O deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) é alvo da Polícia Federal nesta manhã, em operação que investiga uma organização criminosa suspeita de desvio de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de dinheiro.
São cumpridos nove mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, na Bahia e no Distrito Federal. O gabinete de Mendonça Jr na Câmara não é alvo. Os agentes foram a endereços vinculados ao parlamentar, como sua residência em Brasília e Salvador, e a outros alvos. A nona fase da Operação Overclean da PF conta com o apoio da CGU (Controladoria Geral da União) e da Receita Federal.
A PF encontrou indícios de que Mendonça Jr. se valia de seu secretário parlamentar, Marcelo Chaves, para negociar pagamentos de propina. Investigadores apresentaram indícios, ao STF (Supremo Tribunal Federal), de que o deputado do PDT recebeu propina direta e indiretamente por alocar emendas a, no mínimo, três municípios da Bahia.
Propina teria sido paga em espécie. A PF apontou que o empresário Evandro Baldino do Nascimento —um dos membros da suposta organização criminosa investigada na Overclean— teria entregue dinheiro vivo para o parlamentar. O grupo atuava em contratos públicos na área de engenharia e limpeza.
Endereços são do deputado. Os nove endereços alvos de busca e apreensão são ligados ao deputado, como sua residência em Salvador e Brasília, sua casa de praia e seu escritório parlamentar na capital baiana.
Secretário parlamentar também foi alvo de bloqueio de bens. Como revelou o UOL em outubro do ano passado, Marcelo Chaves, segundo a PF, negociava propina com Evandro Baldino usando codinomes como "caloi", "platitas", "laplatina", "garfo", "soldas", "garrotes" e "praguinhas" para se referir a dinheiro.
Esquema usava emendas Pix. Em 2021, quando os prefeitos tomaram posse, uma empresa de serviços técnicos de engenharia ligada a Baldino ganhou contratos em Ibipitanga e Boquira, municípios que receberam emendas Pix do deputado.
Deputado era o "amigo", diz PF. Nos momentos em que os Marcelo e Evandro marcaram reuniões para pagar o "amigo", em 12 e 16 de setembro de 2024, Félix Mendonça estava em Salvador. Nas buscas realizadas no ano passado, investigadores encontraram mais elementos de que Félix recebeu dinheiro nessas datas, que justificaram as buscas realizadas hoje.
Prefeitos são investigados. Teriam recebido propina, também de acordo com a PF, o ex-prefeito de Paratinga Marcel José Carneiro de Carvalho (PT), o prefeito de Ibipitanga, Beto (PT), e o prefeito de Boquira, Alan França (PSB). Suas defesas negam as suspeitas.
Também foi determinado o sequestro de aproximadamente R$ 24 milhões, atingindo empresários, prefeitos e o secretário Marcelo Chaves. A PF informou, em nota, que o objetivo do bloqueio é "interromper a movimentação de valores de origem ilícita e preservar ativos para eventual reparação aos cofres públicos".
Os novos elementos apresentados pela PF fizeram com que o ministro Nunes Marques, relator do caso, autorizasse a operação de hoje. No final de junho do ano passado, o ministro do STF havia considerado que os indícios eram insuficientes para justificar uma busca contra o deputado.
Outro lado
A reportagem entrou em contato com o gabinete do deputado por telefone e e-mail e aguarda um posicionamento. No ano passado, Félix negou envolvimento no esquema.
Inquérito apura diversos crimes. Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro.
Operação Overclean investiga outros deputados. Por ora, além de Félix Mendonça, a PF já pediu diligências sobre os deputados Elmar Nascimento (União-BA), Dal Barreto (União-BA) e Vicentinho Junior (PP-TO) na Overclean.
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