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MERCADO FINANCEIRO; VÍDEOS
08.02.2026 | 09h30 Tamanho do texto A- A+

Economista vê mato-grossenses menos “conservadores” e dá dicas

Núbia Selhorst orienta que ao menos 5% da renda mensal seja destinada a investimentos

Yasmin Silva/MidiaNews

A economista e assessora de investimentos Núbia Selhorst, que deu dicas do mercado financeiro

A economista e assessora de investimentos Núbia Selhorst, que deu dicas do mercado financeiro

ANDRELINA BRAZ
DA REDAÇÃO

As transformações no mercado financeiro vêm mudando a forma como os mato-grossenses investem. Tradicionalmente mais conservadores, com foco na aquisição de bens e propriedades, eles passaram a demonstrar maior interesse por alternativas no mercado financeiro, incluindo a bolsa de valores. A avaliação é da economista e assessora de investimentos Núbia Selhorst.

 

Com os recursos excedentes e os retornos oriundos desses negócios, eles começaram a pensar em diversificar

Em entrevista ao MidiaNews, a especialista afirmou que o perfil do investidor em Mato Grosso acompanha o contexto histórico, econômico e social vivido pelo Estado. Em períodos de crescimento, a compra de imóveis, terras e outros bens era vista como sinônimo de segurança e previsibilidade.

 

Com a evolução da economia e o fortalecimento do agronegócio, esse comportamento começou a mudar. O investidor passou a adotar uma postura mais analítica e moderada, buscando diversificação e novas frentes de negócio.

 

“Com o aumento dos recursos excedentes e os retornos obtidos nesses negócios, surgiu a necessidade de diversificar. No início, o dinheiro permanecia por muito tempo parado no banco. Depois, veio a busca por assessoria especializada, para que esses recursos passassem a render de forma mais eficiente”, explicou Núbia.

 

Embora o perfil possa variar entre conservador, moderado ou arrojado, conforme os objetivos e a tolerância ao risco, a economista destacou que informação, estudo e acompanhamento profissional são fundamentais para decisões mais seguras.

 

“Esse serviço de consultoria existe justamente para caminhar ao lado do investidor desde o início e ao longo de toda a vida financeira”, afirmou. 

 

Com o suporte profissional, o investidor consegue avaliar riscos, oportunidades e barreiras de cada aplicação, aumentando as chances de atingir seus objetivos no planejamento financeiro.

 

“O mercado oferece um universo enorme de dados e produtos. O papel da assessoria é direcionar, personalizar estratégias e acompanhar se aquilo que foi planejado está, de fato, sendo executado ao longo do tempo”, ressaltou.

 

 

 

 

Planejamento financeiro é o ponto de partida

 

Para Núbia , o planejamento financeiro é decisivo para o sucesso dos investimentos. “O desenho do perfil do investidor é o que vai nortear a escolha dos produtos”, explicou.

 

Ela recomendou que o processo comece com organização e análise detalhada das finanças pessoais. “Não se trata de reinventar tudo, mas de conhecer sua realidade financeira. É sentar, olhar o cartão de crédito, dívidas, empréstimos e financiamentos. Primeiro, é preciso entender quanto isso consome da renda mensal". 

 

A partir desse diagnóstico, a economista orienta que ao menos 5% da renda mensal seja destinada a investimentos, como forma de garantir segurança financeira no futuro. O ideal, segundo ela, é alcançar 20% da renda aplicada, mas sem comprometer o orçamento familiar.

 

“Na literatura financeira, o recomendado é investir 20% da renda. No Brasil, porém, há grande disparidade salarial. Por isso, o primeiro passo é pensar em como aumentar a renda: se qualificar, se especializar e agregar valor ao trabalho. Mesmo assim, pelo menos 5% deve ser destinado a você mesmo, pensando no futuro”, orientou. 

 

Yasmin Silva/MidiaNews

Núbia Selhorst

"Na literatura financeira, o recomendado é investir 20% da renda", disse a economista Núbia Selhorst

Onde investir: opções e estratégias

 

Com o perfil definido e os objetivos claros, a escolha dos produtos se torna mais assertiva. Núbia destacou que hoje o investidor tem acesso a diversas opções, como Tesouro Direto, Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e fundos de investimento.

 

Ela explicou que o mercado se divide basicamente entre renda fixa e renda variável. “Na renda fixa, há previsibilidade: você sabe desde o início quanto vai ganhar. Já na renda variável, os resultados dependem de fatores macroeconômicos.”

 

Os investimentos podem ser feitos de forma direta — como CDBs, títulos públicos, LCI (Letra de Crédito Imobiliário), LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e ações — ou de forma indireta, por meio de fundos de investimento.

 

Segundo a economista, os fundos permitem uma diversificação que, muitas vezes, o investidor sozinho não conseguiria alcançar.

 

“Eles dão acesso a ativos como ouro, ações internacionais, imóveis e setores específicos, além de contar com gestão profissional". 

 

“O fundo traz flexibilidade, diversificação e acesso a produtos que o investidor individual dificilmente teria, além de uma gestão que ajusta a alocação conforme o perfil e os objetivos definidos”, complementou.

 

 

 

 

Juros altos, oportunidades e segurança

 

Hoje é possível saber quanto se vai ganhar e esse retorno é relevante. Com menor volatilidade, a renda fixa oferece ganhos atrativos

Para Núbia, o atual cenário econômico oferece boas oportunidades, especialmente por conta dos juros elevados. “Hoje é possível saber quanto se vai ganhar e esse retorno é relevante. Com menor volatilidade, a renda fixa oferece ganhos atrativos". 

 

Sobre a liquidação e investigação do Banco Master, instituição que também atuava como corretora, a economista afirmou que episódios como esse não devem gerar pânico, mas reforçar a importância de um sistema financeiro sólido e transparente.

 

“Com um sistema eficiente e a democratização da informação, situações assim são identificadas rapidamente, reduzindo riscos. Quanto mais informação e concorrência no mercado, mais rápido os problemas são corrigidos”. 

 

 

 

Diversificar é proteger o patrimônio

 

Para finalizar, Núbia reforçou que diversificação e acompanhamento profissional são essenciais para a segurança dos investimentos.

 

“Quando diversificamos, reduzimos riscos. Nos protegemos tanto de uma eventual quebra de instituição quanto das oscilações do mercado. Assim, o investidor aumenta as chances de obter retornos mais seguros e consistentes ao longo do tempo”, concluiu. 

 

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