, saindo da situação mais experiente. Por outro lado, quem permanece no erro fica estagnado, gastando mais energia para sustentar a farsa ou negar a realidade do que gastaria para corrigi-la.

 

Do ponto de vista social — observando o que acontece ao nosso redor — percebe-se que em qualquer grupo (familiar, profissional ou social) todos notam quando alguém está “sentado sobre o erro”. O silêncio alheio nem sempre significa ignorância; muitas vezes é apenas o tempo necessário para que o sujeito perca, aos poucos, toda a sua credibilidade. No fim das contas, a limpeza do que se fez exige coragem, pois obriga o indivíduo a encarar a própria sujeira.

 

No cenário político, essa analogia é ainda mais poderosa. O “sentar em cima” é, na maioria das vezes, uma estratégia deliberada de negação para manter o apoio do eleitorado. Quando focamos na falta de atenção ao votar, a frase atua como um alerta contra a complacência. Resumindo: errar é humano, mas persistir no erro é uma escolha. Nesse ambiente, quem não corrige o erro contamina todo o resto. E o pior: o eleitor nem sempre percebe isso de imediato.

 

Em política, o erro raramente nasce da ignorância; costuma ser uma escolha baseada em orgulho ou conveniência. Nela, “sentar em cima” representa a negação de escândalos, a manutenção de alianças espúrias e a insistência em projetos fracassados. O eleitor pode até ignorar os fatos, mas não consegue escapar das consequências: o “mau cheiro” da gestão pública no dia a dia.

 

Na brasileira, quando um representante comete um equívoco — seja por má gestão, corrupção ou incompetência — a estratégia comum não é a correção, mas a negação sistemática através de narrativas acreditando que, se ignorar o problema, o povo também o fará. O que deveria ser um erro de cálculo óbvio já que a inflação, a insegurança e o mau serviço público são sentidos por todos, infelizmente nem sempre é compreendido pelo público.

 

O eleitor que ignora esses sinais sensoriais, muitas vezes por falta de base educacional, e vota novamente em quem não corrige os próprios erros, torna-se cúmplice da estagnação. Corrigir o curso é o que separa o líder do oportunista.

 

Em qualquer situação, nenhum erro se apaga com o tempo; eles apenas se acumulam até que o ambiente se torne insuportável. “Limpar a própria bunda”, neste contexto, significa ter a humildade de mudar a rota quando ela se prova desastrosa. Quem não tem competência para reconhecer e limpar as porcarias que faz, não serve para liderar. Qualquer liderança baseada nisso não passa de uma perigosa ilusão.

 

A diferença entre o erro corrigido e o erro persistente é a mesma entre a honestidade e o cinismo.

 

Marcelo Augusto Portocarrero é engenheiro civil.

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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