Cuiabá, Domingo, 1 de Março de 2026
MICHELLY RALDI
01.03.2026 | 05h30 Tamanho do texto A- A+

O diagnóstico é urgente

A sobrevivência financeira das clínicas na nova era tributária

 Assim como um diagnóstico é fundamental para o sucesso em um tratamento, a antecipação às mudanças fiscais tornou-se a medida vital para a saúde financeira de qualquer clínica médica em 2026. A Reforma Tributária, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, não é mais uma "ameaça distante"; ela já está batendo à porta, e o recado é claro: A carga tributária para o segmento médico vai aumentar.

 

Para as clínicas que buscam fôlego antes da transição total, o momento de agir é agora

Se hoje a maioria das clínicas no Lucro Presumido opera com uma carga total entre 13% e 16%, o novo cenário desenha um horizonte mais árduo. Com a chegada do IBS e da CBS, a alíquota padrão orbitará os 27,5%. Embora o setor de saúde tenha conquistado uma redução de 60%, a alíquota efetiva incidirá sobre uma base muito próxima do faturamento bruto. Como a folha de pagamento e o pró-labore não geram créditos no sistema não cumulativo, o impacto real será um aumento significativo de custos.

 

A JANELA DE OPORTUNIDADE: ISSQN FIXO E EQUIPARAÇÃO HOSPITALAR

 

Para as clínicas que buscam fôlego antes da transição total, o momento de agir é agora. Atualmente, existem dois pilares de economia para empresas no Lucro Presumido que precisam ser explorados com urgência:

 

* ISSQN Fixo: Este é, talvez, o ponto de maior atenção. O ISSQN Fixo permite que sociedades uniprofissionais paguem o imposto municipal de forma fixa por profissional, e não sobre o faturamento. Mas atenção, com a substituição do ISS pelo IBS, este benefício tem data para acabar. Clínicas que ainda não utilizam esse modelo estão perdendo uma redução tributária importante e precisam revisar sua estrutura imediatamente para aproveitar os últimos anos dessa vantagem.

 

* Equiparação Hospitalar: Um benefício consolidado que permite a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL para clínicas que realizam procedimentos de natureza hospitalar. Em um cenário de aumento de impostos sobre o consumo, reduzir a carga sobre a renda é fundamental para equilibrar o caixa.

 

A mudança trazida pela Reforma tributária não é apenas no valor do imposto, mas no fluxo operacional. A partir de 2027, o sistema de Split Payment fará com que o imposto seja retido automaticamente no momento do pagamento pelo paciente ou convênio. Aquele intervalo financeiro entre receber o valor bruto e pagar o tributo no mês seguinte, que muitas clínicas usam como capital de giro deixará de existir.

 

Além disso, as clínicas ainda possuem outra preocupação tributária, que além dos impostos que incidem na prestação dos serviços, há também a tributação dos “Super Ricos”, a mudança para os sócios de clínicas médicas reside na perda da isenção total sobre os lucros distribuídos, com a vigência da Lei nº 15.270/2025, o foco agora não é apenas o faturamento da empresa, mas o "Imposto de Renda Mínimo" sobre os ganhos globais do sócio.

 

Retenção Mensal (IRRF) nas distribuições de lucros que ultrapassarem R$ 50 mil por mês (da mesma empresa para o mesmo CPF) passam a sofrer retenção de 10% de Imposto de Renda na Fonte.

 

Assim, surge o Imposto de Renda Mínimo (anual) para quem possui rendimentos globais (soma de salários, pró-labore e dividendos) superiores a R$ 600 mil por ano, sobre os quais aplica-se uma alíquota mínima progressiva. Logo, se a soma dos seus rendimentos totais superar R$ 1,2 milhão/ano, a tributação efetiva mínima será de 10%, independentemente de o lucro ser considerado "isento" pela legislação anterior.

 

Por isso, o planejamento tributário estratégico em 2026 é o que garantirá a sustentabilidade do seu negócio. É o ano de realizar o diagnóstico tributário, mapear créditos de fornecedores e, acima de tudo, adotar os benefícios vigentes enquanto ainda é possível.

 

Na medicina, a prevenção é o melhor remédio. No mundo empresarial, o planejamento é o que evita o colapso do caixa. Não espere a transição se completar para descobrir que sua clínica poderia ter economizado o suficiente para atravessar essa reforma com segurança.

 

Michelly Raldi é advogada especialista em direito tributário. 

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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