Eu me orgulho de ser um cuiabano de ‘tchapa e cruz’ confesso e não me engano. Moro na pracinha perto da prainha, sento na praça para ver as menininhas. Gosto de amargo, ventrecha de pacu; mojica de pintado e bagre ensaboado. Danço rasqueado na casa de Bem-Bem, como bolo de arroz e de queijo também.
Esta estrofe deste hino retrata a cuiabania em sua essência; rebuscando, nossas raízes, nossa cultura, nossa culinária, traçada em versos e prosas, trazendo a tona, um pouco, da nossa cultura, hábitos e costumes, que se encontram arraigados em nós, desde, a nossa nascença. Cuiabá, em seus 295 anos de existência, conseguiu atrair pessoas de diferentes rincões do país, alguns comeram cabeça de pacu e se encantaram, outros foram atraídos pela hospitalidade e acolhimento deste povo, ordeiro e trabalhador, que oferece a todos que para cá vierem, um pouco de si.

" Os paraguaios remanescentes da guerra começam a se integrar junto com os ribeirinhos mato-grossenses para o convívio do dia-a-dia"
Cuiabá em seus 295 anos, cultiva uma série de manifestações culturais, entre as quais uma sobressai o rasqueado cuiabano, que tem sua origem no final do século XIX, com influência do período pós-guerra do Paraguai. Os paraguaios remanescentes da guerra começam a se integrar junto com os ribeirinhos mato-grossenses para o convívio do dia-a-dia.
Nessa inteiração, nasce uma verdadeira simbiose, culminando com o fabrico da viola-de-cocho e o violão paraguaio, dando início a um novo tipo de música, que mistura siriri mato-grossense e a polca paraguaia; dando origem ao rasqueado cuiabano, que perdura até os dias atuais, com uma nova roupagem.
Falar da musicalidade cuiabana, sem retratarmos alguns dos maiores compositores nacionais, como: Moisés Martins, Pescuma, Roberto Lucialdo, João Eloy, Henrique e Claudinho, Tote Garcia, Edna Vilarinho, Vera e Zuleica, entre muitos outros nomes, cuiabanos reconhecidos nacionalmente; dizer que todos os acima citados, são maravilhosos, seria no mínimo redundância, porém, prefiro ser redundante que omisso.
Se fossemos falar da culinária, da arte, e de outras manifestações culturais da cuiabania; não faríamos um artigo e, sim um livro, tamanha a aptidão e talento do nosso povo, da nossa gente e de nossos valores, que muitas vezes, não são devidamente reconhecidos em função, de uma subjugação dos nossos costumes e tradições, tendo como modelo rótulos americanizados. Felizmente, existem pessoas abnegadas em Cuiabá, que lutam para manter viva, nossa cultura e tradição a duras penas, resgatando sempre os traços da cuiabania, que é invejada por muitos.
Eu sou apenas um grão de areia, neste universo, de pessoas que efetivamente, brigam por Cuiabá; mesmo, já tendo morado em outros grandes centros urbanos, porém, nunca vi em toda a minha vida, uma manifestação cultural igual à nossa, marcada não apenas pelo simbolismo, e sim, por ações efetivamente implementadas, por este povo maravilhoso, tanto, pelos cuiabanos legítimos, como os, por adoção, que ajudam em seu crescimento.
Parabéns Cuiabá
LICIO ANTONIO MALHEIROS é geógrafo e professor em Cuiabá