Cuiabá, Quinta-Feira, 26 de Março de 2026
REGIANE FREIRE
25.01.2025 | 05h30 Tamanho do texto A- A+

O dia que passei a seguir o Instagram de JD Vance

O que a Meta fez nos três primeiros dias da posse de Trump foi manipulação

Na última semana, a Meta, dona do Instagram e do Facebook, anunciou que descontinuaria o sistema de checagem de fatos nos EUA. Para quem achava que as redes sociais eram um lugar para promover a verdade, a notícia soou como um sinal de alerta. No mesmo dia da posse de Donald Trump, Mark Zuckerberg foi visto ao lado do presidente, como parte da elite das redes sociais. E foi justamente no terceiro dia após a posse que algo peculiar aconteceu: percebi que estava seguindo a página de JD Vance, o vice-presidente de Trump.

 

Ao investigar, notei que muitas pessoas com as quais interajo, que não compartilham os ideais políticos norte-americanos, também estavam seguindo o perfil de Vance.

 

Acontece que eu nunca fiz isso. Aliás, até então, sequer sabia quem ele era. Como meu perfil foi parar na lista de seguidores de um político tão polarizador? A explicação vem com o anúncio da Meta de que as checagens de fatos seriam retiradas. Isso significa que, em nome da “liberdade de expressão”, agora tudo pode: desde permitir que contas sejam manipuladas até dar mais visibilidade a figuras políticas como JD Vance, sem que o usuário tenha dado consentimento.

 

O que a Meta fez nos três primeiros dias da posse de Trump foi uma forma de manipulação, com a clara intenção de aumentar artificialmente o número de seguidores e dar uma sensação de popularidade ao político. Isso não é apenas uma violação da privacidade, mas uma ação potencialmente ilegal. E o mais assustador é que, com a retirada das regulamentações, quem poderá deter esse poder?

 

Essa alteração nas regras parece legitimar a invasão da privacidade, algo ainda mais grave considerando a proximidade da Meta com figuras políticas, como Donald Trump. A Meta parece estar se associando a um projeto que usa suas ferramentas para influenciar o mundo em favor de certos interesses, o que é preocupante para a soberania das nações.

 

Estamos diante de uma nova era de insegurança digital, onde as redes sociais, longe de serem neutras, se tornam instrumentos de manipulação política. Talvez a única forma de nos proteger seja saindo dessas plataformas ou migrando para redes que ofereçam mais “segurança”. A regulamentação das big techs no Brasil é uma necessidade urgente, se quisermos garantir que as gigantes da tecnologia não abusem de seu poder.

 

Regiane Freire é advogada.

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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