A semana foi marcada pelo desentendimento entre o governador Mauro Mendes (União Brasil) e o ex-governador Pedro Taques (PSB). De acordo com Mendes, ele tenta aplicar um “golpe eleitoral” para ganhar projeção, ao denunciar um acordo entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi S.A..

O governador afirmou que Taques está tentando melhorar a sua reputação perante a opinião pública e os eleitores.
"Talvez doa muito nele hoje por inveja, uma pessoa invejosa, uma pessoa maldosa. E todo mundo que o conhece sabe disso, que ele tem esses predicados negativos. E ele resolveu fazer ataques que não têm o menor fundamento", afirmou Mendes.
Outro destaque foi a crítica do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), na última segunda-feira (2), sobre o partido MDB possivelmente ser relacionado, novamente, à Prefeitura, considerando que a sua vice, coronel Vânia Rosa, deixou o Partido Novo para o MDB.
Apesar de não comentar diretamente sobre a mudança de partido da vice, Abilio afirmou que, se depender dele, o MDB não volta a comandar Cuiabá.
Resposta de Mendes à Taques
O governador Mauro Mendes (União Brasil) acusou o ex-governador Pedro Taques (PSB) de tentar aplicar um “golpe eleitoral” ao questionar o acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi S.A. Segundo Mendes, as denúncias têm motivação eleitoral e buscam dar projeção política ao adversário.
Reprodução/Instagram
Ex-governador Pedro Taques
Mendes citou o desempenho do ex-governador em eleições recentes para sustentar a falta de credibilidade. Também declarou que sua gestão herdou dívidas de R$ 3,9 bilhões do governo anterior.
“Pedro Taques saiu do Governo do Estado de Mato Grosso como um dos piores governador da nossa história”, disse.
O governador disse ainda que irá processar Taques por ataques pessoais envolvendo ele e sua família, afirmando que o ex-governador “vai pagar caro” pelas acusações. Ambos são apontados como possíveis candidatos a uma vaga no Senado Federal nas próximas eleições.
Em nota, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) saiu em defesa do acordo com a Oi e classificou as denúncias como fruto de má-fé processual e desvio de finalidade, com possível objetivo eleitoral. O órgão afirmou que o acordo gerou economia de quase R$ 300 milhões aos cofres públicos e evitou o bloqueio imediato de valores do Estado.
A PGE rebateu as alegações de irregularidades, sustentando que a ação da Oi não estava fora do prazo legal e que o pagamento não precisava seguir a ordem de precatórios. Também defendeu o sigilo do procedimento e destacou que o acordo foi homologado pela Justiça, com órgãos de controle apontando inexistência de indícios de irregularidades.
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Críticas de Abilio ao MDB
Victor Ostetti/MidiaNews
Prefeito Abilio Brunini e vice-prefeita, Vânia, durante campanha eleitoral
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou, nesta segunda-feira, que não permitirá, “no que depender dele”, que o partido MDB volte a comandar a Prefeitura de Cuiabá. A declaração ocorreu após a vice-prefeita Vânia Rosa deixar o Partido Novo e se filiar ao MDB, e considerando que ela está na linha sucessória do Executivo municipal em caso de eventual afastamento do prefeito.
Abilio evitou comentar diretamente a decisão de Vânia, mas afirmou que sua possível licença do cargo durante o período eleitoral, antes cogitada para apoiar a candidatura da primeira-dama Samantha Iris (PL) à Assembleia Legislativa, ainda está em avaliação. Segundo ele, a decisão dependerá do cenário político e das demandas administrativas da prefeitura.
Ao ser questionado sobre declarações de lideranças do MDB, o prefeito endureceu o tom e classificou a sigla como um “péssimo partido”, afirmando que não o representa por integrar a base de apoio do presidente Lula (PT).
Abilio também associou o MDB às gestões do ex-prefeito Emanuel Pinheiro, marcadas por denúncias de corrupção, e citou o deputado federal Emanuelzinho, filho do ex-prefeito, que permanece na legenda.
A filiação de Vânia Rosa ao MDB a aproxima de adversários do atual prefeito e pode redefinir sua posição no cenário político local, com possíveis impactos sobre sua trajetória política.
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Investigador é indiciado por estupro de detenta
A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu preventivamente, neste domingo (1), o investigador Manoel Batista da Silva, de 52 anos, lotado na Delegacia de Sorriso, suspeito de estuprar uma mulher que estava presa na unidade. A prisão foi decretada pela Justiça após investigações conduzidas pela própria delegacia, que apurou denúncia de violência sexual ocorrida no interior do prédio policial.

Segundo a Polícia Civil, o inquérito foi instaurado em dezembro de 2025, logo após a comunicação do crime ao Ministério Público. Exames periciais confirmaram a compatibilidade do material genético encontrado na vítima com o DNA do investigador. Diante dos indícios, a corporação solicitou a prisão preventiva, além de busca e apreensão, com recolhimento de arma, munições e algemas do servidor.
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Manoel Batista da Silva, investigador indiciado (detalhe) e delegada Laíssa Crisóstomo de Paula Leal
De acordo com a defesa da vítima, o policial teria cometido quatro estupros entre a noite de 9 e a manhã de 10 de dezembro de 2025, retirando a mulher da cela e levando-a a uma sala vazia da delegacia. A nota afirma ainda que o investigador teria ameaçado a vítima, dizendo que mataria sua filha caso ela denunciasse os abusos.
“Foram 4 estupros entre o início da noite do dia 9/12/2025 e o amanhecer do dia 10/12/2025. No modus operandi, o policial retirava a vítima da cela e a levava para uma sala vazia. Nas quatro ocasiões, o abusador ameaçou a vítima para que ela ficasse quieta e calada, senão mataria sua filha menor”, consta na nota.
A delegada responsável pelo caso, Laíssa Crisóstomo de Paula Leal, afirmou que outras detentas foram ouvidas e que a investigação seguiu todos os protocolos, ressaltando que a instituição não é conivente com desvios de conduta. A Corregedoria-Geral da Polícia Civil acompanha o caso e aguarda o envio dos autos para adoção das medidas administrativas cabíveis.
Em manifestação favorável à prisão, o promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino classificou a conduta como “absolutamente inadmissível”, afirmando que o crime representa grave quebra de confiança institucional e risco à ordem pública. Para o Ministério Público, o abuso ocorreu em contexto de total vulnerabilidade da vítima, sob custódia do Estado.
Após audiência de custódia, a prisão preventiva foi mantida. A Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou o investigador pelos crimes de estupro e abuso de autoridade. O procedimento foi encaminhado ao Judiciário e ao Ministério Público para o prosseguimento da ação penal.
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Alta do Etanol em Cuiabá
O preço do etanol voltou a subir em Cuiabá nesta semana e mantém uma sequência de altas que tem gerado insatisfação entre os consumidores. Em pouco mais de dois meses, o valor médio passou de R$ 4,38, em novembro de 2025, para cerca de R$ 4,80 no início de fevereiro, alta de 9,36%, com registros que chegam a R$ 5,19 em alguns postos da Capital.
Victor Ostetti/MidiaNews
Etanol sobre novamente e consumidores reclamam do preço
Motoristas ouvidos relataram impacto direto no orçamento, especialmente aqueles que dependem do veículo para trabalhar. O motorista de aplicativo Denis Santos afirmou que a alta do combustível reduziu sua renda diária em até 33,3%, obrigando-o a ampliar a jornada de trabalho para compensar as perdas. Segundo ele, o lucro médio caiu de R$ 300 para até R$ 200 por dia, com necessidade de trabalhar até 15 horas.

“Esse aumento, eu acho que ele está vindo já tem mais de dois meses. Afeta muito o dia a dia de quem trabalha de aplicativo. O nosso lucro está indo lá embaixo por conta do combustível. Está difícil, não está fácil, não”, afirmou.
O comerciante Edson Luiz relatou surpresa com os reajustes, afirmando que o preço subiu de um dia para o outro. Ele estima que o impacto no valor final do abastecimento semanal seja de ao menos R$ 15.
Ambos os consumidores questionaram os aumentos, especialmente pelo fato de Mato Grosso ser um dos maiores produtores de etanol do país.
O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Mato Grosso (Sindipetróleo) informou que a alta do diesel pode influenciar indiretamente o preço do etanol, devido ao custo do frete, mas atribuiu o reajuste mais recente ao aumento repassado pelas usinas. Dados do Cepea indicam alta de 3,15% no preço do etanol no atacado em janeiro.
Já o Procon afirmou que, até o momento, não recebeu denúncias formais sobre o tema, embora monitore os preços praticados por 45 postos na Capital.
O MidiaNews tentou contato com os responsáveis pelos postos de combustíveis visitados, mas não obteve retorno ou autorização para posicionamento.
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Justiça manda empresário e esposa indenizar cliente
A Justiça de Mato Grosso condenou os empresários Marcelo Sixto Schiavenin, sua esposa Thays Fernanda Dalavalle e a empresa SportCars, falida em 2019, a indenizar o cliente Belchior Prestes Dallagnol em R$ 130 mil, valor que atualizado chega a cerca de R$ 290 mil. A decisão foi proferida pela juíza Olinda de Quadros Altomare, da 11ª Vara Cível de Cuiabá, na última terça-feira (3).
Segundo os autos, Belchior procurou a SportCars, em dezembro de 2018, para vender uma caminhonete Mitsubishi L200 Triton, avaliada em R$ 130 mil. O negócio previa a venda financiada à Imobiliária Paiaguás, e o proprietário chegou a assinar o Documento Único de Transferência (DUT), mas nunca recebeu qualquer pagamento pelo veículo.
Reprodução
Marcelo Sixto Schiavenin e Thays Fernanda Dalavalle
Posteriormente, o cliente descobriu que a SportCars havia encerrado suas atividades de forma irregular e era alvo de denúncias por golpes semelhantes, com apropriação de veículos e valores de diversos clientes. Diante disso, ele acionou a Justiça pedindo a nulidade do negócio, a restituição do bem ou o pagamento do valor correspondente, além de multas de trânsito geradas após a entrega do veículo.
A Imobiliária Paiaguás alegou ilegitimidade passiva e afirmou que o negócio foi desfeito por problemas na transferência do automóvel. A magistrada reconheceu a nulidade da transferência registrada em nome da imobiliária, mas afastou sua responsabilidade financeira, entendendo que não houve prova de conluio fraudulento. Já os empresários e a SportCars não apresentaram contestação.
Na decisão, a juíza destacou que ficou comprovado que o autor foi vítima de fraude praticada pelos sócios da SportCars, caracterizando ato ilícito doloso. Diante da impossibilidade de reintegração do veículo, a magistrada converteu a obrigação em perdas e danos, fixando a indenização em R$ 130 mil, além do ressarcimento de multas e IPVA pagos pelo cliente.
A sentença também condenou os empresários ao pagamento dos custos processuais e honorários advocatícios fixados em 10% do valor da condenação. A SportCars, que atuava na compra e venda de veículos de luxo, fechou as portas em março de 2019 após pedir autofalência, deixando um passivo superior a R$ 11 milhões e sendo alvo de diversos boletins de ocorrência por golpes envolvendo carros consignados.
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Operação mira ex-presidente e assessores
A Polícia Civil deflagrou, nesta sexta-feira (6), a terceira fase da Operação Short Code, que tem como alvos o ex-presidente da Unimed Cuiabá, Rubens Oliveira; o ex-consultor executivo Eroaldo de Oliveira; o ex-marqueteiro Maurício Coelho; e o programador de sistemas José Xavier. A investigação apura crimes cibernéticos e crimes contra a honra da atual diretoria da cooperativa médica.
As medidas cautelares foram cumpridas em Cuiabá e nas cidades de Aparecida de Goiânia e Morrinhos, em Goiás, com apoio da Polícia Civil goiana. Entre as determinações judiciais estão a proibição de contato e comunicação entre os investigados, além da desativação de redes sociais e de um site criado para difundir ataques à Unimed e a seus dirigentes.
Montagem
Alvos da Polícia Civil: Rubens Oliveira, Eroldo de Oliveira e Maurício Coelho
As ordens também vedam a criação de novos sites, perfis ou publicações — diretas ou indiretas — envolvendo a cooperativa, sob pena de multas que podem chegar a R$ 300 mil, além de sanções individuais por postagem. As medidas foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias da Comarca de Cuiabá.
A reportagem apurou que a investigação apontou que o suposto esquema de disparos de mensagens em massa e disseminação de conteúdos difamatórios teria sido idealizado por Rubens Oliveira e Eroaldo de Oliveira. Já a execução ficaria a cargo de Maurício Coelho e José Xavier, por meio do uso de “short codes” e manutenção de sites e perfis em redes sociais.
De acordo com o delegado responsável pela investigação, Sued Dias da Silva Júnior, esta foi a última fase da investigação, e que o inquérito deve ser concluído em breve.
“A realização dos interrogatórios pendentes e o relatório final do inquérito policial serão concluídos nos próximos dias, cujo procedimento será remetido ao Ministério Público para eventual propositura de denúncia criminal contra os autores identificados, a fim de responderem à ação penal perante o Poder Judiciário”, disse.
As apurações tiveram início em 2024, após a identificação de um site falso que divulgava informações consideradas inverídicas contra a Unimed Cuiabá e seus gestores.
Posteriormente, a polícia identificou uma estrutura organizada responsável pelo envio massivo de mensagens SMS com conteúdo difamatório direcionadas a médicos cooperados.
A primeira fase da operação foi deflagrada em junho de 2025, com o cumprimento de ordens judiciais em Mato Grosso e Goiás. Na ocasião, foi identificada a utilização de serviços de mensagens em massa para atrair cooperados a acessar conteúdos anônimos com acusações contra a atual gestão da Unimed.
Já a segunda fase ocorreu em setembro de 2025, quando a Justiça determinou o bloqueio nacional de um site e a remoção de perfis em redes sociais usados nos ataques.
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