A Polícia Federal faz nesta quarta-feira (14) uma nova operação de busca e apreensão contra Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na investigação sobre suspeitas de fraude envolvendo a instituição financeira.
Agentes realizam buscas contra o ex-banqueiro, que cumpre prisão domiciliar em São Paulo. São 42 mandados de busca e apreensão nesta nova fase da operação, além de ordens de sequestro e bloqueio de bens no valor de R$ 5,7 bilhões.
São alvos endereços ligados a Vorcaro, a parentes dele e a empresários, incluindo João Carlos Mansur, ex-dono da Reag, gestora investigada no caso Master e suspeita envolvimento com o crime organizado, e o empresário Nelson Tanure. Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso quando se preparava para deixar o país, de jatinho, com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Ele foi solto horas depois.
Os mandados são cumpridos também em Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
A atuação de fundos de investimentos que teriam sido usados para inflar o patrimônio do Master é um dos focos desta etapa da investigação. Como revelou a Folha, o BC identificou seis fundos de investimento suspeitos de fazer parte do esquema de fraude capitaneado pelo ex-banqueiro.
Esta é a segunda fase da operação Compliance Zero. Na primeira etapa, Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, acusado de liderar um esquema que criou carteiras falsas de crédito para inflar o patrimônio do Master e, em seguida, vender a instituição financeira ao BRB (Banco de Brasília).
Polícia Federal
Apreensões ligadas às investigações no Banco Master
A defesa de Vorcaro disse que tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes e que todas as medidas judiciais determinadas serão atendidas com transparência. Em nota, os advogados afirmaram que ainda não tiveram acesso aos autos.
Até as 9h, a Polícia Federal havia apreendido R$ 200 mil em espécie com um dos alvos e R$ 97 com outro, além de carros de luxo, relógios e uma arma.
"O sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito."
Já Nelson Tanure é dono de empresas que tiveram valorização relâmpago com fundos de investimentos administrados pela Reag, gestora investigada no caso Master e suspeita envolvimento com o crime organizado. Ele também é acionista de fundos hospedados na Reag. A defesa de Nelson Tanure ainda não se manifestou.
Grande investidor do mercado brasileiro, Tanure é conhecido por apostar em empresas com dificuldades financeiras para reestrurá-las e vendê-las por um valor maior depois. O empresário adota uma linha mais arrojada nos investimentos, organizada por meio de fundos e estruturas societárias complexas.
Entre seus investimentos estão a Prio, antiga PetroRio, a incorporadora imobiliária Gafisa e a varejista Grupo Dia. No ano passado, Tanure fez uma oferta pela petroquímica Braskem.
A reportagem também tenta contato com Mansur da Reag.
As ações foram autorizadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O inquérito está sob responsabilidade do ministro Dias Toffoli, que atendeu a um pedido da defesa do Master para tirar o caso da primeira instância após a citação de um negócio imobiliário entre Vorcaro e o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA).
Segundo a PF, a nova fase da operação tem o objetivo de "interromper a atuação da organização criminosa, assegurar a recuperação de ativos e dar continuidade às investigações".
O objetivo desta nova fase, segundo autoridades que acompanham as investigações, é aprofundar a coleta de informações sobre os artifícios usados pelo Master ao longo dos anos para executar a fraude. Os alvos desta quarta-feira são os possíveis responsáveis pela criação dessa estrutura.
A Compliace Zero investiga os crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais.
Investigadores afirmam que o inquérito sobre as suspeitas de fraude praticada pelo Master na venda de carteira de crédito para o BRB poderá ser concluído rapidamente.
Integrantes da corporação que acompanham os trabalhos avaliam que já foram colhidas provas robustas para tirar conclusões sobre a participação de acusados no esquema. Um dos agentes diz, sob condição de anonimato, que essa parte da apuração pode ser finalizada após os depoimentos dos investigados, previstos para o fim de janeiro e o início de fevereiro.
O inquérito deve permanecer concentrado num escopo restrito, com foco na compra pelo Master de carteiras atribuídas à empresa Tirreno e a posterior tentativa de venda do banco de Daniel Vorcaro para o BRB. Os fatos dessa apuração são considerados "simples" pelos investigadores.
Na avaliação desses agentes, inquéritos sobre outras pontas da operação do Master, como a carteira de créditos consignados e eventuais conexões políticas do caso, poderiam ficar para um segundo momento.
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