Em 2015 a Federação Mundial da Obesidade, em inglês, “ The World Obesity Federation”, com séde Londres, no Reino Unido, diante das evidências de um aumento acelerado desta doença, em práticamente todos os países, decidiu instituir o DIA MUNDIAL DA OBESIDADE, com o objetivo de despertar tanto entre a população em geral quanto entre profissionais da saúde, gestores e autoridades governamentais, a conscientização sobre os riscos e desafios associados `a obesidade, por ser a mesma uma doença crônica multifatorial e incentivar ações práticas para prevenção e tratamento.
Para tanto os países precisam definir e implementar políticas públicas em geral, incluindo política de saúde, para o enfrentamento e superação deste grave desafio nacional.
Inicialmente a data era “celebrada” no dia 11 de Outubro, mas em 2020 a data foi oficialmente alterada para 4 de março para consolidar campanhas globais e reforçar a conscientização, fortalecer e ampliar as parcerias, incluindo a OMS – Organização Mundial da Saúde e suas agências regionais, bem como entidades nacionais emdiversos países.
No Brasil, além dos alertas e orientações gerais que ocorrem em 04 de Março, DIA MUNDIAL DA OBESIDADE, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) continua “celebrando” em 11 de Outubro o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, com os mesmos objetivos de “pautar” esta doença crônica e suas severas consequências para a saúde individual e coletiva (pública).
Inúmeras pessoas, principalmente mulheres, imaginam que a obesidade e o excesso de peso sejam apenas problemas estéticos. Outras pessoas até fazem “piadas” e defendem a idéia de que esta doença crônica não tem tanta gravidade e consequências, reduzindo o nível de conscientização coletiva em relação `a mesma ou que obesidade também e sinônimo de beleza.
Situação especial deve ser direcionada também `a obesidade gestacional, que aumenta significativamente os riscos de complicações para a mãe e o feto, incluindo diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, partos cesáreos e macrossomia e até risco de morte.
Muita gente costuma indagar: o que é obesidade e excesso de peso, quais as causas e consequências, existe prevenção e tratamento, enfim, inúmeros estudos e pesquisas demonstram uma grande falta de conhecimento sobre o assunto, contribuindo para a gravidade das consequências desta terrivel doença, atualmente afetando grandes contingentes demográficos, inclusive crianças e adolescentes, a chamada obesidade infantil ou então situações que demandam intervenção cirurgica, principalmente nos casos de obesidade mórbida.
Vamos aos conceitos ou definições.
A obesidade é uma doença crônica e multifatorial definida pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, capaz de causar prejuízos à saúde. Geralmente identificada por um Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 30 kg/m², (peso dividido pela altura ao quadrado), ela está associada a riscos elevados de diabetes, infertilidade, dificuldades sexuais, doenças cardiovasculares, apneia do sono, dificuldades de locomoção, problemas ortopédicos, cansaço frequente, dores no corpo, falta de ar, pressão alta, diveros tipos de câncer, são alguns sinais de alerta de que o peso deixou de ser apenas um problema estético para se tornar um problema sério de saúde, exigindo maiores cuidados profissionais.
Já o excesso de peso, alguns “degraus” antes da obesidade, mas que se não for levado a sério e tratado em tempo, acaba contribuindo para o surgimento da Obesidade e suas complicações.
Existe uma tabela que classifica os diferentes níveis de excesso de peso e obesidade que é utilizada pelos profissionais da saúde para dignosticar e classificar as pessoas em relação a esses problemas e prescrever o tratamento.
Assim, o excesso de peso é o acúmulo anormal ou excessivo de gordura corporal que representa um risco à saúde, diagnosticado principalmente pelo Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 25kg/m2 normal; (IMC) acima de 25 a 29,9 kg/m2 excesso/sobre peso, e, acima deste limite até 39.9 a pessoa já é dignosticada como obesa e acima de 40,0 é obesidade mórbida, neste caso requerendo uma maior atenção profissional para diagnóstico e tratamento incluindo `as vezes cirurgia bariátrica.
O tema do DIA MUNDIAL DA OBESIDADE em 2026 demonstra tanto a gravidade da desta doença quanto a necessidade do despertar da consciência geral em torno da mesma. O tema do Dia Mundial da Obesidade em 2026 é “Oito bilhões de razões para agir na luta contra a obesidade”, indicando a necessidade de um amplo processo reflexão, diálogo e debates, visando a conscientização, em todos os países e no mundo todo, única forma de reduzirmos os impactos desta doença na saúde coletiva, conforme tem enfatizado a Fedração Internacionalda Obesidade e a Organização Mundial da Saude e suas representações e organizações parceiras em todos os países, inclusive no Brasil.
Para evidenciar a gravidade da obesidade e do excesso de peso, como problemas de saúde pública e não apenas como algo apenas estético e individualizado, basta refletirmos sobre as estatísticas desta doença.
Em 2025 o número estimado de pessoas acometidas, vivendo ou sobrevivendo com obesidade e excesso de peso no mundo era de pouco mais de UM BILHÃO e inúmeros estudos tanto por parte da OMS e da Federação Mundial de Obesidade e outras entidades nacionais, estima-se que em 2035 o contingente de pessoas com obesidade e excesso de peso deverá ser de aproximadamente quatro bilhões de pessoas, ou seja, 45,5% da população Mundial.
Esses mesmos esstudos e o Atlas da Obesidade e dados do IBGE e da FIOCRUZ tem indicado que o Brasil já é o quarto país em número de pessoas obesas e com excesso de peso.
Em 2021 em torno de 15% da população adulta brasileira foi classificada como sofrendo de obsesidade ou com excesso de peso, aproximadamente 30 milhões de pessoas e, segundo a Fiocruz em 2030 um terço da população brasileira estará nesta condição e em 2044 poderá atingir 83 milhões de pessoas com obesidade em nosso país ou seja 59% da população adulta. Diante desses números podemos imaginar os impactos da obesidade na saúde pública em nosso país.
Para se ter uma idéia da gravidade da obesidade, relatos bem recentes indicam que, anualmente esta mesma doença causa a morte de aproximadamente 2,2 milhões de pessoas s ao redor do mundo, em uma década são mais de 22 milhões de vidas ceifadas em decorrência desta doença, impacto maior do que a pandemia da convid19.
Além dessas mortes e sofrimento, os custos financeiros e econômicos associados `a obesidade no mundo são superiores a 1,7 trilhões de dólares anualmente e os custos indiretos com aposentadorias precoces, faltas ao trabalho , medicações, cuidados paliativos este valor pode ser o dobro, ou seja, mais de 3,5 trilhões de dólares anualmente.
Diante desta realidade o DIA MUNDIAL DA OBESIDADE e todo o mes de Março de cada ano, deveriam servir de um alerta para que as pessoas mudassem de hábitos alimentares prejudiciais que contribuem para o surgimento e desenvolvimento da obesidade, que o sedentarismo também seja combatido, buscando estimular mais os exercícios físicos e, tambem, que as pessoas procurem, de forma rotineira, diagnosticar precocemente, preventivamente todas as causas que contribuem para o surgimento da obesidade, incluindo causas genéticas, hormonais e psicológicas.
Gostaria de enfatizar que em relatórios recentes sobre o Dia Mundial da Obesidade (4 de março), a OMS e seu diretor-geral, Tedros Adhanom, destacam que a obesidade é uma doença crônica e que "1 em cada 8 pessoas no mundo vive com obesidade". A organização enfatiza a necessidade de "mudança de sistemas de vidas mais saudáveis".
A Organização Pan Americana de Saúde (OPAS), aponta algumas Mensagens-chave neste despertar coletivo, incluindo: a) Reconhecimento da Epidemia: Com base em dados de 2024, a OMS alerta para o aumento global, com mais de um bilhão de pessoas obesas no mundo; b) Foco em Prevenção e tratamento precoce.
A OMS enfatiza que a obesidade é uma doença e apela a ações urgentes de governos, como melhorar a nutrição e promover a atividade física desde a infância. Mas o ue de fato estamos precisando é de uma Ação Conjunta, cujo foco é mudar as políticas públicas para criar ambientes mais saudáveis e receptivos ao enfrentamento da obesidade e excesso de peso persistentes na população brasileira.
O tema "Mudando Perspectivas" já foi e tem sido utilizado para incentivar uma abordagem baseada em evidências científicas, superando o senso comum que minimiza a gravidade desta doença, favorecendo també empatia e conscientização sobre as causas multifatoriais e as graves connseuencias desta doença crânica, um dos maiores desafios da saúde pública em nosso país.
Juacy da Silva é professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso.
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