Cuiabá, Sexta-Feira, 23 de Janeiro de 2026
FEMINICÍDIO DE EMPRESÁRIA
23.01.2026 | 07h00 Tamanho do texto A- A+

Júri condena assassinos de Raquel a mais de 30 anos de prisão

Filha do deputado estadual Gilberto Cattani foi morta em 2024; julgamento levou mais de 16 horas

Alair Ribeiro/TJMT

Os irmãos Romero e  Rodrigo Xavier Mengarde, que foram condenados

Os irmãos Romero e Rodrigo Xavier Mengarde, que foram condenados

THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O Tribunal do Júri condenou, na madrugada desta sexta-feira (23), os irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde a mais de 30 anos de prisão, pelo assassinato da empresária Raquel Maziero Cattani, filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL).

 

O julgamento teve início às 8h e foi encerrado de madrugada, após 16 horas de trabalho. A sessão foi presidida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, da 3ª Vara da Comarca do município.

 

Romero, ex-marido de Raquel, foi condenado a 30 anos de prisão, em regime fechado. Já Rodrigo recebeu pena de  33 anos e 3 meses de reclusão em regime fechado.

 

Em ambos os casos, o júri aplicou a pena máxima prevista em lei para o crime de feminicídio.

 

Raquel foi assassinada com 34 facadas no dia 18 de julho de 2024, na chácara onde morava, na região de Pontal do Marape. O crime foi cometido por Rodrigo, que confessou a autoria.

 

Reação da família

 

Após a leitura da sentença, o pai da vítima, o deputado estadual Gilberto Cattani, afirmou que a decisão não repara a perda, mas representa uma resposta do Estado diante da gravidade do crime.

 

Segundo ele, o julgamento demonstrou o funcionamento do sistema de Justiça e o cumprimento dos papéis institucionais por todos os envolvidos no processo.

 

Marido negou e foi rebatido

 

De acordo com a acusação, o homicídio foi praticado a mando de Romero, que não aceitava o processo de divórcio com a ex-esposa.

 

Durante o julgamento, Romero negou ter encomendado a morte de Raquel e afirmou que o irmão teria cometido o crime por “raiva” dele. No entanto, não apresentou nenhuma explicação plausível para essa suposta motivação.

 

A versão foi rebatida pelo promotor de Justiça João Marcos de Paula Alves, do Ministério Público Estadual (MPE). Segundo ele, se analisado de forma isolada, o depoimento de Romero poderia induzir o público ao erro.

 

“Quem só ouvir a versão do Romero sai daqui abraçado com ele”, afirmou o promotor.

 

Na sequência, a acusação apresentou mensagens que, segundo o MPE, comprovam que Romero foi o mandante do assassinato. Em 4 de julho de 2024, ele teria enviado a seguinte mensagem por WhatsApp: “Vamos lá matar minha ex-mulher”.

 

Para o Ministério Público, a conversa evidencia a premeditação do crime e a união de vontades entre os irmãos para a execução do homicídio.

 

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