A eleição para o Senado em Mato Grosso em 2026 promete ser uma das mais acirradas da história recente, com duas vagas em disputa e seis nomes de peso na corrida. O atual governador Mauro Mendes (União Brasil), o senador e ministro do MAPA, Carlos Fávaro (PSD) e a deputada estadual Janaína Riva (MDB) aparecem, por enquanto, como favoritos; porém, há também o ex-governador e ex-senador, Pedro Taques (PSB), o deputado federal José Medeiros (PL) e o ex-presidente da Aprosoja Brasil, o empresário Antônio Galvan (Avante) são alternativas viáveis. Contudo, todos enfrentam desafios relacionados a aspectos, que desde questões de ordem estrutural até matizes ideológicos.
Grosso modo, poderíamos dizer que quatro dos seis candidatos têm estrutura financeira para “tocar” a campanha sem pires na mão: Mauro, Galvan, Fávaro e Janaína. Já Taques e Medeiros dependem dos respectivos partidos e eventuais suplentes para poderem fazer chegar suas propostas aos mato-grossenses.
Como Mato Grosso com, aproximadamente, 2,5 milhões de eleitores, é um dos estados brasileiros onde a polarização política é intensa, explícita e desproporcional; o inusitado e o imprevisível não estão descartados. Nas eleições de 2022, Bolsonaro teve, no segundo turno, 59,84% e Lula, 34, 39% dos votos válidos. Em tese, o espólio bolsonarista será dividido entre Medeiros, Mauro e Galvan, não necessariamente nessa ordem (há variáveis intrínsecas à atuações políticas de cada um; Janaína e Fávaro, por causas díspares, encontram resistências e apoios em ambos os lados e Pedro Taques é o único representante autêntico da centro-esquerda mato-grossense.
Sem entrar em detalhes, qual o calcanhar de Aquiles desses pré-candidatos: Mauro (pouquíssima empatia e forte resistência do funcionalismo público); Medeiros (extrema direita, pautas conservadoras e pouca entrega ao eleitorado); Galvan (representa parte do Agro e pouca capilaridade nas classes menos favorecidas); Fávaro (apesar de ter feito um excelente trabalho no Ministério da Agricultura, encontra resistências entre os grandes produtores e em setores mais radicais da esquerda e é o candidato do governo federal); Janaína Riva (herança familiar e esvaziamento do MDB) e Taques (avaliação do mandato de governador e o cerceamento do “Direito à voz” imposto pelos que dominam os veículos de comunicação social).
Em síntese, a conjuntura aponta para uma disputa dominada pela polarização nacional e pela práxis de cada um dos candidatos. A eleição, no entanto, ainda está em fase de pré-campanha e de articulações: no dia 4 de abril o cenário estará definido.
O Senado, mais uma vez, será palco de uma batalha que refletirá não apenas projetos individuais mas também espelhará o que paira no inconsciente coletivo dos mato-grossenses; todavia, sempre há o risco dos “vendedores de garrafas vazias” (principalmente em um tempo dominado pela manipulação virtual potencializada), esperemos que o povo não caia no homérico “canto da sereia” e escolha dois “Ulisses” para guiá-los e, juntos, construirmos um Mato Grosso mais justiça e igualdade.
Sérgio Cintra é professor de Linguagens e está servidor do TCE-MT).
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