Quem ainda acredita que a juventude está afastada da política está olhando para o lugar errado. A Geração Z não abandonou o debate público, ela apenas mudou a forma de se expressar, de protestar e de se engajar.
O que observo nas análises mais recentes e nas campanhas em que atuo é que os jovens não respondem mais ao discurso tradicional.
Hoje, a mobilização jovem acontece em rede, em ondas rápidas, conectada a causas concretas como emprego, acesso a direitos, educação e futuro econômico. Ignorar esse movimento não é apenas um erro de comunicação, é uma falha estratégica grave para quem pretende disputar as eleições que se aproximam.
O que observo nas análises mais recentes e nas campanhas em que atuo é que os jovens não respondem mais ao discurso tradicional. Eles se mobilizam por identificação, por causa e por coerência. Não seguem estruturas rígidas, não se engajam por obrigação partidária e rejeitam narrativas genéricas.
Eles entram no debate quando se sentem representados, quando percebem verdade e quando entendem que sua participação gera impacto real. É exatamente aí que muitas campanhas perdem essa geração antes mesmo de tentar dialogar.
Uma pesquisa recente da Fundação Friedrich Ebert (FES Brasil) mostrou que 55% dos jovens brasileiros acreditam que o Estado deve assegurar políticas de emprego, e que 61% apontam pobreza, desemprego e falta de acesso a direitos como as maiores preocupações da sua geração.
Esses dados revelam não apenas prioridades objetivas, mas um terreno fértil para quem souber construir conexão verdadeira. A mesma pesquisa mostrou ainda que as redes sociais são o principal canal de informação diária para a maioria dos jovens, o que reforça a necessidade de se posicionar com linguagem adaptada para esses ambientes.
Esse entendimento foi decisivo em um trabalho que conduzi em Goiás, com o objetivo de aproximar a juventude da política institucional. Começamos analisando os comportamentos digitais e as preocupações manifestadas pelos jovens nos principais canais — Instagram, TikTok, YouTube e grupos de WhatsApp. Identificamos que temas como emprego, participação ativa e futuro profissional eram não apenas mencionados, mas compartilhados com intensidade e debate entre os próprios jovens.
Estruturamos uma mobilização digital com linguagem direta, formatos nativos (vídeos curtos, lives interativas, respostas nos comentários com áudio e texto) e conteúdos que conectavam essas pautas à atuação política local. A cada postagem, buscamos não apenas informar, mas convidar o jovem a interagir, opinar e participar.
Ao longo de semanas, isso se traduziu em aumento expressivo de menções positivas, amplificação de narrativas nos algoritmos, engajamento espontâneo e participação crescente nos eventos presenciais promovidos pela campanha. A política deixou de ser percebida como discurso distante e passou a ser vista como espaço de voz, construção coletiva e protagonismo jovem.
A Geração Z não quer ser plateia de campanha, quer ser parte dela. E isso exige uma mudança profunda na forma como a mobilização é pensada. Não se trata de viralizar por viralizar, mas de criar espaços de participação, escuta e pertencimento. Quando a campanha entende isso, o jovem deixa de ser um público difícil e passa a ser um ativo estratégico poderoso, capaz de amplificar mensagens, pautar discussões e influenciar outros segmentos do eleitorado.
O tempo é um fator decisivo nesse processo. Jovens não se conectam com campanhas que aparecem apenas no período eleitoral. Eles observam trajetória, coerência e constância. Quem começa agora constrói reputação, confiança e território. Quem deixa para depois tenta disputar atenção com quem já ocupa esse espaço há meses. Em 2026, essa diferença será determinante para quem quer crescer, especialmente em cenários competitivos.
Mobilizar a juventude não é tendência, é exigência do novo ciclo político. E fazer isso de forma estratégica exige leitura de comportamento, domínio de linguagem, entendimento de plataforma e, principalmente, sensibilidade para transformar causa em movimento. É isso que separa campanhas que tentam falar com a Geração Z daquelas que realmente conseguem caminhar junto com ela.
Se você pretende disputar as próximas eleições e ainda não iniciou um trabalho estruturado de aproximação com a juventude, o sinal de alerta já está aceso. A campanha que entende essa geração agora entra mais forte no jogo que está por vir.
Rafael Medeiros é estrategista de marketing político e mobilização digital