Enquanto Jair Bolsonaro xingava o ministro Alexandre de Moraes na avenida Paulista, seu filho Flávio vai para seu primeiro ato como pré-candidato se equilibrando entre a moderação, que fez com que ele subisse nas pesquisas, e o radicalismo habitual da militância.
Flávio vai discursar diante dos apoiadores radicais. O local será o pedaço de asfalto com maior capacidade de mudar os rumos da política nacional: a avenida Paulista, em São Paulo. A estratégia de campanha está clara: moderação.
O mantra repetido pelas pessoas que convivem com Flávio é: "A militância leva para o segundo turno. O centro decide a eleição". O crescimento nas pesquisas encoraja a manutenção desta postura moderada.
Mas a estratégia de campanha também prevê acenos pontuais aos eleitores radicais. O motivo é evitar diminuição no engajamento do militante a ponto de ele deixar de ir votar.
Flávio tem conversado com pessoas próximas sobre qual atitude adotar na Paulista. Políticos experientes, como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), seu coordenador de campanha, estão em permanente contato com o pré-candidato.
O discurso também será importante pela pauta proposta. Convocado por Nikolas Ferreira, o ato tem o impeachment dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) como grande chamamento. Aliados de Flávio ressaltam que não há nada a ganhar fazendo inimigos tão poderosos.
Aliados dizem acreditar que Jair Bolsonaro perdeu em 2022 pelo radicalismo em excesso. Um dos que repetem este diagnóstico é Ciro Nogueira, presidente do PP e ministro da Casa Civil no governo do ex-presidente.
Foi num ato na Paulista que Bolsonaro estragou de vez a relação com o STF. O ex-presidente chamou o ministro Alexandre de Moraes de canalha e ameaçou deixar de cumprir as decisões da Corte. Flávio tem feito o contrário do pai. Na segunda-feira, ele levou às redes sociais uma postagem usando "todxs". A expressão da linguagem neutra é considerada um palavrão pelo militante raiz.
Na quarta, o senador chorou e não foi pouco. Lágrimas molharam seu rosto ao relatar as condições que Bolsonaro enfrenta na Papudinha. Parlamentares do PL postaram o vídeo em seus perfis, amplificando o alcance da cena.
Ao mesmo tempo, é hora de incendiar o eleitor. Parlamentares do bolsonarismo raiz defendem não usar um tom ameno. Eles justificam que evento de rua com militante que sai de casa para xingar ministro do STF não combina com moderação.
A decisão de Flávio poderá ter impacto de longo prazo. Os vídeos e frases produzidas amanhã vão reverberar por semanas e podem fazer a competitividade da campanha se consumar ou recuar. A decisão do que falar cabe a Flávio, que cada vez mais toma as rédeas da campanha.
O senador assumiu a sala do pai na sede do PL em Brasília. A vizinhança do prédio tem ficado repleta de carros com placa oficial ocupados por autoridades que desejam discutir alianças. Ontem, Flávio arrancou uma foto de Tarcísio de Freitas.
O governador tratado como centrão e traíra pelo militante raiz cedeu aos apelos e finalmente fez um gesto de apoio ao senador, além de propor coordenar a campanha em São Paulo. Tarcísio fez esse "ensaio" também na Paulista. Em 2025, ele atacou o STF, chamando Moraes de tirano, durante uma manifestação, mas depois moderou o tom, apesar de não ter pedido desculpas.
O pré-candidato tem focado nas questões estaduais. O planejamento é resolver esta questão o mais rápido possível para se dedicar às coligações nacionais. O comportamento do PL tem sido de ceder. Lideranças regionais foram encorajadas a abrir espaços para facilitar costuras em nível nacional.
A exceção foi Santa Catarina, onde o PL terá chapa pura ao Senado porque um filho de Jair Bolsonaro estava envolvido. Os partidos de centrão são o alvo das tratativas de aliança nacional conduzida por Flávio. Eles querem estar com um candidato moderado, exatamente o oposto do que a Paulista deseja.
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