Cuiabá, Quinta-Feira, 26 de Março de 2026
EUSTÁQUIO RODRIGUES
11.04.2025 | 08h58 Tamanho do texto A- A+

Contos de um futuro Woke

Num futuro apocalíptico distante, a humanidade vive sob a ditadura Woke

Num futuro apocalíptico distante, mas não muito, a humanidade vive sob a ditadura Woke. A agenda progressista venceu com muito amor, fuzilamentos e prisões em campos de concentração. Aqueles que conseguiram se esconder ou dissimular seus princípios para não serem perseguidos, vivem os novos tempos, onde os animais agora pertencem a uma casta privilegiada.

 

Depois que a “ciência” – a mesma que declarou que não existe sexo biológico e tudo é uma construção social – descobriu que proteínas contidas em carne de gato e carne de cachorros elevavam a expectativa de vida para mais de 250 anos, tais animais ficaram mais raros e caros que diamantes. Sumiram das casas, sumiram das ruas e agora são cultivados em laboratórios caríssimos e vendidos a peso de ouro para os milionários que podem pagar e querem viver para sempre.

 

Mas o ser humano é engraçado. Não consegue viver sem um pet para tratar como gente – é a carência afetiva dissimulada. E criaram leis para obrigar todo mundo a ter um pet, agora personificados em galinhas, patos, bezerros, porcos, ovelhas, capivaras e afins. E mais: “os novos pets do milênio” são proibidos de terem a vida ceifada por qualquer motivo (principalmente para serem comidos). Para quem cometer esse crime: pena capital.

 

Depois que gatos e cachorros se tornaram quase entidades sagradas no mundo multicolorido woke, toda a sanha proselitista e populista de proteção animal se virou para proteger as galinhas, patos, porcos, etc. Nesse futuro progressista, os animais devem dormir em suítes climatizadas, com tela holográfica e câmara hiperbárica. As rações, aliás, iguarias, agora devem ser assinadas por chefs com estrela Michelin. Para quem desobedecer tais mandamentos: prisão perpétua em qualquer país capitalista opressor.

 

Os pets devem frequentar a academia duas vezes por semana, escola de idiomas (ser poliglota e falar cachorrês, gatiano, galinhense, capivariano e porquês) e tomar banho de sol e piscina todos os dias. Além disso, devem ser pegos no colo para ouvir histórias marxistas todas as manhãs. Devem, todos, ser identificados por uma medalhinha com a célebre foto de Che Guevara e dentro conter nome, tipo sanguíneo, DNA e sabor preferido de Danoninho. Além disso, as roupas dos pets devem ser as desfiladas nas Fashion Week animal. Desobedeça essa lei: pena de 40 a 80 anos em regime fechado assistindo Caldeirão com Mion e Domingão com Huck 24h por dia.

 

Se um desses pets invadir a sua casa, mesmo você já possuindo essa despesa extra, você está obrigado a imediatamente acolhê-lo e passar a cuidar dele. Não importa se você é alérgico, está desempregado ou tem criança pequena. Animal, nesse mundo woke, é prioridade e merece privilégios iguais aos do deputado que você votou. Nesse futuro distópico, os direitos humanos estão apenas em terceiro lugar, após os direitos das entidades caninas e felinas e depois dos direitos dos pets modernos. Não cumprir essa lei: exílio eterno na Venezuela.

 

Enfim. A bandeira woke saiu vencedora e agora domina esse mundo maravilhoso, moderno, progressista e comunitário, onde o carnaval dura 9 meses e tudo é relativo. Tão relativo que estão evoluindo a linha de pensamento para definir em qual escala de evolução estão os pets. Afinal, o animal é um ser humano como qualquer outro. Ou até mais.

 

Eustáquio Rodrigues Filho é servidor público e escritor. 

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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