Cuiabá, Sábado, 14 de Março de 2026
LUIZ HENRIQUE LIMA
14.03.2026 | 05h30 Tamanho do texto A- A+

O poder do exemplo

Há quem acredite que código de conduta é suficiente para moldar comportamento

Há quem acredite que normas, códigos de conduta e declarações de boas intenções sejam suficientes para moldar comportamentos. Não são, embora tenham importância e influência como marcos regulatórios. A força que realmente orienta atitudes — para o bem ou para o mal — é o exemplo. Ele fala sem alarde, mas com uma autoridade que nenhuma regra escrita alcança. E, sobretudo, é observado o tempo todo.

 

Pais educam mais pelos gestos cotidianos do que pelos discursos edificantes. Governantes influenciam servidores muito mais pelo modo como tratam a coisa pública do que pelos slogans de campanhas. Líderes moldam suas equipes não pelas frases motivacionais penduradas na parede, mas pela forma como agem quando supõem não estar sendo observados.

 

Professores, pastores, líderes comunitários: todos transmitem valores antes de qualquer palavra, por suas atitudes. Sejam simples ou arrogantes, sorridentes ou carrancudos, atenciosos ou impacientes, todos ensinam pelo que são. Até os animais de estimação, dóceis ou agressivos, refletem o ambiente que vivenciam. A vida é construída a partir de exemplos, não de retórica.

 

Por isso, são os pequenos gestos que edificam — ou corroem — a convivência social. Cumprimentar com respeito o caixa do supermercado, o motorista do ônibus, o jardineiro do condomínio. Não jogar lixo no chão; melhor ainda, separar o reciclável. Ser gentil no trânsito, respeitando as normas e parando antes da faixa para que o pedestre atravesse com segurança. Esses atos mínimos, repetidos por milhares de pessoas, criam uma atmosfera de civilidade que nenhuma campanha publicitária consegue produzir artificialmente.

 

Um mundo de paz começa pela paz interior, e esta se alimenta das nossas atitudes diárias. Cada gesto é uma semente lançada no terreno comum. Quando distribuímos bons exemplos e demonstramos respeito pelas pessoas que são diferentes de nós - na cor da pele, no idioma, nas crenças ou nas ideias - contribuímos para sufocar as ervas daninhas do racismo, da misoginia e de todos os preconceitos que ainda insistem em vicejar.

 

O contrário também é verdadeiro: a indiferença, a grosseria, a impaciência e o desrespeito se propagam com velocidade, contaminando ambientes inteiros.

 

O exemplo é um poder silencioso, mas transformador. Não exige holofotes; exige coerência. E, quando praticado com constância, tem a capacidade de melhorar a vida ao redor de forma profunda e duradoura.

 

Luiz Henrique Lima é professor e conselheiro independente certificado.

 

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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