Cuiabá, Sexta-Feira, 23 de Janeiro de 2026
CONDENAÇÃO DE ASSASSINOS
23.01.2026 | 10h38 Tamanho do texto A- A+

“É remédio amargo, mas ameniza; vão pagar o mal que fizeram”

Romero e Rodrigo Xavier foram condenados a mais de 30 anos de prisão pela morte de Raquel Cattani

Alair Ribeiro/TJMT

O deputado estadual Gilberto Cattani durante o julgamento dos envolvidos no feminicídio de sua filha, Raquel Cattani

O deputado estadual Gilberto Cattani durante o julgamento dos envolvidos no feminicídio de sua filha, Raquel Cattani

VITÓRIA GOMES
DA REDAÇÃO

O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) afirmou que a condenação dos envolvidos no assassinato da empresária Raquel Maziero Cattani, filha dele, traz um “alento” à família, ainda que não seja capaz de encerrar a dor.

 

É um alento, uma sensação de que vão pelo menos pagar um pouco daquilo que fizeram de mal à sociedade

Os irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde foram condenados pelo Tribunal do Júri, na madrugada desta sexta-feira (23), a penas superiores a 30 anos de prisão.

 

Romero, ex-marido de Raquel, foi condenado a 30 anos de prisão em regime fechado, enquanto Rodrigo recebeu pena de 33 anos e três meses de reclusão, também em regime fechado.

 

“A gente recebe como um alento. Já tinhamos uma certa certeza que seriam condenados. As limitações de condenação, no nosso entendimento, são fracas ainda no nosso País, mas é um alento", disse em conversa com a imprensa.

 

"É uma sensação de que vão pelo menos pagar um pouco daquilo que fizeram de mal à sociedade, principalmente à nossa família”, acrescentou.

 

Cattani disse que a sentença não representa o encerramento da história nem o fim do sofrimento da família. Segundo ele, a condenação funciona como um “remédio amargo”, que ameniza, mas não apaga o ocorrido.

 

“Não sei se se encerra. Essas coisas não têm como encerrar, não têm como esquecer, não têm como modificar. O que está feito está feito, não tem como voltar atrás. É como se fosse um remédio amargo. Mas é alguma coisa que ameniza”, disse.

 

O deputado também destacou as mais de 16 horas de julgamento e elogiou a atuação das instituições envolvidas no processo. Para ele, o conforto não vem da situação dos réus, mas da efetivação da Justiça.

 

“Foi muito gratificante ver a ação dos agentes envolvidos, tanto o Ministério Público como a Defensoria Pública. Quando falo que a Justiça falha, não me refiro ao Judiciário ou aos agentes, me refiro às nossas legislações. O que mais nos alenta não é ver eles nessa posição, mas ver a ação da Justiça sendo efetivada, como foi aqui”, afirmou.

 

O julgamento teve início às 8h de quinta-feira e foi encerrado de madrugada, após 16 horas de sessão, sob a presidência da juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, da 3ª Vara da Comarca.

 

Veja vídeo:

 

 

O crime

 

Produtora rural e proprietária de uma queijaria, Raquel era mãe de um casal de filhos e morava em um assentamento no Pontal do Marape, em Nova Mutum.  Ela estava em processo de separação com o ex-marido, Romero Xavier, que inclusive já havia se mudado para Lucas do Rio Verde. 

 

Conforme a Polícia, Romero, entretanto, não aceitava o divórcio e planejou com o irmão, Rodrigo Xavier, o assassinato da ex-esposa. No dia 19 de julho de 2024, Romero teria deixado Rodrigo na propriedade de Raquel, e o criminoso invadiu a casa após arrombar a janela do quarto dos filhos dela. 

 

Quando a empresária chegou em seu imóvel, ela foi esfaqueada 34 vezes por Rodrigo, e morreu ainda na residência. O corpo dela foi encontrado na manhã do dia seguinte, por seus pais.

 

Leia mais:

 

Júri condena assassinos de Raquel a mais de 30 anos de prisão

 

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