Dizem que o vento muda antes mesmo das árvores perceberem. Em Mato Grosso, há um vento novo soprando — desses que não pedem licença, não batem à porta, não avisam o dono da casa. Apenas entram.
Nos corredores silenciosos do poder, ainda ecoam ordens firmes, daquelas que por muito tempo não encontraram resistência. Mas há algo diferente no ar: um murmúrio crescente, quase um sussurro coletivo, como se a sociedade tivesse cansado de ouvir e começado, enfim, a responder. Não com gritos — ainda — mas com escolhas.
Há quem diga que liderança não se impõe, se revela. E, curiosamente, é nos momentos de maior tensão que certos nomes deixam de ser apenas nomes e passam a ser símbolos. WF, para muitos, já não é apenas um candidato: é um recado. Um daqueles recados que não vêm escritos, mas são compreendidos — e, sobretudo, sentidos.
O dilema que paira sobre o antigo ocupante do trono é digno de tragédia clássica: enfrentar ou silenciar? Atacar ou recuar? Porque não se trata apenas de um adversário qualquer — trata-se de alguém que carrega consigo não só um projeto, mas uma conexão direta com uma força política que mobiliza multidões.
Há batalhas que, ao serem travadas, revelam mais sobre quem ataca do que sobre quem é atacado.
E então surge a pergunta que ninguém faz em voz alta: há coragem suficiente para esse embate?
Curioso como, em tempos recentes, tanto se falou em divisão. Direita fragmentada, discursos desencontrados, lideranças dispersas. Mas a realidade — essa velha senhora que não gosta de ser ignorada — parece apontar outra direção. Para o bem ou para o mal, há uma convergência silenciosa. E ela não se dá por decreto, mas por identificação.
Os eleitores, esses personagens muitas vezes subestimados, parecem ter feito sua escolha antes mesmo do roteiro oficial começar. Não esperaram o sinal verde. Não pediram autorização. Apenas caminharam.
E talvez seja esse o maior enigma de todos: quando o povo decide, quem realmente governa?
No fim, a democracia tem dessas ironias elegantes. Ela não grita quando muda — apenas troca de rumo. E, quando isso acontece, até os mais experientes precisam reaprender a ouvir.
Porque há momentos em que comandar já não basta.
É preciso convencer.
E nem todos ainda perceberam isso.
Joel Mesquita é sociólogo.
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