Cuiabá, Domingo, 12 de Abril de 2026
REAÇÃO
30.11.2016 | 16h22 Tamanho do texto A- A+

Sindicato pede boicote a loja de empresário que criticou servidores

Gasparotto afirmou que funcionalismo público tem "privilégios" que não existem na iniciativa privada

Marcus Mesquita/MidiaNews

´Sindicalista pediu boicote à empresa de Paulo Gasparotto

´Sindicalista pediu boicote à empresa de Paulo Gasparotto

CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

A presidente do Sindicon (Sindicato dos Conciliadores de Defesa do Consumidor), Cristiane Vaz, está pedindo que servidores públicos do Estado façam um boicote à loja Decorliz, que atua no ramo de decoração e perfumaria em Cuiabá.

 

Em nota, a sindicalista repudiou uma declaração dada pelo proprietário da rede, Paulo Gaspartto – durante audiência na Assembleia para debater a reforma tributária do Estado, na terça-feira (30) -, em que ele criticou “privilégios” dos servidores públicos. 

 

O serviço público está ficando aristocrata. Está ficando extremante privilegiado

“Está muito difícil hoje para a população conviver com a aristocracia do serviço público. O serviço público está ficando aristocrata. Está ficando extremante privilegiado. Isso vem fazendo com que o gasto público tome proporções que todos os governos hoje estão em situação difícil. Alguns já pediram falência”, disse Gasparotto.

 

O empresário citou como exemplo o Estado de Mato Grosso em que, segundo ele, os sindicatos realizam greves em todos os setores, “botam a faca no pescoço dos governos e muitas vezes os governos não têm condição de não dar os aumentos que são reivindicados”.

 

Ainda de acordo com ele, o Executivo e a população vivem hoje “sob pressão permanente” do funcionalismo.

 

“Os sindicatos estão extremamente organizados, não cumprem nem a Constituição, porque são serviços essenciais em que não deveriam ter a greve. Bota multa para os sindicatos e eles não pagam. E ainda têm seus dias remunerados”, disse.

 

Gasparotto citou que, atualmente, 12% da população brasileira está desempregada. E, segundo ele, os milhões de brasileiros que estão sem trabalho são da iniciativa privada, já que muitas empresas estão fechando as portas.

 

Botam a faca no pescoço dos governos e muitas vezes os governos não têm condição de não dar os aumentos que são reivindicados

“Temos o sofrimento, a dor de dispensar um funcionário porque nós não conseguimos mais pagar. Quando se fecha um estabelecimento, nós deixamos de gerar renda para o Estado. O Estado devia se preocupar diuturnamente para não deixar fechar nenhuma empresa, ao invés de promover condições para que as empresas fechem”, afirmou.

 

“Nós temos que ajudar o Governo a combater esse corporativismo que está instalado dentro do serviço público brasileiro. O Brasil vem decrescendo 4% ao ano seu PIB [Produto Interno Bruto]. O Estado perde receita e temos que ofertar aumento. Será que os sindicatos não estão entendendo que não é o momento de pedir aumentos abusivos? É melhor ficar sem reposição do que ficar sem trabalho. É isso que está acontecendo dentro da iniciativa privada”, completou.

 

Corte em incentivos

 

A sindicalista Cristiane Vaz repudiou o empresário. “Primeiramente gostaria de lamentar que o nobre empresário não tenha minimamente estudado o tema para poder debater, pois, certamente, se tivesse feito, saberia que os servidores públicos foram as primeiras e maiores vítimas desse modelo de gestão atualmente imposto”, disse ela.

 

Cristiane afirmou que a indignação do empresário “talvez tenha sido motivada exclusivamente por sua empresa ter sido excluída do Programa de Incentivos Fiscais (Prodeic)”.

 

Segundo ela, Gasparotto agora terá que pagar impostos. “Como nós, servidores públicos, que sempre pagamos, sem incentivo”.

 

Conclamo, todos os servidores públicos a não realizar compras, especialmente no Natal, na loja Decorliz

“Conclamo, todos os servidores públicos a não realizar compras, especialmente no Natal, na loja Decorliz, pois na iminência de termos nossos salários congelados, devemos gastar nosso suado e digno salário com empresas que respeitam a nossa condição de trabalhadores”, afirmou.

 

Procurado pela reportagem, o empresário Paulo Gasparotto afirmou, por meio de sua assessoria, que prefere não comentar o caso.

 

Veja nota do sindicato na íntegra:

 

"Hoje a tarde ao chegar a Assembléia Legislativa de MT eu fui surpreendida com a notícia de que um empresário proprietário de uma das lojas de decorações mais caras de Cuiabá participou da audiência pública a respeito da reforma tributária e fez graves acusações contra os servidores públicos, imputando a nós, a responsabilidade da atual crise.

 

Primeiramente gostaria de lamentar que o nobre empresário não tenha minimamente estudado o tema para poder debater, pois, certamente, se tivesse feito, saberia que os servidores públicos foram as primeiras e maiores vítimas desse modelo de gestão atualmente imposto.

 

Deveria saber que os direitos dos trabalhadores estão inseridos no rol dos direitos sociais previstos na CF/88, e que lutamos pela manutenção de DIREITOS e não favores.

 

Talvez tal indignação tenha sido motivada exclusivamente por sua empresa ter sido excluída do Programa de Incentivos Fiscais - PRODEIC em 2016 e agora, precisará pagar impostos como nós, servidores públicos, que sempre pagamos, SEM INCENTIVO.

 

É lamentável que oportunidades como a de hoje, sejam desperdiçadas com a reprodução rasa e vazia de um discurso unilateral e infundado. Pois cá entre nós, ninguém acredita.

 

De toda forma, sugiro ou melhor conclamo, todos os servidores públicos a NÃO realizar compras, especialmente no Natal, na loja Decorliz, pois na iminência de termos nossos salários congelados, devemos gastar nosso suado e digno salário com empresas que respeitam a nossa condição de TRABALHADORES.

 

A luta! Cristiane Vaz - Pres. SINDICON/MT.

 

SERVIDORES PÚBLICOS NÃO COMPREM NAS LOJAS DECORLIZ!!!"

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COMENTÁRIOS
64 Comentário(s).

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tony  01.12.16 16h19
Faça uma conta rapida comigo ai seus alienados politicos, um deputado estadual, se não aumentou, recebe R$65.000 de verba indenizatória parlamentar, dessa fortuna não se abate imposto de renda, contribuição e não precisa efetuar a declaração, são 24 deputados estaduais, 24x65.000 = R$1.560.000,00 por mês, isso só uma verba, claro quem está quebrando o Estado, não retifico, quem está quebrando o Brasil são os servidores, visto que essa crise se alastra em vários Estados, tendo como bandido da novela os servidores, HÁ faz me rir...
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Marcia  01.12.16 16h02
Se essa moda pegar o Deputado Wilson Santos e atual secretário das Cidades vai amargar ter chamado os servidores públicos de vagabundos por ocasião da discussão do RGA. kkkkkk
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tony  01.12.16 15h58
Com toda certeza o caos do Brasil é culpa do funcionalismo publico, que recebe seu único salário, e não dos políticos que recebem seu salário + verba indenizatória + verba de gabinete + verba de moradia + verba alimentícia + verba combustível + propina em casos de corrupção... Que isso, a culpa é dos médicos e enfermeiros que trabalham nos prontos socorros caindo aos pedaços, sem nem luvas muitas vezes, sem remédios ou vacinas, a culpa é dos policiais que andam nas luxuosas viaturas sem gasolina, e as vezes não chegam nas ocorrências pq que eles não querem, a culpa são das diversos setores administrativos que as vezes tem que arcar com materiais de escritórios, e eu quero ver como vai ficar o comercio com todos os servidores economizando já que com as contas atrasadas estão pagando jurus, já que a alguns logistas já se manifestaram e disseram que quem banca parte do comercio são servidores...
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Stella   01.12.16 15h48
Os Sindicatos e Servidores tem o direito de não concordar com o empresário (que fez uma declaração legítima dentro de um Estado Democrático), mas não podem ser fascistas ao ponto de conclamarem tal atitude descabida aos seus. Lamentável!
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Chico Pinho  01.12.16 15h41
Finalmente, o empresario, disse a verdade. o travado serviço publico consome 70% do PIB do Brasil, Esta na hora de reformar e acabar com essa mordomia.
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