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Trabalho, estresse e pressão: médica alerta sobre infertilidade

Ginecologista e docente da UFMT, Giovana Fortunato reforçou importância do planejamento reprodutivo

Victor Ostetti/MidiaNews

Ginecologista e docente da UFMT, Giovana Fortunato

Ginecologista e docente da UFMT, Giovana Fortunato

ANDRELINA BRAZ
DA REDAÇÃO

Entre jornadas exaustivas de trabalho, pressões sociais e mudanças nos hábitos de vida, a fertilidade feminina tem sido impactada por fatores que vão muito além da idade.

 

Essa sobrecarga gera desgaste físico e emocional

Segundo a ginecologista e professora de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Giovana Fortunato, o estresse cotidiano e o estilo de vida moderno têm contribuído para uma queda progressiva da capacidade reprodutiva das mulheres, fenômeno observado cada vez mais cedo.

 

Em entrevista ao MidiaNews, a médica explicou que esse cenário tem levado especialistas a reforçarem a importância do planejamento reprodutivo. 

 

“Estamos vivendo em constante estresse. A mulher acumula várias jornadas: casa, trabalho, filhos e parceiros. Essa sobrecarga gera desgaste físico e emocional”, disse.

 

Conforme Giovana, tanto a fertilidade quanto a reserva ovariana vêm apresentando queda entre as mulheres, especialmente a partir dos 30 anos.

 

“A fertilidade feminina começa a diminuir progressivamente a partir dos 30 anos e cai de forma mais acentuada após os 35. Após os 40 anos, há redução significativa da reserva ovariana e aumento do risco de alterações genéticas nos óvulos”, explicou.

 

Apesar dos dados consolidados sobre o impacto da idade, pesquisadores têm observado que a redução da reserva ovariana ocorre cada vez mais cedo por conta estresse cotidiano e os hábitos modernos da sociedade.

 

Diante disso, organizações e instituições governamentais estrangeiras passaram a discutir estratégias preventivas para preservar a fertilidade feminina.

 

 

“Nos Estados Unidos, a tendência é oferecer o congelamento de óvulos para pacientes acima de 25 anos. Para o governo, é mais barato apoiar a gestação com óvulos jovens do que custear múltiplas fertilizações ao longo da vida”, afirmou.

 

Conforme a ginecologista, outro fator que pode afetar a fertilidade é o diagnóstico de doenças autoimunes ou complicações de endometriose não tratada. A endometriose, em particular, pode interferir em diferentes etapas do processo reprodutivo.

 

“Ela pode afetar os ovários, reduzir a ovulação, inflamar ou obstruir as trompas e dificultar a implantação do embrião no útero. Mesmo quando ocorre a fecundação, o ambiente inflamatório pode levar ao abortamento”, destacou a médica.

 

Infertilidade do casal

 

 

 

A médica alertou que o tratamento tardio da endometriose pode reduzir significativamente as chances de fertilidade no futuro. Apesar de afetar diretamente a saúde reprodutiva feminina, Giovana Fortunato ressaltou que a investigação da infertilidade deve sempre envolver o casal.

 

Victor Ostetti/MidiaNews

Giovana Fortunato

 

O diagnóstico ocorre após 12 meses de tentativas de concepção, com frequência média de três relações sexuais por semana, sem uso de métodos contraceptivos.

 

“Se estão tentando há um ano e nada acontece, com essa frequência, começa-se a investigar o casal. Sempre investigamos ambos, porque cerca de 55% dos casos envolvem fator feminino, e 40 a 45% têm fator masculino”, explicou.

 

As causas da infertilidade do casal podem variar desde alterações no espermograma até problemas relacionados à fertilidade feminina ou a chamada infertilidade sem causa aparente.

 

“Em até 10% dos casos, não se encontra uma causa definida, o que chamamos de esterilidade sem causa aparente”, acrescentou.

 

Segundo Giovana, dependendo do diagnóstico, o tratamento pode reverter o quadro clínico. No entanto, ela ressaltou que a infertilidade também afeta a saúde emocional, especialmente diante da pressão social pela maternidade.

 

“A dificuldade para engravidar pode gerar frustração, queda da autoestima e sofrimento emocional. Muitas mulheres relatam esse sentimento ao ver pessoas próximas engravidando”, afirmou.

 

Diante desse cenário, a médica destacou a importância do acolhimento no atendimento e no convívio social.

 

“O acolhimento e a escuta são fundamentais, porque a infertilidade não afeta apenas o corpo, mas também a saúde mental”, concluiu.

 

 

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