Cuiabá, Sexta-Feira, 24 de Maio de 2019
SANGRIA NA SAÚDE
18.12.2018 | 14h25 Tamanho do texto A- A+

“Esquema é mais grave do que atuação do Comando Vermelho”

Marcos Faleiros foi quem determinou a prisão do ex-secretário Huark Douglas Correia e outras 7 pessoas

Alair Ribeiro/MidiaNews

O juiz Marcos Faleiros da Silva, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá

THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O juiz Marcos Faleiros, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, afirmou que os atos praticados pelos alvos da 2ª fase da Operação Sangria, deflagrada nesta terça-feira (18) pela Delegacia Fazendária, são mais graves do que os realizados pelos integrantes da facção Comando Vermelho, desarticulada na Operação Red Money, em outubro.

 

A declaração do magistrado consta na decisão que determinou a prisão do ex-secretário municipal de Saúde, Huark Douglas Correa - que seria o líder do esquema; Luciano Correa Ribeiro; Fábio Liberalli Weissheimer e sua mãe Celita Natalina Liberalli; Adriano Luiz Sousa;  Kedna Iracema Fonteneli Servo; Fabio Alex Taques Figueiredo e Flávio Alexandre Taques da Silva . 

 

O grupo é suspeito de monopolizar os serviços da Saúde no Estado há 14 anos, por meio de influência política e econômica, oferecendo propinas, fraudando processos licitatórios e superfaturando contratos administrativos.

 

Por fim, registro que de todos os processos que trabalhei, esses são os fatos concretamente mais graves, talvez, até mais graves que atuação dos membros da facção Comando Vermelho (Operação Red Money), porque envolvem esquema de corrupção, fraude a licitação em prestação de serviços da saúde pública

A Operação Red Money citada por Faleiros na decisão, por sua vez, desmontou um esquema de arrecadação de dinheiro desenvolvido pelo Comando Vermelho, cujos capitais são oriundos de pagamento de mensalidade de membros da facção e traficantes, além de taxas de falsa segurança em comércios.

 

“Por fim, registro que de todos os processos que trabalhei, esses são os fatos concretamente mais graves, talvez, até mais graves que atuação dos membros da facção Comando Vermelho (Operação Red Money), porque envolvem esquema de corrupção, fraude a licitação em prestação de serviços da saúde pública (UTIs e Clínica médica) e lavagem de dinheiro, gerando a morte de pessoas que estão na fila de espera para realização de cirurgia de alta complexidade (Cardíaca, Neurológica), mas não conseguem diante da ação do grupo que monopoliza o serviço de saúde e superfaturam contratos", disse, na decisão.

 

De acordo com Faleiros, o grupo utiliza de "influências políticas para permanecer em cargos estratégicos para beneficiar as empresas dos membros da organização criminosa (Proclin, Prolabora, e Qualycare) fazendo de conta que estão ofertando serviço de qualidade, quando na realidade estão esgotando o dinheiro público em detrimento dos interesses particulares".

 

O juiz afirma, ainda, que os fatos são "extremamente graves" e que, talvez, nunca foram tratados com esta intensidade porque outras esferas do direito "não foram suficientes para frenar a atuação dos investigados que há anos dominando o mercado de forma ilícita”.

 

A operação

 

A operação é um desdobramento do cumprimento de onze mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá, ocorridos no dia 4 de dezembro, para apurar irregularidades em licitações e contratos firmados com as empresas Proclin (Sociedade Mato-Grossense de Assistência Médica em Medicina Interna), Qualycare (Serviços de Saúde e Atendimento Domiciliar LTDA) e a Prox Participações, firmados com o município de Cuiabá e o Estado.

 

De acordo com o delegado Lindomar Aparecido Tofoli, no transcorrer do inquérito principal (119/2018), ficou constatado que o grupo criminoso teria destruído provas e apagado arquivos de computadores para dificultar as investigações, além de ter feito ameaças a testemunhas.

 

“O que chama a atenção é que atos totalmente reprováveis estão sendo cometidos por alguns membros da organização criminosa no intuito de ocultar, destruir provas, limpando gavetas, coagindo testemunhas, usando da influência política e econômica para interferir diretamente no cumprimento de contratos provenientes de processos licitatórios”, disse o delegado.

 

A investigação da Operação Sangria apura fraudes em licitação, organização criminosa e corrupção ativa e passiva, referente a condutas criminosas praticadas por médicos/administrador de empresa, funcionários públicos e outros, tendo como objeto lesão ao erário público, vinculados a Secretaria de Estado de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde, através de contratos celebrados com as empresas usadas pela organização, em especial, a Proclin e a Qualycare.

 

Clique AQUI para conferir a íntegra da decisão.

 

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COMENTÁRIOS
3 Comentário(s).

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Angelo Falcão De Figueiredo  22.12.18 10h31
Se a suspeita é apagamento de arquivos nos computadores pessoais para enganar a justiça, é só chamar o Data Hunter!! Saudações aos investigadores desse esquema anti saúde Pública! Parabéns!
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Advogada   19.12.18 10h27
Brilhante decisão do Dr Marcos Faleiros, uma perda lastimável para a sétima vara criminal. Vai fazer falta Dr, juiz competente, humano e extremamente legalista com as suas decisões.
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Adriana  18.12.18 16h43
Adriana, seu comentário foi vetado por conter expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas