Cuiabá, Sábado, 4 de Abril de 2026
MARCELO PORTOCARRERO
03.07.2023 | 08h36 Tamanho do texto A- A+

Mentiras sinceras não interessam

Mentiras não deveriam interessar nem ser toleradas por um Congresso Nacional

Diferentemente do saudoso Cazuza hoje vivemos momentos de intensa ansiedade só que em outro sentido, outra grandeza, ansiedade esta equivalente ao tamanho do nosso país.

 

Recentemente, um amigo falou sobre o mau estado psíquico de determinado político, com o que concordo, no entanto, entendo que essa sensação é comum a muitos, talvez à maioria dos brasileiros, mesmo que em intensidades deferentes.

 

Eu, por exemplo, não nego minha ansiedade, até porque a vejo em muitos dos com quem convivo, nas conversas que participo, nos trocas de mensagens via WhatsApp, Facebook e nos demais meios de comunicação que existem por aí, em especial aqueles que considero responsáveis por grande parte do mal-estar geral existente. Aliás, como a maioria das pessoas que conheço.

 

Por causa disso, considero que mentiras sinceras não interessam. Mentiras que bem mostram até que ponto a desonra, a imoralidade, a falta de caráter e tantas outras péssimas características existentes nos que apoiaram e ajudaram a tomada do governo na eleição presidencial do ano passado.

Mentiras, tais como:

 

– É um absurdo aumentar o preço dos combustíveis se somos auto-suficientes;

 

– Vamos fazer investimento para que a economia volte a funcionar e gerar empregos, quando nos seis meses desse desgoverno os índices oficiais mostram exatamente o contrário;

 

– Geraldo Alkmin (eleito vice-presidente) foi contra o impeachment de Dilma;

 

– No Brasil tem 30 milhões de crianças de rua – a gente ia inventando números – , Jaime Lerner que o diga;

 

– Quem votar nulo não terá direito de reclamar;

 

– No meu governo o povo vai voltar a comer picanha e tomar uma cervejinha nos finais de semana;

 

– Nos tiramos 36 milhões de pessoas da miséria absoluta e acabamos com a fome nesse pais, quando de acordo com o IPEA, em 2002, havia 14,2 milhões de pessoas nessas condições;

 

– Em nossos governos (passados) criamos 22 milhões de empregos com carteiras assinadas. Na verdade foram 15,4 milhões, ou seja, 6,6 milhões de pessoas fizeram parte dessa mentira;

 

– A Lava Jato causou a perda de 4,4 milhões de empregos;

 

– O conceito de democracia é relativo;

 

– Tem mais eleições na Venezuela que no Brasil.

 

Em suma, mentiras sinceras não deveriam interessar nem ser toleradas por um Congresso Nacional eleito pelo povo exatamente para defendê-lo das eventuais tramoias engendradas contra si por outros poderes da República, muito menos para as forças armadas, considerando que estas ainda se destinam à defesa da pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem (sic).

 

Mentiras sinceras não interessam a quem defende o livre-arbítrio, como também não deveriam interessar às instituições que distinguem o bem do mal, são livres e de bons costumes.

 

Marcelo Augusto Portocarrero é engenheiro civil.

 

 

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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