Aliados de Tarcísio de Freitas (Republicanos) apostam na atuação dele e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) pela prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL) para reabilitar a candidatura presidencial do governador de São Paulo.
Apesar de o ex-presidente ter indicado o filho mais velho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como seu representante na disputa eleitoral deste ano, um grupo do entorno do governador avalia que a situação ainda pode mudar.
Na quinta-feira (15), Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), transferiu Bolsonaro para o batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal conhecido como Papudinha, o que foi considerado uma vitória por bolsonaristas. Eles destacam que o objetivo final ainda é o regime domiciliar.
O ex-presidente estava preso em casa até novembro, quando admitiu uma tentativa de violar sua tornozeleira eletrônica e foi transferido para uma sala na Superintendência da Polícia Federal.
A transferência para a Papudinha, junto ao complexo da Papuda, ocorreu horas após Moraes ter recebido Michelle. A ex-primeira-dama e Tarcísio conversaram também com outros ministros para pressionar pela prisão domiciliar.
Integrantes do STF relataram nos bastidores que a conversa que a ex-primeira-dama teve com pelo menos um ministro foi positiva e que ela levou informações importantes sobre a saúde de Bolsonaro.
Chamou atenção o fato de ela ter levado um memorial, nome dado a documento detalhado com informações sobre o caso, robusto com detalhes sobre a situação do marido e ter se portado de maneira cordial.
Ainda que Moraes resista a conceder o benefício ao ex-presidente, aliados de Tarcísio apostam que possa haver uma pressão de outros ministros para convencer o relator a recuar.
Segundo bolsonaristas pró-Tarcísio, esse esforço serviria à estratégia de convencer Bolsonaro a retirar a candidatura de Flávio e endossar a do governador —que é preferido por parte do centrão e do mercado financeiro por ser considerado mais competitivo contra Lula (PT).
Interlocutores de Tarcísio e Michelle negam haver interesse eleitoral no movimento. Eles dizem que ambos têm preocupação com a saúde debilitada de Bolsonaro, que caiu e bateu a cabeça enquanto estava preso na PF.
Da mesma forma, entusiastas da candidatura de Flávio afirmam que nem a prisão domiciliar poderia demover Bolsonaro de apoiar o filho. Na visão deles, não há possibilidade alguma de o senador desistir de concorrer ao Planalto.
Ainda de acordo com aliados do senador, a articulação de Tarcísio pode ser um tiro no pé caso sugira aos eleitores que ele está conspirando contra a escolha do ex-presidente.
Um líder do centrão diz que a candidatura de Flávio está consolidada e que relacionar as condições de prisão à candidatura presidencial seria uma teoria conspiratória. Para outro dirigente, ainda há tempo para mudança de cenário.
Parlamentares bolsonaristas afirmam que Michelle prefere a candidatura de Tarcísio e lembram que ela até compartilhou um post da esposa do governador sobre um novo CEO para o Brasil. Nesse cenário, a aproximação entre eles teria o objetivo de que a ex-primeira-dama fosse candidata a vice na chapa.
Para políticos ouvidos pela reportagem, o público bolsonarista pode atribuir a melhora nas condições de prisão de Bolsonaro —que agora está em uma cela maior e com mais estrutura— à atuação de Tarcísio e, principalmente, de Michelle.
"Parabéns a Michelle e Tarcísio! Souberam articular para tirar Bolsonaro da PF para um lugar melhor . Certas vitórias se conquistam por etapas", escreveu o pastor Silas Malafaia em rede social.
Perfis de apoio a Tarcísio nas redes exaltaram a dupla.
Michelle escreveu, na sexta (16) em suas redes sociais, que o estado de saúde de Bolsonaro demanda que ele esteja em casa, sendo cuidado pela família. Ela também rebateu a versão de que estivesse agindo politicamente ao buscar Moraes.
"Para mim, a família está acima de qualquer narrativa, acima de qualquer conveniência política. Aqueles que também amam e defendem o meu amor, o nosso líder, peço que não me levem ao tribunal do julgamento pessoal, que não se apressem em me julgar ou a criar rótulos de conotação política."
Outro filho de Bolsonaro, Carlos Bolsonaro (PL), que já teve desavenças com a madrasta, insinuou em suas redes que há uma tentativa de medir forças com o ex-presidente.
"Tenho convicção absoluta, diante dos fatos mais recentes, de que o objetivo jamais foi medir forças com os filhos de Jair Bolsonaro. Isso sempre foi apenas a superfície do jogo. O verdadeiro intento, ainda que de forma dissimulada, é medir forças com o próprio Jair Bolsonaro", escreveu.
Aliados de Tarcísio que defendem sua candidatura dizem que essa articulação da dupla pela prisão domiciliar não é necessariamente uma moeda de troca eleitoral. A expectativa, porém, é a de que tanto o governador como Michelle alcancem mais prestígio do que Flávio ante o ex-presidente —o que poderia fazê-lo mudar de ideia em relação à eleição.
O empresário Filipe Sabará, que integra o time de Flávio na pré-campanha, disse à Folha que há uma tentativa de tirar o senador da disputa.
"De um lado, uma carta, escrita de próprio punho por Jair Bolsonaro, maior líder da direita, contendo uma missão ao seu filho mais velho. De outro, uma ‘forçação de barra’ por grupos de interesse, usando a luta legítima de uma esposa desesperada pelo alívio do seu marido, plantando notas e pesquisas, e usando o governador Tarcísio como manobra, para tentarem minar a candidatura de Flávio Bolsonaro."
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