Karla Dutra relatou ter convicção de que corre risco de ser vítima de feminicídio após ser agredida pelo ex-companheiro, o ex-candidato a vereador e pedagogo Cleyton Reis Divino, em sua residência no distrito de Pingo D’Água, zona rural de Querência (a 755 km de Cuiabá).

“Ele disse que quando saísse [ da cadeia], ia me matar. Ele falou que vai me matar. Eu tenho certeza disso. Porque, infelizmente, não tem lei nesse país”, relatou Karla em entrevista ao SBT Cuiabá.
Segundo a vítima, ela e Cleyton estão separados há cerca de seis meses, após um relacionamento de aproximadamente cinco anos. Desde então, ambos compartilhavam a guarda do filho do casal, de dois anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
No dia da tentativa de feminicídio, Cleyton havia combinado de ficar com a criança enquanto Karla saía de casa. Ao retornar, ela foi surpreendida pelo agressor, que teria invadido a residência e passado a agredi-la, além de proferir ameaças de morte caso ela não retomasse o relacionamento.
“Cheguei em casa e ele me agarrou pelo braço, me jogou no sofá e começou a dizer que ia ficar na minha casa, que eu tinha que aceitá-lo. Ele disse que a única opção era eu aceitar ou sair dali dentro de um caixão”, relatou.
Ainda conforme Karla, o agressor afirmou que, caso fosse denunciado, sairia da cadeia e a mataria. A vítima diz temer pela própria vida e também pela segurança do filho, que é TEA não verbal.
“Antes ele não tinha me agredido fisicamente, só psicologicamente, e eu nunca denunciei. Mas ele me torturava psicologicamente. Dizia que ia se matar, que sem mim não conseguia viver e que, se me visse com outra pessoa, me mataria”, contou.

Após o episódio de violência e tentativa de feminicidio, a vítima afirmou que teve medo de registrar a denúncia, mas decidiu procurar a polícia após pressão da família que pede que ela saia da cidade.
“Ele vai me matar. Minha mãe quer que eu vá embora, mas ele vai me achar. Não existe ir embora. Eu só penso no meu filho, ele precisa muito de mim. Tenho medo até dele me matar ”, desabafou.
Ela também relatou temer que o agressor machuque o filho. “Se ele não conseguir me matar, pode machucar a coisa que eu mais amo. Ele é réu primário, não tem passagem, paga de bom moço na sociedade. Manipula as pessoas e vai sair logo”, afirmou.
“Ele ia me matar. Foi tentativa de homicídio, não foi lesão corporal. Eu estou toda machucada, dolorida, de tanto lutar com ele”, acrescentou.
“Eu não quero ser a próxima reportagem. Não quero ser ‘a mulher que foi agredida pelo ex-marido e depois assassinada’”, declarou.
A violência
Cleyton Reis Divino foi preso por uma equipe da Polícia Militar após denúncia de violência doméstica registrada por volta das 6h da manhã de domingo, na residência de Karla.

Câmeras de segurança registraram o momento em que o agressor invade a casa de forma violenta e passa a enforcar a vítima. Durante as agressões, a criança tenta intervir, chorando e se jogando contra os pais.
A tentativa de homicídio só foi interrompida após a entrada de uma vizinha na residência, que interveio na situação.
Karla ainda contou que, após a prisão de Cleyton, familiares do agressor entraram em contato pedindo para que ela retirasse a queixa
“Eu só estou viva por causa dessa senhora. Se não fosse ela, eu estaria morta. E meu filho estaria com quem? Ele ia pegar meu filho e sumir no mundo, com apoio da família dele”, concluiu Karla.
Vídeo:
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