Cuiabá, Quinta-Feira, 26 de Março de 2026
GABRIEL NOVIS NEVES
07.05.2025 | 06h00 Tamanho do texto A- A+

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Quero que as minhas crônicas sejam retratos da minha biografia

Ultimamente os títulos das minhas crônicas estão tristes e, segundo o editor do blog, o conteúdo anda melancólico.

 

Isso não agrada aos leitores —nem a mim.

 

Escrevo o que sinto. E nesse processo, as palavras mudam de humor.

 

Quero explicar que há um grande mal-entendido nos meus últimos textos.

 

Tento usar frases bem-humoradas para contar situações que nem sempre alegres.

O passado nos oferece lembranças distantes, algumas marcadas por cicatrizes difíceis de esquecer

 

Ninguém gosta de ler crônicas tristes. Nem eu, que as escrevo.

 

O passado nos oferece lembranças distantes, algumas marcadas por cicatrizes difíceis de esquecer.

 

O futuro, por sua vez é sempre incerto. Nessas horas, o melhor é revisitar o passado — que conhecemos bem.

 

Não quero transformar minhas crônicas em programas de humor. Quero que sejam retratos da minha biografia — ainda que não estejam cheias de alegrias e vitórias.

 

Contar a história de um menino do interior, filho de pais com pouca instrução, o mais velho de nove irmãos, é relatar aventuras suaves como o orvalho de uma noite sem fim.

 

Falar dos riscos que corri numa cidade grande, guiado por conselhos nem sempre corretos, em busca do sonho do ensino superior — e do retorno à cidade natal.

 

Morei com desconhecidos de outros estados, dividindo quartos em pensões. Gente com formação cultural tão diferente da minha.

 

Foram momentos difíceis. Mas nunca deixei que a tristeza aparecesse nas cartas que enviava toda semana para a minha mãe.

 

Não sei como encontrava assunto para escrever a ela.

 

Hoje entendo: escrevia saudade — tema infinito.

 

Aos 17 anos, minha maior preocupação era o futuro, que se perdia no horizonte.

 

Hoje, meu futuro é tão curto que prefiro relembrar meu passado distante — cheio de acertos e, felizmente, poucos e leves enganos.

 

Se eu tivesse que começar tudo de novo, faria alguns ajustes. E seguiria em frente.

 

Será que devo escrever minha biografia em forma de crônicas e para publicá-la no blog do Bar do Bugre?

 

Será que, assim, os títulos e o conteúdo ficarão menos tristes e melancólicos?

 

Não custa tentar, não é?

 

Gabriel Novis Neves é médico e ex-reitor da UFMT

 

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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COMENTÁRIOS
2 Comentário(s).

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Jjota  07.05.25 13h54
Existe gosto para tudo. Eu mesmo gosto de melancolia. Tem dias que não. Sou apaixonado por histórias... Principalmente as cuiabanas. Tem dias que não. Gosto das suas Crônicas... tem dias...
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Neto Queiroz  07.05.25 09h48
Parabéns, Dr. Gabriel Novis Neves! Primeiro (e eterno) Magnífico Reitor da UFMT.
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