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30.11.2016 | 08h39 Tamanho do texto A- A+

Câmara desfigura pacote "anticorrupção" do Ministério Público

Deputados passaram a madrugada votando emendas e derrubando pontos importantes

Folhapress

O presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia

O presidente da Câmara Federal, deputado Rodrigo Maia

DA FOLHAPRESS

Após aprovar por quase unanimidade o texto-base do pacote de dez medidas anticorrupção do Ministério Público, o plenário da Câmara dos Deputados passou a madrugada desta quarta-feira (30) votando emendas e derrubando vários pontos importantes da proposta.


Quase no final, o relator, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), ironizou: "Está sendo dizimado [o pacote]. Do jeito que vai as dez medidas vão virar meia medida."


A votação das emendas acabou às 4h19.


A primeira atitude dos deputados na madrugada foi incluir emenda com a possibilidade de punição de magistrados e integrantes do Ministério Público por crime de abuso de autoridade.


A isso se seguiu uma série de alterações no pacote, sempre na linha de suprimir propostas do Ministério Público de endurecimento da legislação ou de simplificação dos trâmites processuais.


A maior parte das emendas foi capitaneada por PP e PT, partidos com vários políticos implicados na Lava Jato.


Com votações expressivas contra o texto elaborado pela força tarefa de Curitiba, os deputados rejeitaram pontos como a tipificação do crime de enriquecimento ilícito de funcionário público, a ideia de tornar a prescrição dos crimes mais difícil e a de facilitar a retirada de bens adquiridos com a atividade criminosa.


Os parlamentares retiraram ainda a instituição do chamado "delator do bem", pessoa que ganharia uma recompensa por entregar a autoridades crimes do qual não participe, mas que tenha conhecimento.

 

A medida, uma das preferidas de Lorenzoni, foi classificada jocosamente por deputados como "regulamentação da profissão de dedo-duro".


Outras medidas suprimidas foram as sugestões do Ministério Público de endurecimento da Lei de Improbidade e da possibilidade de cassação do registro e de punições mais severas a partidos e dirigentes que cometerem faltas graves.


De substancial, restou no pacote do Ministério Público a criminalização específica do crime de caixa dois eleitoral (uso de dinheiro de campanha sem registro à Justiça) e a inclusão de alguns crimes na categoria de hediondos caso o valor desviado seja superior a R$ 8,8 milhões.


Entregue ao Congresso em março, a proposta chegou com o apoio de mais de dois milhões de eleitores e era considerada como essencial pelo Ministério Público Federal no combate à corrupção.


Na comissão especial da Câmara, parte das propostas originais já havia sido retirada, entre elas a que permitiria o uso de provas ilícitas, desde que obtidas de boa fé, e o que dificultava a concessão pela Justiça de habeas corpus a presos.


O texto segue agora para análise do Senado.

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COMENTÁRIOS
18 Comentário(s).

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JOILSON  01.12.16 08h29
TEMOS QUE PROTESTAR ENQUANTO PODEMOS , PORQUE SE QUEREM CALAR JURISTAS...
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Max Alex  30.11.16 21h12
Porque tanto medo dos membros do judiciário, se a medida e decisões que tomarem estiverem pautadas em lei não será abuso, além do mais não existe democracia se determinada classe tem poder absoluto, todos tem que responder pelas suas ilegalidades (todos são, porque no judiciário tem que ser diferente), ou alguém já viu algum membro do judiciário ser punido severamente (aposentadoria compulsória não é punição, muitos brasileiros queriam aposentar desse jeito, principalmente agora com a reforma da previdência) por algum abuso tais como: o absurdo que aconteceu com os jornalistas do Paraná feito pelos juízes de lá, quem não se lembra da menina do Pará que ficou presa com 30 detentos e a juíza recebeu férias de 2 anos por ter mantido a menina presa quase um mês... Esta na hora da população evoluir e fazer uma reflexão da realidade do nosso país e que todos devem ser igual perante a lei...
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Maria Eneida P. Fernandes  30.11.16 20h01
Sou plenamente contra a corrupção. Temo que essas medidas aprovadas no CN não sejam cumpridas por muitos políticos, pois sabemos que muitas vezes e em determinados lugares, a lei é cega, infelizmente. Os políticos nos envergonham, por isso gostaria que o cidadão brasileiro não fosse obrigado a votar, e que cargo político fosse vocação. Não à corrupção!
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Arlindo   30.11.16 17h35
Isso é uma vergonha votaram nas escura se você algo que beneficia se o povo nunca ia ocorrer neste horário .
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jonimar  30.11.16 16h29
Esse são os caras que defende o povo.mais até 2018 o povo já esqueceu ai voto neles denovo.
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