Segundo Yakoff Sarcovas, consultor de atitude de marca que há 32 anos trabalha com patrocínios culturais, e planeja estratégia de marketing cultural para empresas como o Banco do Brasil, Nestlé, Itaú, Votorantim entre outras, diz: “Na área cultural não industrial” onde estão inseridas o teatro, dança e até os museus, há muito competência artística e baixa competência de gestão, de administração. (...) Hoje felizmente já existe um processo de profissionalização não artística ocorrendo nas área cultural brasileira, pois o bom produtor/gestor, tem a capacidade de ampliar a efetividade da ação artística.
O termo produção cultural se fortaleceu na década de 1990, com o surgimento das leis de incentivo, porém existe ha muito mais tempo, como atividade.
Costumo dizer que, um bom produtor, é um profissional especialíssimo, pois precisa ser um empreendedor e ter intimidade com legislação, marketing, administração, política, economia, além de ter a sensibilidade para servir como elo de ligação entre a criatividade artística e o mercador, que compreende patrocinadores e consumidores.
Mas quem é este profissional? Em pesquisa realizada com 500 produtores, pelo Panorama Setorial da Cultura Brasileira, foi traçado o perfil deste profissional ainda pouco compreendido.

"O termo produção cultural se fortaleceu na década de 1990, com o surgimento das leis de incentivo, porém existe ha muito mais tempo, como atividade"
57% são homens e 43% mulheres. Dos entrevistados 77% tem formação superior, enquanto a média no Brasil é de apenas 7,9% da população com esse nível de formação.
Apenas 17% tem formação específica, ou seja cursos relacionados com produção cultural ou artes. A pesquisa indica que este profissional tem características que o diferenciam, pois o produtor cultural é um trabalhador que se desmotiva com a falta de sentido em seu trabalho, precisando estar inserido em um contexto ao qual atribuam sentido.
Este profissional também tem a capacidade marcante de aprender por si mesmo, tendo por base a experiência. Trabalhar em rede, e a fácil adaptação, também são características da profissão.
O que faz um produtor Cultural efetivamente? Ele tem a capacidade de criar, organizar e administrar projetos, desde a captação de recursos, até a finalização do mesmo. Construir e delinear política de investimentos no setor, analisar propostas adequadas ao perfil de instituições e empresas, de acordo com suas estratégias de imagem.
Administrar e gerenciar instituições, equipamentos e órgãos públicos culturais e elaborar política para contemplar setor produtivo da arte e da cultura.
O reconhecimento desta profissão é uma necessidade, e já é tema de debates por todo o Brasil. Muito prazer, eu sou produtor e gestor cultural!
JOSÉ PAULO TRAVEN é produtor cultural.