Cuiabá, Quinta-Feira, 26 de Março de 2026
LUIZ HUGO QUEIROZ
22.04.2025 | 08h35 Tamanho do texto A- A+

Inteligência artificial

IA deixou de ser promessa para se tornar agente transformador das linguagens

Vivemos uma era de transição intensa. As fronteiras entre o real e o virtual, o artesanal e o automatizado, o criador e o algoritmo estão cada vez mais tênues.

 

Não é sobre negar a tecnologia, mas sobre dar a ela profundidade e ética

A Inteligência Artificial deixou de ser uma promessa distante para se tornar agente transformador das linguagens visuais, da arquitetura, do urbanismo e da comunicação. No centro dessa transformação está o design — e a maneira como ele evolui, se conecta e dá forma ao mundo.

 

Não por acaso, o tema da Semana de Design de Milão 2025 é “Mondi Connessi” (Mundos Conectados). O evento mais influente do setor nos convida a pensar o design não como resposta final, mas como linguagem viva, que tece pontes entre tempo, cultura, natureza, tecnologia e afeto. Em Milão, ficou evidente que estamos passando por um momento de virada: o design não é mais apenas um exercício de forma — é um instrumento de reconexão. E isso se reflete diretamente na forma como escolhemos morar, criar, viver.

 

No mercado criativo, essas mudanças são ainda mais sensíveis. Arquitetos, artistas, designers e comunicadores já operam em um novo território, onde dados e algoritmos dividem espaço com intuição e repertório cultural. A IA está presente nos softwares que projetam, nos assistentes que desenham, nas plataformas que escrevem — mas ainda não substitui aquilo que nos diferencia: a capacidade de sentir, interpretar, atribuir sentido. E, sobretudo, de conectar mundos.

 

O futuro das profissões criativas está justamente nessa curadoria de sentido. Em um tempo em que tudo tende ao genérico, ao rápido e ao automatizado, o pensamento autoral se torna resistência. Não é sobre negar a tecnologia, mas sobre dar a ela profundidade e ética. Um renderizado bonito não sustenta uma ideia pobre. Uma estética impecável não compensa uma ausência de propósito.

 

Eventos como a CASACOR, nesse contexto, não são apenas vitrines de tendências. São palcos para provocar reflexões sobre o nosso tempo. Lugares onde o design encontra o pensamento, e a arquitetura encontra a espiritualidade do morar. Cada ambiente é um manifesto silencioso — sobre quem somos, o que queremos preservar, e como desejamos nos conectar com o outro e com o mundo.

 

Mondi Connessi não é apenas um tema de feira. É um alerta sobre o que nos espera como criadores e cidadãos: reconectar tempo e espaço, forma e alma, estética e ética. E nesse movimento, talvez o maior papel do design seja nos lembrar que ainda somos humanos. E que é esse traço — imperfeito, simbólico, sensível — que nos torna insubstituíveis.

 

Luiz Hugo Queiroz é jornalista, especialista em Marketing Político.

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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