O caso do cachorro Orelha, brutalmente vítima de maus-tratos, provocou comoção nacional. Protestos, manifestações nas redes sociais e uma enxurrada de pedidos por justiça. O país pareceu concordar em algo essencial: a violência contra animais não pode ser normalizada. Mas, passado o choque, fica a pergunta: o que muda depois da indignação?
O caso Orelha não é um episódio isolado. Ele apenas rompeu a bolha do silêncio que envolve milhares de situações semelhantes, muitas das quais jamais chegam à mídia ou aos tribunais. A diferença é que, desta vez, a sociedade olhou e se revoltou.
O Brasil possui legislação de proteção animal, mas, na prática, ainda estamos longe de um efeito concreto. Grande parte dos casos termina em penas alternativas, acordos judiciais ou processos que se arrastam até cair no esquecimento. A sensação de impunidade permanece. E quando a punição é frágil ou rara, a violência encontra espaço para se repetir.
Endurecer as leis de proteção animal não é exagero, nem pauta menor. É um debate que atravessa saúde pública, educação, segurança e ética social. A violência contra animais frequentemente está ligada a outros comportamentos violentos. Ignorá-la é ignorar um sintoma grave de desequilíbrio social. Os poderes Executivo e Legislativo precisam compreender que essa é uma pauta com respaldo popular real e urgente.
A mobilização espontânea, o sentimento coletivo de injustiça e a pressão social deixam claro que se trata de um tema que merece ser escutado e transformado em ação política concreta.
Se esse clamor popular não for suficiente para gerar mudança, fica a pergunta sobre o papel de quem representa a sociedade. Leis mais firmes não são radicalismo, são respostas. E, diante de um tema que une indignação, empatia e vontade popular, agir não é opção, é obrigação.
Bruno Moreira é publicitário e gestor de marketing.
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