A deputada federal Coronel Fernanda (PL) acusou o deputado estadual Valdir Barranco (PT) de fazer uso indevido do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) no Estado. Segundo a parlamentar, só tem acesso ao órgão quem antes passa pelo gabinete do petista.

A declaração foi dada na tarde desta segunda-feira (5) em entrevista coletiva à imprensa ao lado do presidente da Aprosoja-MT (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso), Lucas Costa Beber. No evento, o tema era a situação dos assentados no Assentamento Itanhangá/Tapurah, localizado no norte do Estado.
“Quando qualquer pessoa quer falar com alguém do Incra em Mato Grosso, tem que se dirigir ao gabinete do deputado estadual Barranco. Se não se dirigir até lá, você não tem acesso ao representante do Incra no Estado”, acusou.
“Vamos fazer as denúncias formais em relação às denúncias que nós estamos recebendo em favorecimento do parlamentar [Barranco], no que tange à ordem dentro do Incra. Não podemos deixar isso acontecer”, completou.
Coronel Fernanda afirmou também que já denunciou o caso ao ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira (PT). Segundo ela, o deputado estadual terá que se explicar.
“Em relação ao Barranco, ele vai ter que nos explicar por que o superintendente de Mato Grosso tem moradia lá no gabinete dele. Eu cobrei dele essa informação no dia da audiência com o ministro, mas ele não me respondeu”.
“Já está passando do limite o uso do Incra pelo deputado Barranco”, encerrou.
A conversa com Teixeira aconteceu em uma reunião na última semana, na qual também estavam presentes o deputado Barranco, a senadora Margareth Buzetti e a ex-deputada Rosa Neide. O assunto também teria sido pauta na reunião da bancada federal com o governador Mauro Mendes, realizada nesta segunda (5).
A relação de Barranco com o Incra vem desde quando ele assumiu a chefia da Divisão de Obtenção de Terras e foi superintendente Substituto do Incra de Mato Grosso em 2009. Em seguida, tornou-se chefe da Divisão de Administração e de 2011 a 2014 exerceu a função de superintendente titular do Instituto no estado, tendo como bandeira a luta pelo direito à terra.
Assentamento
A situação das famílias no Assentamento Itanhangá/Tapurah tem sido um assunto polêmico nos últimos dias após o Incra anunciar que faria uma reintegração de posse nas terras que são da União, mas que estavam ocupadas por esses assentados, em muitos casos, há mais de 20 anos.
A atitude do Incra tem sido muito criticada e causou revolta nas 1.149 famílias assentadas em uma área de 115 mil hectares. Eles têm se reunido em protestos tentando chamar a atenção das autoridades.
Entre as muitas críticas que fez ao Instituto, a deputada afirmou que o Incra não dá suporte nenhum aos assentados, que na visão dela teriam direito às terras que ocupam pelo tempo em que ali estão e por produzirem no local.
“O Incra, que foi criado para dar o suporte ao pequeno produtor, hoje fecha os olhos. E por causa dessa ineficiência, essa falta de atitude, os produtores rurais do Estado de Mato Grosso estão sendo desmerecidos, humilhados e correndo risco de vida”, disse.
Cada lote tem cerca de 100 hectares que concentram 60% da produção de soja, milho, leite e da pecuária do município. Dos 1.149 lotes, 275 teriam alguma irregularidade, 875 não possuem nenhuma e estariam em condições suficientes para serem documentados, porém, até agora isso não foi realizado pelo Incra.
Seis lotes já haviam sido reintegrados, mas cinco deles já teriam tido a decisão revertida na Justiça, segundo a Coronel. Além disso, quase 50 pedidos judiciais de primeira instância também já foram revertidos.
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1 Comentário(s).
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| José Neto 07.08.24 07h14 | ||||
| O Incra vem se deteriorando ao longo do tempo. Com salários e condições de trabalho precários está cada vez mais sucateado. Por isso não dá conta. Além disso, os políticos em sua maioria não querem um órgão forte para governança de terras. Mas "dentro das 4 linhas", as terras públicas devem ser destinadas à reforma agrária. Tá na constituição, né? | ||||
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