Cuiabá, Quinta-Feira, 26 de Março de 2026
DEUSDÉDIT DE ALMEIDA
20.03.2025 | 05h30 Tamanho do texto A- A+

O príncipe de Nazaré

O silêncio de Nazaré ensina-nos o sentido do recolhimento e introspecção

Dia 19 de março comemoramos a solenidade do glorioso S. José, o qual, além de ser o príncipe de Nazaré, é também, o príncipe de toda Igreja. É padroeiro universal e provedor da Igreja Católica no mundo inteiro. Porque razão S. José se tornou um santo com muita simpatia e veneração popular?

 

O silêncio de Nazaré ensina-nos o sentido do recolhimento, da interioridade, da introspecção e da disposição para escutar a Deus e aos irmão

Por que ele foi escolhido pelo Pai Eterno para ser o guarda fiel e providente dos seus maiores tesouros: O filho de Deus e a Virgem Maria. Esta missão ele a cumpriu com muita dedicação e fidelidade.   

 

A majestade Divina entra no mundo através da família de Nazaré, cujo guardião era José. Algumas lições podem ser extraídas da vida de José. A primeira lição é a proximidade com o filho de Deus. José Carregou Jesus, Filho de Deus, nos braços! Esta proximidade e intimidade com Jesus, do qual é Pai adotivo, o transformou num grande santo.

 

Podemos dizer que a santidade de Jesus é transferida para José.  Hoje, também, devemos carregar, não só nos braços, mas no coração, nos lábios e na cabeça, a adorável pessoa de Jesus. A segunda lição é do silêncio. Podemos dizer que José é  o santo do silêncio.

 

O evangelho não registra nenhuma palavra dita por ele. Assim,  José construiu sua santidade na simplicidade, na humildade e no silêncio de Nazaré. Precisamos, hoje, cultivar a estima pelo silêncio, essa admirável e indispensável condição do espírito. Somos hoje, assediados por tantos clamores, ruídos e gritos da vida moderna, barulhenta e estressante.

 

O silêncio de Nazaré ensina-nos o sentido do recolhimento, da interioridade, da introspecção e da disposição para escutar a Deus e aos irmãos. Vivemos, hoje, a Síndrome da exteriorização existencial, gerador da crise de vida interior. A interioridade favorece nosso encontro com Deus. Diz o concílio vaticano II: “A consciência é o santuário mais secreto onde homem ouve a voz de Deus” (Gaudium et Spes,16).  A terceira lição é a vida familiar. Notamos em José uma presença atenta, carinhosa e permanente junto de Maria e o Menino Jesus. Era sua missão: proteger e guardar com fidelidade a Sagrada família.  

 

Foi admirável a coragem de José em deixar tudo e seguir para o Egito a fim de proteger o Menino. Uma viagem longa e desafiadora. A sagrada família de Nazaré é exemplo para todas as famílias! A quarta lição é o amor ao trabalho. Jesus era conhecido como o “filho do carpinteiro”. A identidade de José foi o trabalho. Por isso, é patrono dos Artesãos e daqueles que ganham o pão com o suor do rosto. Este apelido de José nos lembra de que o trabalho é parte da identidade humana.

 

Somos conhecidos pelo que fazemos. O trabalho dignifica o homem e aperfeiçoa a obra criadora de Deus. O amor ao trabalho ajuda moldar o caráter das pessoas. Por isso, precisamos imprimir nas pessoas, sobretudo nos jovens, a cultura do trabalho! Deus criou o homem à sua imagem e semelhança e o colocou no mundo para ser o senhor da criação e administrá-la com seu trabalho. Neste sentido o trabalho é instrumento de santificação do homem, transformação do mundo e glorificação de Deus.

 

Lembrai-vos de nós, S. José e intercedei com orações junto de vosso filho adotivo, para que não faltem postos de trabalhos e vida para todos!

 

Deusdédit de Almeida é padre na Catedral de Cuiabá.

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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