Cuiabá, Quinta-Feira, 26 de Março de 2026
GABRIEL HENRIQUE PEREIRA
14.05.2025 | 05h30 Tamanho do texto A- A+

O estigma da psicoterapia

Ela tem sido cada vez mais procurada como recurso de cuidado em saúde mental

A psicoterapia tem sido cada vez mais procurada como ferramenta e recurso de cuidado em saúde mental. São inúmeros os motivos pelos quais pacientes ou seus familiares buscam profissionais para serem atendidos por profissionais psicólogas ou até mesmo por outros profissionais, como médicas.

 

Processos de luto, rupturas abruptas ou processos de adaptação, sofrimento psíquico intenso que desenvolve quadro de depressão ou ansiedade e problemas de aprendizagem são alguns motivos pelos quais psicólogas são procuradas.

 

Embora essa procura por profissionais qualificados tem aumentado significativamente, ainda existe uma resistência de pacientes e até mesmo por parte de familiares, de reconhecer um processo de sofrimento que desencadeie um adoecimento que demande a intervenção de um profissional, especialmente quando a situação demanda intervenção farmacológica ou medicamentosa.

 

Essa resistência de familiares e pacientes tem um motivo: o estigma da loucura. Imediatamente quando a suposição de que alguém está num processo de sofrimento que demande um profissional acontece, a associação que se faz é com a loucura. E essa resistência provocada pela suposição se deve exatamente pelo fato de que a loucura a ela associada historicamente foi colocada numa posição de exclusão, segregação e até mesmo demonização. Na Idade Média, sob a interferência da Igreja, a loucura era demonizada e o tratamento destinado aos “loucos” era de marginalização e isolamento social. Isso explica porque o tratamento psiquiátrico no Brasil, antes da Reforma Psiquiátrica, tinha um modelo higienista e excludente.

 

A psicoterapia tem sido cada vez mais procurada como ferramenta e recurso de cuidado em saúde mental

Ainda que tenhamos avançado no reconhecimento de que é importante o cuidado em saúde mental e, portanto, não é preciso ter um quadro de transtorno de personalidade ou uma condição de saúde mental crônica para buscar uma psicóloga, são inúmeros desafios para uma sociedade adoecida por sobrecarga de trabalho, pelo impacto da violência no contexto doméstico e até mesmo pelo adoecimento causado por problemas ambientais.

 

A sociedade urbana progride cada vez mais e os problemas sociais estruturais acompanham esse avanço, produzindo estruturas sociais que desencadeiam processos de sofrimento. Além do mais, a vida quotidiana é marcada por inúmeros eventos da vida que exigem recalcular a rota e ressignificar os projetos de vida. Seja qual for a situação, muitos são os exemplos de eventos da vida que gerem impacto na saúde mental das pessoas.

 

E se há evento que leve ao sofrimento intenso, por que é preciso passar por ele de forma isolada? É claro que existem muitos recursos com potência de vida para enfrentar as adversidades, porém é preciso dizer que a psicoterapia é um processo terapêutico que possui ferramentas, técnicas e, acima de tudo, matrizes epistemológicas, os quais o profissional utilizará para inicialmente desenvolver um processo de avaliação seguro, fidedigno e ético.

 

Além do mais, por falar em ética, diferente de qualquer outro recurso que dispomos na sociedade, a psicoterapia, especialmente quando realizada por profissional habilitado, como no caso das psicólogas, tem como garantia a confidencialidade ou sigilo profissional. Isso porque em caso de quebra do sigilo, o profissional será penalizado pelo seu Conselho profissional, instância que tem como prerrogativa a regulação do exercício profissional e, consequentemente, tem como função social a proteção da sociedade.

 

Por tanto, não hesite em buscar apoio profissional, muito menos em indicar a psicoterapia para pessoas com as quais tem intimidade para sugerir um profissional. Atualmente, a possibilidade de realizar psicoterapia de forma on-line, por vídeo chamada, oportunizou o cuidado psicoterapêutico quando o tempo é escasso para aqueles que mais precisam.

 

Gabriel Henrique Pereira de Figueiredo é psicólogo, mestre em Psicologia Social, servidor público e professor.

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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COMENTÁRIOS
2 Comentário(s).

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Junior  14.05.25 09h59
Excelente matéria, parabéns, Dr. Gabriel! Um tema que reputo de grande relevância social é a explicação, técnica, acerca dos usuário de drogas ilícitas, os quais, em sua maioria, estão longe de serem marginais. Fica a dica!!!
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Jair Pereira Paim  14.05.25 09h33
Excelente texto, professor. Vivemos em uma sociedade exigente, cheia de contextos naturalizados e que acabam por aumentar as pedras no caminho de uma vida plena e de realizações. A psicologia está aí como uma possibilidade para que as pessoas cuidem melhor de si, e encontrem um alento para a alma. Que tenhamos a consciência de que: "Então, antes de salvar outra pessoa, tenho que me salvar" da música Save Myself, do Ed Sheeran.
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