Cuiabá, Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 2025
RETROSPECTIVA 2025
31.12.2025 | 17h30 Tamanho do texto A- A+

Engenheiro matou esposa a facadas e feriu filha; caso chocou MT

O caso ocorreu em junho, em Lucas do Rio Verde; Daniel Bennemann Frasson está preso

Reprodução

Empresária é morta a facadas e filha sobrevive após ataque de marido

Empresária é morta a facadas e filha sobrevive após ataque de marido

LARISSA AZEVEDO
DA REDAÇÃO

O homicídio da empresária Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, assassinada com 21 facadas em Lucas do Rio Verde (a 333 km de Cuiabá), está entre os crimes mais chocantes registrados neste ano em Mato Grosso. Ela e a filha, de sete anos, foram atacadas enquanto dormiam pelo engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, de 36 anos, marido de Gleici e pai da criança.

 

Eu nunca vou esquecer o que vi, a forma que te vi, a dor que eu senti. Mas também nunca vou esquecer o quanto você era linda, autêntica, compassiva e amorosa

O crime ocorreu na manhã de 24 de junho, no bairro Bandeirantes, resultando na morte da empresária e deixando a filha do casal gravemente ferida.

 

Segundo a Polícia, após matar a esposa e tentar matar a criança, Daniel tentou tirar a própria vida. Ao chegarem ao local, as equipes de segurança encontraram o engenheiro ferido, em estado de choque, sentado em um corredor da residência. Ele e a filha foram socorridos e levados a uma unidade de saúde.

 

A menina foi posteriormente transferida, em estado grave, para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Rosa, em Cuiabá.

 

O caso causou grande comoção em todo o estado, principalmente porque a família aparentava ser unida e feliz nas redes sociais, o que tornou o crime ainda mais inesperado e impactante. 

 

Comoção 

 

O crime causou comoção imediata. Gleici era terapeuta capilar, proprietária do salão Altezza Terapia Capilar e sócia da marca Therapy Time. Nas redes sociais, familiares e amigos passaram a prestar homenagens emocionadas. 

 

A filha mais velha, a biomédica Caroline Fernandes, de 24 anos, descreveu a dor de perder a mãe. 

 

“Eu nunca vou esquecer o que vi, a forma que te vi, a dor que eu senti. Mas também nunca vou esquecer o quanto você era linda, autêntica, compassiva e amorosa. Estamos bem chorosos por aqui, sentindo sua falta desde já. Em compensação, tenho certeza de que o céu está em festa”, declarou. 

 

Reprodução

biomédica sobre irmã

Biomédica fala sobre guarda da irmã

Clarice Oliboni, mãe da empresária, também lamentou a morte da filha nas redes sociais. “Te amo eternamente, minha filha. Vou cuidar das nossas meninas aqui, cuida da gente aí de cima! Como você me dizia: ‘Mãe, um dia de cada vez’”, escreveu. 

 

Luta pela vida 

 

A sociedade mobilizou doações de sangue e correntes de oração para salvar a vida da filha da empresária e, após dias críticos na UTI, a menina apresentou melhora gradativa. Ela saiu da sedação, voltou a se alimentar e, depois de 24 dias de internação, recebeu alta hospitalar em 17 de julho. 

 

Apesar disso, deixou o hospital ainda em tratamento físico e psicológico, usando cadeira de rodas e enfrentando dificuldades para dormir. A família optou por não contar, naquele momento, sobre a morte da mãe.

 

A filha mais velha de Gleici afirmou que a irmã vai ficar com ela. “Minha irmã vai morar comigo. Eu sou a responsável legal dela e é comigo que ela vai ficar, vai morar e vai ter uma vida leve e muito feliz”, afirmou a biomédica. 

 

Destino de engenheiro 

 

Daniel Frasson teve a prisão em flagrante convertida em preventiva no dia seguinte ao crime, e permaneceu sob custódia policial mesmo durante a internação por ferimentos auto infligidos. Ele está preso na Cadeia Pública de Sorriso.

 

O engenheiro foi autuado por feminicídio consumado e tentativa de homicídio contra menor, ambos em contexto de violência doméstica. Em depoimento, confessou ter atacado a esposa e a filha enquanto dormiam, mas depois se manteve em silêncio. 

 

Pessoas próximas relataram que ele enfrentava, desde abril, um quadro psicológico grave, inicialmente apontado como burnout e depressão.

 

O caso ganhou novos desdobramentos com a discussão sobre a sanidade mental do acusado. Um laudo inicial da Politec apontou incapacidade plena de Daniel à época do crime, mas o Ministério Público contestou o documento, citando falhas metodológicas e inconsistências. 

 

Entre elas, ele citou a ausência de exames toxicológicos e farmacológicos para descartar psicose induzida por substâncias, além de indícios de preservação de funções executivas complexas pelo réu após o crime, incompatíveis com a alegada abolição total da capacidade de entendimento. “Classificar condutas finalísticas como ‘automatismos’ é subestimar a capacidade residual de entendimento demonstrada pelo réu”, argumentou o Ministério Público.

 

Em dezembro, a Justiça acatou o pedido e determinou a realização de uma nova perícia, por junta oficial, com internação para observação clínica prolongada e exames complementares, destacando que a inimputabilidade penal exige certeza técnico-científica.

 

Caroline Fernandes se manifestou publicamente e rejeitou a tese de que o crime tenha ocorrido durante um surto psicótico. Ela descreveu a cena de horror que encontrou ao entrar na casa e socorrer a irmã agonizando.

 

“Eu sei que existe depressão, ansiedade, sei que surto psicótico acontece. Mas existe um abismo entre, no meio de um surto, andar nu no meio da rua, por exemplo, e esfaquear alguém repetidas vezes”, afirmou. 

 

O feminicídio de Gleici Keli expôs, de forma brutal, a violência doméstica que pode se esconder dentro de casas aparentemente comuns e deixar marcas profundas em uma família inteira. 

 

Mesmo meses depois, o caso segue em investigação e julgamento, enquanto as filhas da empresária tentam reconstruir a vida longe da mãe e sob o peso de um trauma que vai muito além das cicatrizes físicas.

 

Leia mais:

 

Empresária é assassinada em MT; filha de 7 anos leva 7 facadas

 

Filha de empresária é transferida para UTI de hospital em Cuiabá

 

Filha e mãe de vítima lamentam: "Nunca vou esquecer o que vi"

 

Justiça decreta preventiva e pede exame de sanidade mental

 

Engenheiro que matou esposa recebe alta e vai para o presídio

 

"Dói todos os dias e a cada minuto", diz filha de empresária; veja

 

Empresária assassinada pelo marido em MT recebeu 21 facadas

 

Menina esfaqueada pelo pai está sem sedativos e conversando

 

Criança esfaqueada pelo pai recebe alta após 24 dias internada

 

Irmã assume guarda de caçula: "Vai morar comigo e ter vida feliz"

 

Assassinato completa um mês: “Saudade dói mais a cada dia”

 

Filha não crê em “surto” de padrasto: “21 facadas não é impulso”

 

Justiça manda réu passar por nova perícia de sanidade mental

 

Entre no grupo do MidiaNews no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).




Clique aqui e faça seu comentário


COMENTÁRIOS
0 Comentário(s).

COMENTE
Nome:
E-Mail:
Dados opcionais:
Comentário:
Marque "Não sou um robô:"
ATENÇÃO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. Comentários ofensivos, que violem a lei ou o direito de terceiros, serão vetados pelo moderador.

FECHAR

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia