Cuiabá, Segunda-Feira, 9 de Março de 2026
NATASHA SLHESSARENKO
08.03.2026 | 11h22 Tamanho do texto A- A+

Respeito às mulheres: um compromisso que precisa ser diário

O respeito não pode ser apenas uma palavra presente em discursos ocasionais

MidiaNews

Ilustração

O Dia Internacional da Mulher é, acima de tudo, um convite à reflexão. Mais do que homenagens e mensagens de reconhecimento, esta data nos chama a olhar com atenção para o lugar que as mulheres ocupam na sociedade e, principalmente, para a forma como elas ainda são tratadas em muitos contextos.
 

Neste Dia da Mulher, mais do que celebrar conquistas, é preciso fortalecer o princípio de que as mulheres merecem viver com dignidade,


As mulheres conquistaram avanços importantes ao longo das últimas décadas. Hoje estão presentes nas universidades, lideram empresas, atuam na ciência, na política, na educação e em diversas áreas fundamentais para o desenvolvimento social. Ao mesmo tempo, continuam desempenhando papéis essenciais dentro das famílias, muitas vezes conciliando múltiplas responsabilidades.
 
Mulheres exercem duplas, triplas, até quádruplas jornadas. Trabalham em suas profissões, cuidam de seu núcleo familiar; às vezes até cuidam de outras redes de pessoas e protagonizam atividades extraprofissionais e não pagas.
 
Esse protagonismo feminino, que deveria ser motivo de orgulho coletivo, ainda convive com desafios que não podem ser ignorados. Entre eles está uma questão básica e fundamental: o respeito.
 
Apesar de todas as conquistas, muitas mulheres ainda enfrentam situações de desvalorização, agressões físicas e verbais, violência psicológica, violência moral e atitudes que revelam o quanto parte da sociedade ainda precisa se desenvolver na forma de enxergar e tratar as mulheres.
 
O respeito não pode ser apenas uma palavra presente em discursos ocasionais. Ele precisa estar incorporado no cotidiano: nas relações familiares, no ambiente de trabalho, nas escolas e em todos os espaços de convivência social. Respeitar as mulheres significa reconhecer sua dignidade, sua autonomia, suas escolhas e seu direito de viver com liberdade.
 
Quando esse princípio falha, surgem consequências graves. Nos últimos anos, a violência contra a mulher tem chamado cada vez mais atenção em todo o país e, Mato Grosso, aparece frequentemente nesse cenário preocupante.
 
Dados recentes mostram que o estado infelizmente segue entre os que registram as maiores taxas de feminicídio no Brasil.Relatórios indicam 53 feminicídios consumados ao longo de 2025, um aumento de 13% no número de feminicídios em relação ao ano anterior. Mais do que números, esses casos representam histórias interrompidas, famílias dilaceradas e crianças que carregam marcas profundas dessas perdas.
 
A maior parte dessas violências acontece dentro do próprio ambiente doméstico, sendo muitas vezes praticada por pessoas muito próximas à vítima. Isso mostra que o enfrentamento desse problema exige não apenas ações institucionais, mas também uma mudança cultural profunda baseada na educação, no respeito, na responsabilidade e na proteção às mulheres.
 
A violência contra a mulher não é apenas uma questão de segurança pública. Ela também impacta diretamente a saúde física e emocional das vítimas e de suas famílias. Como médica, é impossível não perceber o quanto essas situações deixam marcas duradouras que atingem não apenas as mulheres, mas todo o núcleo familiar.
 
Por isso, fortalecer redes de proteção, ampliar a conscientização, garantir segurança e assegurar que as mulheres tenham acesso a acolhimento e apoio são medidas essenciais. Segurança pública eficiente, serviços de saúde preparados para orientar e acolher vítimas e políticas de prevenção precisam caminhar juntas.

Mas existe também um aspecto que depende de cada um de nós: a construção de uma cultura baseada no respeito.
Cada atitude, cada palavra e cada exemplo contribuem para formar uma sociedade mais justa e segura para todas as mulheres.
 
Neste Dia da Mulher, mais do que celebrar conquistas, é preciso fortalecer o princípio de que as mulheres merecem viver com dignidade, respeito e proteção.
 
Uma sociedade verdadeiramente justa, humana e solidária se constrói quando homens e mulheres são igualmente reconhecidos e respeitados. Só assim haverá, de fato, motivos para celebrar.
 
Dra. Natasha Slhessarenko é empresária, médica e servidora pública.

*Os artigos são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. 

 

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