Cuiabá, Domingo, 8 de Fevereiro de 2026
PANCREATITE
08.02.2026 | 08h13 Tamanho do texto A- A+

Anvisa registra seis mortes associadas ao uso de canetas emagrecedoras

Dados apontam 225 casos, somando notificações de sistema da Anvisa e pesquisas clínicas

anilorax/freepik.com

Anvisa registra seis mortes suspeitas de pancreatite associadas ao uso de canetas emagrecedoras

Anvisa registra seis mortes suspeitas de pancreatite associadas ao uso de canetas emagrecedoras

RAQUEL LOPES
DA FOLHAPRESS

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) teve um aumento contínuo de notificações de casos suspeitos de pancreatite associada ao uso de canetas emagrecedoras no Brasil em 2020 a 2025. No total, foram seis mortes suspeitas. O dado foi revelado pelo G1 e confirmado pela Folha.

 

As notificações de casos e mortes envolvem medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, usados no tratamento de diabetes e obesidade, como semaglutida, liraglutida, lixisenatida, tirzepatida e dulaglutida.

 

A agência reguladora explicou, por nota, que recebeu ao menos 145 notificações de suspeitas de pancreatite associadas ao uso de canetas emagrecedoras entre 1º de janeiro de 2020 e 7 de dezembro de 2025, segundo dados do sistema VigiMed, voltado ao monitoramento de eventos adversos relacionados a medicamentos no país.

 

Segundo os dados do sistema, em 2020 foi registrado apenas um caso, número que subiu para 21 em 2021 e 23 em 2022. Já em 2023, as notificações chegaram a 27 e avançaram para 28 em 2024. Já em 2025, houve novo salto, com 45 registros, o maior volume da série histórica.

 

Do total de registros, seis notificações indicam desfecho suspeito de óbito, conforme informado pelos próprios notificadores. A Anvisa, no entanto, não informou em quais anos, entre 2020 e 2025, essas mortes teriam ocorrido.

 

De acordo com a agência, quando são incluídas também notificações provenientes de pesquisas clínicas, o número total de registros de suspeita de pancreatite sobe para 225 casos no período analisado. No entanto, a Anvisa não informou a data de quando são essas pesquisas.

 

Segundo a agência, a possibilidade de pancreatite já consta nas bulas desses medicamentos no Brasil, como evento adverso conhecido.

 

A Elly Lilly disse, em nota, que a bula de Mounjaro (tirzepatida) adverte que a inflamação do pâncreas (pancreatite aguda) é uma reação adversa incomum e aconselha os pacientes a conversarem com seu médico para obter mais informações sobre os sintomas de pancreatite e informar o médico e interromper o tratamento em caso de suspeita de pancreatite durante o tratamento com Mounjaro.

 

"Levamos a sério os relatos sobre a segurança do paciente e monitoramos, avaliamos e relatamos ativamente as informações de segurança de todos os nossos medicamentos", disse, em nota.

 

A Anvisa reforça que a notificação de um evento adverso não significa comprovação de relação direta com o medicamento, mas é considerada uma ferramenta para o acompanhamento da segurança de produtos em uso pela população.

 

A agência reguladora afirma que pode haver mais casos. "É importante lembrar que nem todas as informações são relatadas pelo notificador, como por exemplo o nome comercial. Portanto, quando são codificadas somente pelo nome do princípio ativo não aparecem no painel quando a busca é realizada por nome comercial", explicou à agência.

 

Os casos de suspeita de pancreatite relacionados a canetas emagrecedoras também acontecem em outros países. Como mostrou a Folha, em janeiro o Reino Unido afirmou que alguns pacientes morreram em decorrência de inflamação grave do pâncreas associada a medicamentos para obesidade e diabetes.

 

A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA, na sigla em inglês) afirmou que médicos e pacientes devem estar cientes de que alguns episódios foram particularmente severos, ao reforçar o alerta sobre o uso desses medicamentos.

 

Especialistas ouvidos na reportagem sobre o caso do Reino Unido dizem que o risco de desenvolver pancreatite em pessoas que fazem uso desses medicamentos é baixo.

 

Segundo Célio Geraldo de Oliveira Gomes, gastroenterologista da Rede Mater Dei de Saúde e do Instituto Alfa de Gastroenteologia do Hospital das Clínicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), a hipótese para essa associação tem relação com "uma estimulação anormal das células do pâncreas, alterando a secreção e a composição das enzimas digestivas".

 

Os efeitos dessa classe de medicamentos no pâncreas são uma preocupação desde o início dos estudos clínicos há 20 anos, afirma Bruno Halpern, vice presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica) e diretor do Departamento de Obesidade da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

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