Os presidentes de partidos e de federações em Mato Grosso e demais dirigentes terão nos votos desperdiçados “adversários” perigosos na eleição deste ano, além dos concorrentes naturais na busca pelo voto do eleitor. A análise é do historiador Alfredo da Mota Menezes.

Segundo ele, há um crescimento contínuo em eleições recentes, com a crítica antissistema do poder, a percepção de mais corrupção e o descrédito político diante de escândalos, como do caso do Banco Master, que atinge todos os poderes e provoca a sensação de impunidade e revolta do eleitorado.
Alfredo defende uma campanha educativa da Justiça Eleitoral para incentivar o eleitor a votar, mesmo com o voto obrigatório. Porque os votos desperdiçados atingem cerca de 30%.
"Deveria ter um trabalho dos Tribunais Regionais Eleitorais com o Tribunal Superior Eleitoral em torno do assunto, da necessidade de comparecimento, da importância da eleição, do futuro, para ouvir os candidatos, entender e compreender a importância de concordar ou não com as suas propostas. E que isso faz parte da democracia", sugeriu.
"Esse trabalho não é exclusivamente dessa eleição. Mas uma propaganda em rádios, jornais, TVs e sites para mostrar a importância do eleitor comparecer", defendeu.
O presidente do PL e secretário de Governo de Cuiabá, Ananias Filho, crê que o partido não terá essa dificuldade porque os eleitores de Mato Grosso se identificam com os pré-candidatos da sigla, pelo perfil de direita do partido e do Estado. E que o PL apresentará nomes bons e confiáveis.
“Olha, não desperdiçar votos depende de uma chapa forte com propostas bem definidas para que o eleitor se convença de que tem um candidato que será fiel na execução delas”, diz, confiante. Ele diz que os votos de abstenção, brancos e nulos são "adversários que só são superados com proposta séria".
Ele ainda concorda com a tese de que a polarização política prevista para a eleição vá levar mais eleitores para a urna. "O acirramento entre direita e esquerda vai buscar uma consciência maior e de maior relevância para ida do eleitor às urnas", avaliou Ananias.
O presidente do Novo, Rafael Iacovacci, afirma que os seus pré-candidatos serão bem recepcionados pelos eleitores, porque eles estarão capacitados para enfrentar a eleição. Ele diz que não haverá um acirramento do debate do eleitorado que possa aproveitar o voto do eleitor, como foi na eleição nacional passada, com a polarização Lula e Bolsonaro.
“É um momento de um ciclo que não terá de novo. Não tem como repetir Lula e Bolsonaro de 2022”, afirmou. "Não vejo a mesma situação, a mesma conjuntura de decisão do voto. Hoje está muito fragmentado", argumentou.
O presidente do PSDB, deputado Carlos Avallone, tem opinião diferente. Ele diz que o acirramento e polarização entre esquerda e direita, bolsonaristas e lulistas podem levar mais eleitor para a urna.
“Com tudo isso que está acontecendo [escândalos] pode até chamar o pessoal para a urna, para querer fazer a transformação. Na hora que polarizar, direita e esquerda, leva todo mundo para a urna”, prevê. "O acirramento vai levar todo mundo para a campanha. Não acredito que a abstenção, brancos e nulos será mais do que nos outros anos”, avaliou.
Yasmin Silva/MidiaNews
O presidente do PL, Ananias Filho diz, que partido e candidatos do PL serão bem recebidos pela população
Campanha educativa
O analista político e historiador, Alfredo da Mota Menezes, disse que é uma iniciativa que não vai acabar com a abstenção, votos brancos e nulos. Mas que iria diminuir um pouco. Mas que é necessária.
"Repito, quem deveria fazer esse trabalho de médio e longo prazo deveria ser a Justiça Eleitoral, nacionalmente, e nos Estados. Não pode um pode em um país, que o voto é obrigatório, ter uma abstenção desse tamanho, quase 25% do eleitorado no caso de Mato Grosso", lamentou o Alfredo da Mota Menezes.
Votos desperdiçados
Um dos maiores “adversários” da eleição para dirigentes e candidatos são os eleitores que não comparecem para votar, a chamada abstenção.
Na eleição de 2022, na eleição para governador, por exemplo, ela atingiu 23,40%, ou cerca de 577 mil votos desperdiçados. Já brancos e nulos somaram cerca de 14%, ou 260 mil votos.
Para comparação, a ex-primeira-dama de Cuiabá, Márcia Pinheiro (PV) teve praticamente a mesma quantidade de votos, ou 267 mil votos.
Em 2018, a abstenção totalizou no voto para o Governo cerca de 23%, ou aproximadamente 500 mil deixaram de votar. E brancos e nulos registrou 18,54%, ou seja, cerca de 326 mil votos não aproveitados para candidatos.
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