Cuiabá, Quinta-Feira, 26 de Março de 2026
AUREMÁCIO CARVALHO
14.04.2025 | 08h24 Tamanho do texto A- A+

O furacão Trump

Ele pode destruir seu próprio criador e, por osmose, o comércio mundial

Desde que assumiu o seu segundo mandato presidencial, legitima e legalmente eleito, pela vontade do povo americano, o Presidente Donald Trump inaugurou uma nova geopolítica internacional de “xerife” do mundo, com uma avalanche de decretos de taxação do comercio internacional; deportação em massa de imigrantes “ilegais”, até os com vistos provisórios e empregos nos EUA ou, prestes a conseguir.

 

O furacão Trump pode destruir em primeiro lugar, seu próprio criador e, por osmose, o comércio mundial

É o “furacão Trump” que, como sabemos, assola todos os anos as costas dos EUA, com efeitos devastadores para o país. Parece que as medidas de Trump caminham para o isolamento internacional do pais, recessão interna e, impactos no mundo todo.

 

Senão, vejamos:

 

1- A China, principal alvo de Trump, tem retaliado as taxas americanas de importação, hoje em 145%, o que inviabiliza o comércio bilateral e, para o resto do mundo as taxas vão e 10 a 25%, inclusive para o Brasil. É a política da reciprocidade “ bateu, levou”, paga-se na mesma moeda.

 

O presidente Lula acaba de sancionar a Lei a Reciprocidade, mecanismo legal para agir, embora o Brasil  é conhecido por negociar, conciliar .A nova lei cria um meio legal para que o governo adote medidas de retaliação que deverão ser proporcionais ao impacto econômico causado pelas ações unilaterais de outros países ou blocos, a exemplo do que fizeram os Estados Unidos.

 

Aliás, a primeira  que contou, num pais dividido, com o apoio de políticos rivais, como disse o Presidente  da Câmara Hugo Motta: “Este episódio entre Estados Unidos e Brasil deve nos ensinar definitivamente que, nas horas mais importantes, não existe um Brasil de esquerda ou de direita, existe apenas o povo brasileiro”, disse.

 

2- Além de provocar uma terremoto nos mercados mundiais, a guerra tarifária entre Estados Unidos e China também pode estar reconfigurando a atual geopolítica mundial. (G!, 11/04).

 

 Ao longo da semana, em meio aos aumentos mútuos de tarifas entre os dois países, o governo chinês repetiu que a política tarifária de Donald Trump que só vai conseguir isolar Washington, enquanto Pequim tem se esforçado para "conectar mercados"como a África, a América Latina e a Europa. Ganha o Brasil nessa aproximação e aumento de exportações para a China.

 

3- Outro efeito reverso interno foi mostrado semana passada, com protestos em todos os EUA e o derretimento das bolsas americana em 4,2 trilhões de dólares, a oposição dos maiores empresários a tal política, indicativo de recessão e alta de infração; o que levou Trump a recuar, suspendendo por 90 dias as taxas, limitadas a 10% e, 25% em alguns casos, como o aço do Brasil, exceto para a China (145%). Isso é uma jogada de Trump  para  alcançar mudanças geopolíticas sem precisar de guerras ou da diplomacia internacional, mostrando conciliação, mas ninguém acredita, nesse recuo, para não reconhecer o erro cometido.

 

4- O mundo hoje, perdeu a confiança nos EUA, como parceiro comercial e global, perde os EUA e sua democracia, ao provocar a fragmentação da multipolaridade, que marca a geopolítica atual. No lugar, o mundo se encaminha para três grandes zonas de influência: os EUA, a China e Rússia.; "aproxima-se rapidamente um mundo no qual quem tem poder faz o que quer e em que grandes potências fecham acordos e intimidam as pequenas", disse uma reportagem da revista "The Economist" que chamou a política de Trump de "mafiosa"..

 

Vivemos tempos sombrios e assustadores. O furacão Trump pode destruir em primeiro lugar, seu próprio criador e, por osmose, o comércio mundial e as relações internacionais. Já pensaram de uma aproximação da União Européia e o resto do mundo com a China e a Rússia? Será o caos no bilateralismo e na diplomacia mundial.

 

Auremácio Carvalho é advogado.

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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