O verão se aproxima e, com ele, a velha corrida contra o tempo para alcançar o chamado “corpo ideal”. Às vésperas do Carnaval, cresce a busca por dietas milagrosas, treinos exaustivos e restrições severas, numa tentativa de transformar o corpo em poucas semanas.

Para a nutricionista Natalia Ost, esse comportamento não é novidade e se repete ano após ano, sempre com os mesmos riscos à saúde. Segundo a especialista, o período do verão costuma levar as pessoas a extremos na relação com a alimentação.
De um lado, há quem adote dietas altamente restritivas para emagrecer rápido; de outro, quem relaxe completamente a rotina alimentar durante férias e festas, para depois lidar com culpa e frustração.
“Eu acho que, nesse momento do verão, as pessoas tendem a ser meio extremas: ou fazem dietas muito restritivas para alcançar o corpo que desejam em um período muito curto de tempo, ou adotam o pensamento de que ‘estou de férias, o verão está chegando, quero me deixar livre’”, afirmou em entrevista ao MidiaNews.
Esse vai e vem entre exagero e privação acaba formando um ciclo difícil de romper. A nutricionista explicou que o ganho de peso rápido, seguido de dietas radicais, reforça uma relação desequilibrada com a comida e com o próprio corpo.

Muitas vezes, o processo termina em desistência, efeito sanfona e impactos físicos e emocionais que vão muito além da estética. Para a profissional, o erro está na ideia de que o corpo do verão pode ser construído às pressas.
“O 'corpo do verão', como dizem, deveria ocorrer durante o ano inteiro. Como um projeto, com preparação. Não poucos meses antes”, declarou.
Ela destacou que mudanças reais e sustentáveis exigem planejamento contínuo, acompanhamento profissional e paciência, algo que vai na contramão da cultura do resultado imediato.
Do ponto de vista nutricional, dietas perigosas são aquelas que cortam drasticamente calorias e nutrientes essenciais. A ausência de equilíbrio entre carboidratos, proteínas e gorduras pode causar indisposição, estresse, falta de energia e até deficiências nutricionais. Além disso, são estratégias difíceis de manter a longo prazo e que frequentemente levam ao abandono.

A nutricionista alertou ainda para a falsa sensação de emagrecimento promovida por algumas dietas da moda.
“A gente acha que perder peso é necessariamente perder gordura e isso é errado. A maioria das dietas da moda é sempre restrição de carboidrato. Se você reduzir o carboidrato, as reservas de glicogênio muscular vão começar a ser utilizadas, vai ocorrer uma desidratação que vai fazer com que você perca peso. Peso, não gordura corporal”, explicou.
Em muitos casos, a perda rápida na balança está ligada à desidratação e ao esvaziamento dos estoques de glicogênio, especialmente em dietas com restrição de carboidratos, e não à redução real de gordura corporal.

Outro ponto de atenção é o impacto dessas práticas no comportamento alimentar. Restrições severas aumentam o risco de compulsão e diversos transtornos alimentares.
“É extremamente perigoso. A gente não está falando aqui só dessa questão nutricional, mas até mesmo do comportamento alimentar”, ressaltou Natalia.
As redes sociais também têm papel central na disseminação dessas dietas extremas. Para a nutricionista, embora possam ser aliadas na divulgação de informação, elas acabam amplificando padrões irreais e conteúdos sem respaldo técnico.
“A rede social, ao mesmo tempo que ela pode ser um aliado, trazer informações importantes, é também um meio de propagar essas notícias falsas, essas informações falsas na nutrição”, disse.
Entre as tendências mais comentadas atualmente está a dieta carnívora, baseada no consumo excessivo de proteínas de origem animal e na exclusão de carboidratos, frutas e vegetais. Natalia faz um alerta claro sobre os riscos.

A nutricionista explicou que o consumo excessivo de proteína, quando não acompanhado de gasto energético adequado, não é aproveitado pelo organismo para a construção muscular e pode acabar sendo convertido em gordura corporal.
“A proteína em excesso, principalmente de origem animal, ultrapassa as recomendações de gordura saturada”, afirmou, destacando que não há como recomendar protocolos tão restritivos sem acompanhamento profissional.
A especialista ainda chamou atenção para o funcionamento do organismo diante de restrições severas. Quando o corpo percebe a falta de energia, entra em estado de alerta e desacelera o metabolismo, dificultando ainda mais o emagrecimento.
O resultado costuma ser o efeito contrário ao esperado, com maior facilidade para recuperar o peso perdido quando a alimentação volta ao normal.
Além dos impactos físicos, a pressão estética também interfere de forma diferente na relação de homens e mulheres com o próprio corpo e com a alimentação.

Homens e mulheres são afetados de formas distintas por essa pressão, mas ambos correm riscos semelhantes.
Enquanto muitas mulheres recorrem à restrição extrema para emagrecer, homens podem cair em excessos alimentares e treinos intensos, movidos pela busca de um corpo musculoso. Em ambos os casos, o desequilíbrio compromete a saúde física e mental.
“O corpo do verão, ele demora para aparecer, você tem que construir ele durante o ano e não faltando pouco tempo”, afirmou.
Para ela, o caminho mais seguro é investir no básico, com constância, acompanhamento profissional e foco na saúde, entendendo que resultados duradouros não surgem do dia para a noite.
Entre no grupo do MidiaNews no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).
|
0 Comentário(s).
|