Cuiabá, Quinta-Feira, 26 de Março de 2026
VICTOR MAIZMAN
11.02.2025 | 05h30 Tamanho do texto A- A+

O novo testamento e a reforma tributária

A Reforma Tributária recentemente aprovada possui perto de 15 mil palavras

A Reforma Tributária recentemente aprovada pelo Congresso Nacional possui perto de 15 mil palavras. Por sua vez, a Constituição norte-americana algo a mais do que 7.500 palavras, o dobro. 

 

Apenas a soma da regulamentação da Reforma Tributária monta 130 mil palavras.

 

O Novo Testamento também traz um pouco mais do que 130 mil palavras.

 

A relevância de tal comparativo resulta do fato que um dos princípios da Reforma Tributária é justamente a simplicidade quanto a sua aplicação e a interpretação de suas normas.

 

Pois bem, em regra pode-se dizer que simplicidade é a maneira de não tornar o sistema complicado, expressando o pensamento com clareza e objetividade, eliminado os excessos inúteis e desnecessários.

 

Então, a regra da simplicidade tributária resulta na maneira de tornar o sistema tributário mais fácil de entender, principalmente para os contribuintes.

Nesse sentido, a simplicidade que a própria Reforma Tributária enalteceu deveria resultar na redução de normas da legislação tributária, bem como a facilitação do cálculo e pagamento de tributos.

 

Portanto, a regra da simplificação tributária não resulta apenas na reunião de tributos conforme prevista na malfadada Reforma, que por sua vez, acabou de quebrar com a forma federativa de Estado, conforme já escrevi em outras oportunidades.

 

Em síntese, a Emenda Constitucional que promoveu a Reforma Tributária unificando os tributos incidentes sobre o consumo, contém 491 normas, ao passo que o regulamento dos novos tributos, em especial do Imposto e Contribuições sobre Bens e Serviços, bem como o Imposto Seletivo, contém 542 artigos que se desdobram em parágrafos, incisos e alíneas formando um conjunto de quase 1.000 normas.

 

Não por isso sou crítico à forma em que foi discutida esta Reforma, justamente porque não foi debatida realmente a questão prática de sua implementação.

 

Aliás, tenho reiterado que além da necessidade de se observar uma regra fiscal mais clara e realmente simplificada, deveria ser ampliado o capítulo que trata dos direitos e garantias do contribuinte.

 

Enfim, a Reforma Tributária deveria trazer regras que realmente resultassem na simplificação e redução da carga tributária.

 

Assim, ao tratar do assunto com demais tributaristas, ficou claro que a comparação da Reforma Tributária aprovada com o Novo Testamento apenas tem em comum o número de palavras, uma vez que esta, ao contrário daquela, nos traz luz e esperança!

 

Victor Humberto Maizman é advogado e consultor jurídico tributário.

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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