Cuiabá, Sexta-Feira, 20 de Fevereiro de 2026
CAIUBI KUHN
20.02.2026 | 05h30 Tamanho do texto A- A+

Faltam trabalhadores ou falta política pública?

Autoridades de MT dizem não encontrar mão de obra para diversos setores

Nos últimos anos, várias declarações de autoridades do estado de Mato Grosso afirmaram que não estavam conseguindo encontrar mão de obra para diversos setores, como a área da construção civil e os serviços urbanos. Esse problema tem sua origem em três fatores: a falta de pessoal qualificado, a baixa remuneração paga e a elevada demanda devido à economia aquecida.

 

Conforme o Censo 2022, no Brasil, quando analisado o nível de instrução da população com 25 anos ou mais, 35,2% não tinham instrução ou não haviam concluído o ensino fundamental; 14,0% haviam terminado o ensino fundamental, mas não concluíram o ensino médio; 32,2% haviam concluído o ensino médio completo ou tinham ensino superior incompleto; e 18,4% haviam concluído o ensino superior. Embora os dados no Brasil tenham melhorado, é fato que os números demonstram que o país ainda vive um sério problema estrutural em relação à educação.

 

Conforme dados do governo do estado de Mato Grosso, disponíveis no portal Dados MT, no terceiro trimestre de 2025, a renda média de um empregado no estado era de R$ 3.346,00, enquanto a de um autônomo era de R$ 3.542,00, e a renda média de um empregador era de R$ 9.034,00. Já a taxa de desemprego era de 2,33%. Conforme dados da PNAD Contínua divulgados em 2024, a taxa de informalidade em Mato Grosso foi de 35,3%, abaixo da média nacional, que estava em 38,8%.

 

Mato Grosso, há mais de três décadas, tem apresentado um crescimento econômico muito acima da média nacional, sendo o estado brasileiro que mais cresceu nesse período. Os dados sociais de Mato Grosso acompanham os dados econômicos e apresentam números melhores que os nacionais; porém, em 2024, mesmo assim, 13,3% da população de Mato Grosso, ou seja, cerca de 484 mil pessoas, continuavam vivendo abaixo da linha da pobreza.

 

A falta de mão de obra de que tanto algumas autoridades reclamam é um reflexo direto de uma política de qualificação inadequada e de remunerações ruins para algumas funções.

 

O Estado precisa investir no desenvolvimento de cursos nas mais diversas áreas, visando dar oportunidades à parcela da população que necessita de apoio para se qualificar. O desenvolvimento de qualificações alinhadas com as demandas dos setores público e privado do estado permite melhorar a produtividade e aumentar a renda da população. Para tornar as vagas mais atrativas, é preciso também que as remunerações oferecidas sejam melhores.

 

É compreensível quando um empresário reclama da dificuldade de encontrar funcionário qualificado, mas, quando se trata de um político, o que se espera não é uma reclamação, mas sim o desenho de políticas públicas que possam solucionar o problema. Nesse caso, trata-se da elaboração de políticas públicas que envolvam oportunidades de qualificação e o pagamento de melhores remunerações. O crescimento do estado de Mato Grosso precisa chegar a todos, em especial aqueles que precisam de educação, qualificação, trabalho e renda digna.

 

Caiubi Kuhn é geólogo, Doutor professor da Faculdade de Engenharia da UFMT e presidente da Federação Brasileira de Geólogos (FEBRAGEO).

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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