A Deccor (Delegacia Especializada de Combate à Corrupção) apreendeu, na manhã desta terça-feira (27), em Cuiabá, várias notas de R$ 200 na casa do presidente do Instituto Brasil Central (Ibrace), Alex Jones Silva, um dos alvos da Operação Gorjeta, que investiga desvio de recursos públicos municipais.
A operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra o vereador Chico 2000, que também foi afastado do cargo, o chefe de gabinete do parlamentar, Rubens Vuolo Junior, a assessora parlamentar do vereador Mário Nadaf (PV), Joacyr Conceição Silva.
Ainda foram alvos os empresários João Nery Chiroli, dono da Chiroli Uniformes, e Magali Gauna Felismino Chiroli.
A Polícia Civil não informou na casa de quem o dinheiro foi apreendido. Também foi determinado o bloqueio inicial de R$ 676 mil das contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis.
Conforme a Deccor, o esquema de desvio envolve emendas parlamentares tendo como vítima o município de Cuiabá, especialmente a Câmara Municipal e a Secretaria Municipal de Esportes.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo teria se associado para direcionar emendas parlamentares ao instituto e a empresa Chiroli Uniformes, sendo que parte dos recursos era posteriormente “devolvida” ao vereador Chico 2000, responsável pela destinação das emendas.
Ao todo, 75 ordens judiciais foram expedidas pelo Juízo do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá e incluem 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso a dados armazenados em dispositivos móveis.
Também foram determinadas medidas de suspensão do exercício da função pública contra os dois servidores da Câmara Municipal de Cuiabá e contra o vereador.
Ainda no âmbito da operação, foram fixadas três medidas cautelares diversas da prisão contra seis investigados.Entre elas estão a proibição de manter contato entre si e com testemunhas; a restrição de acesso às dependências da Câmara Municipal de Cuiabá e da Secretaria Municipal de Esportes; a proibição de deixar a comarca; além da determinação de entrega dos passaportes.
Suspensão de atividades
Como parte da decisão judicial, o Poder Executivo e o Poder Legislativo de Cuiabá estão proibidos de contratar ou nomear quaisquer dos investigados na operação.
Entre as ordens judiciais está ainda a suspensão das atividades do instituto investigado, bem como a realização de auditorias pela Controladoria-Geral do Município em todos os termos de parceria firmados entre o órgão e a Prefeitura de Cuiabá.
O município também fica proibido de realizar qualquer tipo de contratação ou pagamento de valores às duas empresas investigadas.
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