Não existe guerra justa. Não existe guerra santa. Não existe guerra limpa. Não existe guerra inevitável. Quem o afirma, se acredita, está enganado; se não acredita, está enganando.
Toda guerra é suja. Toda guerra é cruel. Toda guerra é injusta. Toda guerra é inútil.
Atenção: não estou negando o direito de defesa. Uma pessoa ou um país, vítimas de agressão violenta, têm o direito de se defender e de lutar por sua sobrevivência e integridade. Reconheço igualmente o direito de rebelião, de comunidades ou povos contra a escravidão, a tirania e o arbítrio. Ambos são naturais e legítimos.
O que não é legítimo é glorificar a guerra.
Guerras matam crianças. Guerras destroem escolas e hospitais, interrompem o fornecimento de energia e arrasam sistemas de saneamento. Guerras envenenam rios, solos e florestas , comprometendo por décadas a saúde humana e dos ecossistemas. Guerras apagam, em segundos, o trabalho de séculos, o esforço de gerações inteiras que sonharam com um futuro melhor. Guerras são inimigas da cultura, da arte, da beleza e do amor. Onde a guerra avança, a vida recua.
Ainda assim, há quem insista em romantizar o conflito, como se ele fosse palco de bravura, honra ou redenção. Nada disso resiste ao primeiro tiro ou míssil, ao primeiro corpo caído, ao primeiro pranto de quem tudo perde.
A guerra não enobrece ninguém; ao contrário, expõe o pior que somos capazes de infligir uns aos outros. E, quando termina — se é que termina —, deixa um rastro de traumas, ruínas e ódio que perduram muito além de armistícios ou tratados de paz.
A verdadeira coragem não está em aniquilar o inimigo, mas em reconhecer a humanidade que nele existe, por mais difícil que isso seja. A paz exige mais força do que a guerra, porque demanda diálogo, concessões, paciência e, sobretudo, empatia. A guerra, ao contrário, é sempre o atalho oportunista: o caminho da brutalidade, da irracionalidade e da crueldade. A guerra é covarde. A paz é corajosa.
Não há vitória possível numa guerra quando o preço é pago com mortes e mutilações. Não há conquista que justifique o sofrimento imposto a inocentes. Não há bandeira ou medalha que compense a dignidade negada a um único ser humano. Por isso, repudiar a guerra não é um gesto de fraqueza passiva, mas de altivez e lucidez moral. É afirmar que a vida — toda vida — deve prevalecer sobre qualquer ambição, religião, ideologia ou fronteira.
A guerra é o fracasso da humanidade. A paz é o seu triunfo.
Luiz Henrique Lima é professor e conselheiro independente certificado.
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