Cuiabá, Segunda-Feira, 2 de Março de 2026
GIOVANA FORTUNATO
02.03.2026 | 08h15 Tamanho do texto A- A+

Endometriose e infertilidade

Março Amarelo é o mês dedicado à conscientização sobre a endometriose

Março Amarelo é o mês dedicado à conscientização sobre a endometriose, uma condição ginecológica que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva e que, muitas vezes, está associada à dificuldade para engravidar.

Mas afinal, qual é a real relação entre endometriose e infertilidade?

A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, que normalmente reveste a parte interna do útero, cresce fora da cavidade uterina, podendo atingir ovários, trompas, ligamentos uterinos, intestino e outras estruturas da pelve. Esse tecido responde aos estímulos hormonais do ciclo menstrual, o que pode gerar inflamação, dor e formação de aderências.

Quando falamos em fertilidade, é importante entender que a gravidez depende de uma sequência delicada de eventos: ovulação adequada, trompas funcionantes, ambiente pélvico favorável e embrião saudável. A endometriose pode interferir em diferentes etapas desse processo.

Em casos mais avançados, a doença pode causar alterações anatômicas, como obstrução das trompas ou distorção da anatomia pélvica por aderências. Já em quadros leves ou moderados, mesmo quando não há obstrução evidente, o ambiente inflamatório provocado pela endometriose pode impactar a qualidade dos óvulos, a fecundação e a implantação do embrião.

Estima-se que uma parcela significativa das mulheres com infertilidade tenha diagnóstico de endometriose. Por outro lado, é importante destacar que nem toda mulher com endometriose terá dificuldade para engravidar. Muitas conseguem gestação espontânea, especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente e o acompanhamento é adequado.

O ponto central está na individualização do tratamento. A abordagem pode variar desde controle clínico da doença até indicação cirúrgica ou técnicas de reprodução assistida, dependendo da idade da paciente, do tempo de tentativa para engravidar, do grau da doença e de outros fatores associados.

Por isso, dor intensa durante o período menstrual não deve ser normalizada. Sintomas como cólicas incapacitantes, dor durante a relação, dor pélvica crônica e dificuldade para engravidar merecem investigação especializada.

Março Amarelo reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico adequado. Quanto antes a endometriose é identificada, maiores são as possibilidades de preservar a fertilidade e melhorar a qualidade de vida da mulher.

Informação é ferramenta de cuidado. Escutar o próprio corpo também.
 
Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade.

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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