Cuiabá, Sexta-Feira, 13 de Março de 2026
CASO RENATO NERY
13.03.2026 | 17h00 Tamanho do texto A- A+

DHPP: “laranja” admitiu ter intermediado R$ 200 mil por homicídio

A transferência teria sido realizada pela empresária Julinere Bentos em benefício do PM Jackson Barbosa

Victor Ostetti/MidiaNews

O delegado Bruno Abreu, responsável pela investigação do homicídio de Renato Nery

O delegado Bruno Abreu, responsável pela investigação do homicídio de Renato Nery

ANGÉLICA CALLEJAS
DA REDAÇÃO

O delegado Bruno Abreu, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Cuiabá (DHPP), revelou que o "laranja" usado para ocultar o pagamento de R$ 200 mil pelo homicídio do advogado Renato Nery, ocorrido em julho de 2024, confessou ter participado da transação ilícita. A transferência do valor, segundo a Polícia, foi realizada pela empresária Julienere Goulart Bentos, em benefício do policial militar Jackson Pereira Barbosa.

 

Jackson Barbosa é acusado de ser o intermediador do assassinato, supostamente encomendado por Julinere. Ambos estão presos e são réus pelo crime.

 

Desses R$ 200 mil que foram para a mão do intermediário, teve que reter R$ 15 mil para pagar o 'imposto'

O depoimento do "laranja", que não teve o nome revelado, ocorreu na quinta-feira (12). Ao MidiaNews, o delegado revelou que homem ainda revelou que, do montante total, R$ 15 mil foram descontados sob a justificativa de “pagamento de imposto” pela transação. Abreu ainda informou esse valor foi posteriormente cobrado por Jackson diretamente de Julinere.

 

“O intermediário que recebeu o dinheiro confirmou e mostrou todos esses dados que nós já tínhamos. O acerto foi R$ 200 mil. Desses R$ 200 mil que foram para a mão do intermediário, teve que reter R$ 15 mil para pagar o 'imposto'. Aí o Jackson fala, em áudio para o intermediário: ‘Então, tá bom. Eu vou cobrar dela’”, contou o delegado.

 

Ainda segundo Abreu, o homem comprovou toda a dinâmica do pagamento pelo crime, corroborando os elementos já demonstrados pela análise bancária de Julinere e Jackson.

 

Os R$ 200 mil, conforme a DHPP, foram pulverizados em outras contas, entre elas a da mãe do PM Jackson Barbosa. Todo o valor teve como destinatário final o PM, que inclusive teria adquirido uma Mercedes-Benz avaliada em R$ 115 mil, com recursos de terceiros e registrado no nome de outra pessoa, como forme de mascarar o pagamento pelo crime.

 

Elo revelado pela quebra do sigilo bancário

 

Conforme revelado pelo delegado, no dia 4 de março de 2025, cerca de quatro meses antes do homicídio, Julinere transferiu R$ 200 mil para a conta do “laranja”. O valor passou por outro intermediário até chegar à conta da mãe de Jackson.

 

No dia seguinte, 5 de março, Jackson adquiriu uma Mercedes-Benz. O veículo de luxo foi objeto de busca e apreensão na Operação Office Crime, em 18 de abril, e permanece apreendida.

 

Ainda no mesmo dia, outros R$ 40 mil foram transferidos por terceiros para a conta da mãe do policial militar, enquanto os R$ 45 mil restantes foram enviados diretamente para a conta dele, também por meio de terceiros.

 

Em 8 de março, após ser cobrada, Julinere transferiu R$ 15 mil a Jackson, totalizando R$ 215 mil. Esse valor extra, segundo a Polícia, corresponde ao suposto imposto que ficou retido pelo intermediário na primeira transferência.

 

Reprodução

Julinere e Jackson

A empresária Julinere Goulart Bentos e o policial militar Jackson Pereira Barbosa,

"A pulverização dos valores, identificada após a quebra de sigilo bancário dos investigados, indica que Jackson teria adotado mecanismos para ocultar a origem ilícita do dinheiro, utilizando interpostas pessoas e transferências fracionadas, o que caracteriza, em tese, crime de lavagem de dinheiro. Ele será indiciado por isso", disse o delegado.

 

Além de Julinere e Jackson, também são réus pelo crime o marido da empresária, César Jorge Sechi; os policiais Heron Teixeira Pena Vieira, Ícaro Ferreira; e o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, apontado como executor do homicídio.

 

A investigação da DHPP revelou que o casal de empresários Julinere e César travavam uma batalha judicial por anos com o advogado Renato Nery. O processo envolvia a reintegração de posse da área que o advogado recebeu como pagamento de honorários advocatícios de ação em que atuou por mais de 30 anos.

 

Meses antes de ser assassinado, Nery havia ganhado uma ação no processo que bloqueou o arrendamento de mais de R$ 2 milhões da propriedade, o que teria sido o estopim para seu assassinato.

 

O crime

 

Ex-presidente da OAB-MT, Renato Nery foi atingido por um disparo na cabeça no dia 5 de julho de 2024, quando chegava em seu escritório na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá. 

 

Socorrido com vida, ele foi levado às pressas para o Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá, onde passou por cirurgias, mas não resistiu e morreu no dia seguinte.

 

Leia mais:

 

DHPP: empresária repassou R$ 215 mil a policial por terceiros

 

 

 

Entre no grupo do MidiaNews no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).




Clique aqui e faça seu comentário


COMENTÁRIOS
0 Comentário(s).

COMENTE
Nome:
E-Mail:
Dados opcionais:
Comentário:
Marque "Não sou um robô:"
ATENÇÃO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. Comentários ofensivos, que violem a lei ou o direito de terceiros, serão vetados pelo moderador.

FECHAR

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia