O cantor espanhol Julio Iglesias, 82 anos, é alvo de denúncias de assédio sexual feitas por duas profissionais que prestaram serviços em sua residência no Caribe em 2021: uma empregada doméstica e uma fisioterapeuta.
O caso veio a público após uma investigação do jornal elDiario.es, realizada em parceria com a Univision Noticias.
Segundo o relato das denunciantes, identificadas com os nomes fictícios Rebeca e Laura para preservar suas identidades, os episódios incluem acusações graves, como estupro, agressões físicas, humilhações verbais e um cotidiano marcado por vigilância e controle excessivo.
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As duas afirmam que os abusos ocorreram com a ciência de pessoas responsáveis pela administração da casa e pela contratação dos funcionários.Para sustentar as denúncias, ambas reuniram um conjunto robusto de provas, entre elas fotos, mensagens de WhatsApp, registros telefônicos, documentos de viagem, laudos médicos e outros materiais.
De acordo com a investigação, as vagas eram divulgadas em redes sociais e tinham como alvo mulheres jovens, entre 25 e 35 anos, que aceitassem morar no local de trabalho.
As candidatas precisavam enviar fotos do rosto e do corpo inteiro, e a contratação era finalizada sem entrevistas presenciais.
As duas começaram a trabalhar durante a pandemia de Covid-19. Iglesias, segundo elas, usava o argumento do risco de contágio para restringir ou até impedir que as funcionárias saíssem da residência. As jornadas eram exaustivas, chegando a até 16 horas diárias, e as folgas só aconteciam após três meses consecutivos de trabalho.
Ainda nos primeiros dias, Rebeca e Laura relatam que passaram a ser submetidas a perguntas de cunho íntimo, além de investidas e toques não consentidos. A pressão para atender às demandas do cantor, segundo elas, não partia apenas dele, mas também de supervisoras, que incentivavam ou coagiam as funcionárias a aceitar as investidas.
O ambiente de trabalho era regido por regras rígidas: era proibido manter relacionamentos amorosos, fotografar áreas da casa, dos jardins ou da praia privada, além de conversar ou criar vínculos com outros funcionários. Os celulares também podiam ser exigidos por Iglesias para a verificação de fotos e mensagens.
Rebeca afirma que o primeiro pedido fora de suas atribuições foi a solicitação para massagear os pés do cantor. Depois, vieram convites para nadar juntos. Em um desses episódios, ela conta que usava um short sobre o biquíni, mas foi orientada pela governanta e pelo próprio Iglesias a retirá-lo. “Quando tirei, ele pediu que eu virasse de costas e comentou que eu tinha um bumbum muito bonito”, relatou.
Ela diz que, ao recusar manter relações com ele, passou a ser alvo de ofensas. “Ele me insultava, dizia que não fazia sentido eu não querer, que havia muitas modelos desejando ficar com ele”, afirmou.
Rebeca relata ainda que foi levada diversas vezes ao quarto do cantor, onde sofreu abusos mesmo após manifestar sua negativa. Segundo ela, os períodos de descanso só ocorriam quando a esposa de Iglesias estava presente em Punta Cana ou quando havia outra mulher na residência.
Laura, por sua vez, relata que foi beijada à força em um encontro inesperado no quarto do cantor. Em outra ocasião, ele teria sugerido que ela dormisse com ele e outro funcionário na mesma noite. Apesar das recusas, durante o jantar ele afirmou que a esperaria em seu quarto, comentário que depois tentou minimizar como uma brincadeira.
Com o tempo, Laura afirma ter percebido que a situação era mais grave do que imaginava. “O abuso verbal, físico e sexual era real e não acontecia só comigo. Eu conseguia dizer não, e em certa medida ele respeitava, mas havia meninas que não conseguiam. E com elas, ele fazia o que queria”, declarou.
Julio Iglesias não se pronunciou sobre as acusações até a publicação da investigação.
Fonte: https://istoe.com.br/julio-iglesias-e-acusado-de-assedio-sexual-por-ex-funcionarias
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