Cuiabá, Sexta-Feira, 3 de Abril de 2026
SÉRGIO CINTRA
05.02.2026 | 05h30 Tamanho do texto A- A+

O eleitor devorado em Mato Grosso

Medo dos menos favorecidos falam mais alto que programas sociais

O pensador uruguaio, Eduardo Galeano (1940 – 2015), em “Las Palabras Andantes” (1994) instiga-nos a pensar sobre os processos eleitorais “democráticos”: “A liberdade de eleições permite que você escolha o molho com o qual será devorado. (tradução livre)”, ou seja, é uma crítica à cultura latino-americana de reproduzir condições estruturais e alienantes pelas quais passa o eleitorado das denominadas democracias burguesas. E Mato Grosso não foge à regra, infelizmente.

 

A população mato-grossense, segundo o IBGE, é de 3.893.659 pessoas, das quais 2,54 milhões de eleitores estão aptos a votar no estado; inclusive, aproximadamente, 51% são mulheres; outro dado importante para a composição de cenários político-eleitorais são os níveis de escolaridade e  quantidade de pessoas assistidas por programas de politicas públicas como CadÚnico: no quesito escolaridade, 53,23% possuem o ensino fundamental incompleto; 15% o fundamental completo; 30% terminaram o ensino médio e apenas 8% têm nível superior e, aproximadamente, 2% não são alfabetizados.

 

Os inscritos no CadÚnico somam 1,1 milhão de pessoas, representando, algo em torno de 44% do eleitorado mato-grossense. Além desses indicadores, outro essencial para se construir discursos e propostas é a distribuição do eleitorado por faixa etária: o nosso eleitorado, em números aproximados, está assim distribuído: com 16 e 17 anos, portanto, voto facultativo, são 65 mil eleitores; entre 18 e 24 anos, mais 380 mil aptos para ir às urnas; entre 25 e 34 anos, outros 520 mil; entre 35 e 44 anos, 540 mil; entre 45 e 59 anos, mais 670 mil, entre 60 e 69 anos, uns 260 mil e com mais de 70 anos, algo próximo de 330 mil eleitores que não são obrigados a votar.

 

Em 2022, apesar na maioria do eleitorado estar, de alguma forma, ligada a algum programa de redistribuição de renda e de assistência social, o Bolsonaro teve 65,08% dos votos e Lula apenas 34,92%. Quais fatores poderiam explicar esse fenômeno?

 

São fatores econômicos (agronegócio), culturais (evangélicos, católicos conservadores e pautas que privilegiam minorias) e ideológicos (a mistificação Direita x Esquerda). Assim, o medo dos menos favorecidos “ameaçados” pelo capital, a difusão de Fake News e o “comunismo” falam mais alto que programas sociais que promovem inclusões. Não foi ao léu que Darcy Ribeiro vaticinou: “A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto.” Projeto que continua a disseminar mentira, medo e ignorância entre os mais aviltados social e historicamente.

 

Sérgio Cintra é professor de Linguagens e está servidor do TCE-MT.

 

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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Marcelo  05.02.26 17h42
Eu fico impressionado com a capacidade de um esquerdista querer distorcer os fatos em favor de sua narrativa porca. Temos praticamente quarenta por cento da população brasileira dependendo de migalhas – embora uns dependam realmente e necessitem de ajuda – mas sabe-se que grande parte destes depende da esmola governamental pq é conveniente. Fica mais fácil fazer um bico e complementar a renda com a 'ajuda', só que este modelo não se sustenta: estamos criando uma classe de encostados, tudo isso em função de um projeto de perpetuação no poder. Infelizmente, estamos há mais de 20 anos parados no tempo. É só avaliar o crescimento do Brasil e comparar com os demais países, não só no campo econômico, mas também nos indicadores de educação (dos quais, supostamente, o cidadão acima deveria ter conhecimento) e qualidade de vida.
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